MARCOMEDE, O "MARCOMÍDIA", DEIXA IMENSA SAUDADE A TODOS OS DIVULGADORES DA ASTRONOMIA
28/07/2010
Há uma semana soubemos que o professor Marcomede Rangel havia sofrido um forte AVC.
Depois de exatamente uma semana de luta e sofrimento, nosso amigo faleceu nesta manhã de quarta-feira.
Físico do Observatório Nacional, onde começou a trabalhar, ainda adolescente fazendo observações de manchas solares, deixa viúva, filho de oito anos e muitos amigos.
Para quem não o conheceu, começo chamando-o de "Marcometa", pois aproveitando a movimentação da passagem do cometa Halley nos anos 80, catalizou o interesse pela astronomia, promovendo sessões de observação do céu, publicando folhetos e abrindo espaço para que muitos astrônomos amadores fossem levados, com seus telescópios, a
cidades pequenas onde mostravam o céu para centenas de pessoas.
Tambem mantinha estreito contato com políticos na busca de reconhecimento público pelo trabalho de divulgação científica realizado por amadores e voluntários.
Depois da passagem do cometa, passamos a chama-lo de '"Marcomídia", pois estabeleceu ligações com jornalistas e repórteres, colocando em jornais, revistas e tv o entusiasmo dos astrônomos amadores de todo o Brasil. Viajou por todo o país apoiando e incentivando as associações amadoras e sempre esteve de braços abertos no Observatório Nacional para receber e mostrar o campus a todos os visitantes.
Todas as vezes em que o nosso grupo foi citado em notícias de jornal, revistas e programas de tv o contato inicial foi feito pelo Marcomede.
Extrovertido, agitado e de modos simples, estava sempre à vontade para falar de astronomia, valorizar o empenho dos amadores e incentivar a criação de associações e grupos de estudos. Físico, astrônomo amador, pintor, escritor, divulgador...
Nos deixa o desafio de continuar divulgando e mostrando o firmamento para as pessoas.
Um pouco mais sobre Marcomede:
Bacharel e Licencidado em Fisica pela Faculdade de Humanidades Pedro II (1980), Graduação em Meteorologia (Incompleto) - UFRJ (1974-75), com transferência para Física (FAHUPE).
Mestre em Estudos Brasileiros (Ciências Sociais) - UERJ (1989), com o tema: "Sobre a participação científica brasileira na Antártica".
Especialização em Jornalismo (UESA, 1983).
Foi sócio fundador da Sociedade Brasileira de História da Ciência - SBHC (1985).
Sócio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Membro da Academia Nacional de Letras e Artes - ANLA, possuindo 30 obras publicadas, entre livros e mapas em difusão científica, com dois livros sobre o Brasil na Antártica (1990 e 2005).
Tem sete viagens a Antártica pelo Programa Antártico Brasileiro - Proantar/Secirm. Primeiro brasileiro a medir a radiação solar na Antártica (1984).
Trabalhou nos departamentos de Astronomia (asteróides, cometas e estrelas duplas), Geofísica (Gravimetria) e Serviço da Hora do Observatório Nacional, ingressando na institução como recibado em 1968.
Foi contratado em 1976 pelo CNPq/ON, depois estatuário do CNPq e desde 2000 do MCT.
Projetou grandes relógios de Sol, como o do Parque da Cidade (5,5 m de altura) , em Brasília, com Oscar Niemeyer.
Ajudou a criar os museus: de Astronomia e Ciências Afins (1985), através do Grupo de Memória e Divulgação - GMD (1982); Núcleo de História da Ciência - NHC (1983) e Projeto Memória da Astronomia e Ciências Afins, visando cirar o "Museu do Observatório Nacional" ; e do Eclipse (1999), em Sobral (Ceará).
Paricipou da implantação dos planetários de Belém (1999) e de Feira de Santana (BA). Realizou o projeto do nome da escola Domingos Fernandes da Costa ( astrônomo do ON) e de Sodré da Gama (planetário de Belém).
Foi Analista em Ciência e Tecnologia do Observatório Nacional. Tinha experiência na área de pesquisa da História da Ciência e da Técnica.
Assessorou projetos de construção de observatórios e planetários.
Possuia o título de Cidadão Amapense (2008) por atuação no estado por mais de 10 anos promovendo a Amazônia; as Medalhas: Mérito Tamandaré e Amigo da Marinha (ambos da Marinha do Brasil pelo trabalho de difusão da atuação do Brasil na Antartica; Medalha Tiradentes (Alerj, 2007); Medalha Pedro Ernesto (CMRJ, 2000); Medalha Guimarães Rosa (ABRADE, 2009, pela cultura e meio ambiente) e título de Comendador Benemérito pela Sociedade Memorial Visconde Mauá (2009).
Teve texto de livro publicado com Darcy Ribeiro (2007) e João Saldanha (2003).
Nota do editor BSN: o Professor Marcomede, além de um dos maiores incentivadores da Astronomia no Brasil, sempre foi um assíduo colaborador do Boletim. Não há um editor BSN sequer, que não tenha conhecido ou presenciado sua simpatia e grande paixão pelos astros. Nossos profundos sentimentos e aqui nossa homenagem para uma pessoa cativante, cientista e divulgador memorável, no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo!