Os Estados Unidos não mais "correm contra um adversário" pela conquista espacial e, por isso, devem focar na colaboração internacional para levar à frente projetos na área, afirmou o presidente Barack Obama esta semana em mais um anúncio de mudanças na política espacial de seu país.
Além de reforçar o chamado à indústria americana para desenvolver tecnologias para voos comerciais de baixa órbita, como já havia feito em discursos em janeiro e abril deste ano, a nova política de Obama admite pela primeira vez o controle do uso militar do espaço, além de buscar cooperação para lidar com o problema do chamado "lixo espacial"
Corrida tem início na Guerra Fria
Iniciado nos anos 50, o programa espacial americano tem suas origens na competição com a antiga União Soviética, adversária dos EUA na Guerra Fria, período em que o mundo conviveu com a paranoia do holocausto nuclear e viu a construção de projetos de grande magnitude, como a chegada do homem (americano) à Lua em 1969.
Já nos anos 1980, a Iniciativa de Defesa Estratégica do então presidente Ronald Reagan, também conhecido com o projeto "Guerra nas estrelas", previa a construção de um "escudo" antimísseis no espaço e acabou por ajudar a empurrar ainda mais a economia soviética rumo à bancarrota que precipitou a queda da "cortina de ferro".
Agora, no entanto, são os EUA que começam a ver minguar seu poderio econômico e, com isso, o governo efetua sucessivos cortes de orçamento e projetos da Nasa, a agência espacial americana. Ainda este ano, os ônibus espaciais americanos realizam suas últimas missões, o que deixará o país na dependência dos antigos rivais russos para levar e trazer seus astronautas da Estação Espacial Internacional até que a iniciativa privada americana desenvolva novas tecnologias para voos de baixa órbita, conforme preconizou o próprio Obama em discursos anteriores sobre mudanças na política espacial de seu país.
- Não mais estamos correndo contra um adversário. De fato, um dos nossos objetivos principais é promover a cooperação e a colaboração pacíficas no espaço que não só vão afastar conflitos como ajudar a expandir nossa capacidade de operar em órbita e além - disse o presidente americano.
Mas, para dividir os custos da exploração espacial com outros países, inclusive a China, atual rival dos EUA na área, o governo americano teve que ceder num ponto crucial: avaliar e eventualmente assinar um tratado que limite o uso militar do espaço, comprometendo-se a "considerar propostas e conceitos de medidas de controle de armas, desde que sejam equânimes, efetivamente verificáveis e que melhorem a segurança nacional dos EUA e seus aliados".
Além disso, os EUA atualmente rastreiam mais de 20 mil objetos em órbita da Terra, sendo que 94% deles são considerados lixo. Esses dados agora serão compartilhados com outros países para evitar eventuais colisões, como a que no início do ano passado levou à destruição de um dos satélites da empresa de telefonia Iridium por um satélite russo de comunicação Cosmos desativado, que espalhou ainda mais destroços em órbita.
- Está claro para nós agora que nossas oportunidades e responsabilidades mudaram. Reconhecemos que o espaço agora é mais importante do que nunca para a economia e a segurança nacional, mas também para o meio ambiente - resumiu Barry Pavel, diretor de estratégia e defesa do Conselho de Segurança Nacional americano.