Mesmo depois de 10 anos de sua inauguração, a Estação Espacial Internacional ainda exerce uma espécie de fascínio sobre muitas pessoas. Eu sou uma delas. E sempre me pergunto: como será a sensação mais profunda daqueles privilegiados que ali trabalham durante meses, diante da visão impactante deste planeta azul e do espaço cósmico que nos circunda? Que coisas novas pode nos ensinar tal experiência?
Em busca de possíveis respostas a essas perguntas, tenho navegado horas na internet, fuçando em todos os sites especializados em pesquisa espacial que conheço.
Há quase duas semanas, entrei num desses portais, no momento certo, alertado por amigos distantes da importância de um evento realmente interessante e, assim, pude assistir pela internet, em transmissão ao vivo, pela televisão russa, ao lançamento da nave Soyuz, levada ao espaço por um foguete russo do mesmo nome, no dia 15 de junho, exatamente às 18h35, na centésima missão tripulada à Estação Espacial Internacional (ou ISS, na sigla de International Space Station), a partir da Base de Baikonur, no Casaquistão.
A nova equipe. A nave acoplou-se à ISS no dia seguinte. Tudo perfeito. Incumbida de participar da Expedição 24, a equipe de astronautas que chegou à Estação Espacial vai substituir três outros membros da tripulação que ali cumpriram seu trabalho nos últimos meses.
Seus novos integrantes são: o cosmonauta russo Fyodor Yurchikhin e dois astronautas norte-americanos, sendo uma mulher, Shannon Walker, e o coronel Douglas Wheelock. Permanecem na ISS o comandante Alexander Skvortsov, o engenheiro de vôo russo Mikhail Kornienko, e a astronauta da NASA e engenheira de voo Tracy Caldwell Dyson.
Segundo as transmissões em inglês da agência de notícias russa RIA Nóvosti, a astronauta Shannon Walker e seu colega, coronel Douglas Wheelock, admitiram sentir alguma apreensão diante dos objetivos da Expedição 24, mas, para ambos, "os riscos fazem parte da vida".
Disseram ainda estar felizes, embora "um pouco receosos" sobre os trabalhos de pesquisa. E, também, preocupados com o longo tempo de isolamento que terão que viver num ambiente tão diferente como o da ISS. Esta é a última missão a ser transportada à ISS por um foguete Soyuz. A cápsula Soyuz permanecerá em órbita, como veículo de retorno de emergência para os astronautas.
Até o ano passado, tanto as naves Soyuz quanto o ônibus espaciais transportavam astronautas e equipamentos para a Estação Espacial Internacional. Os ônibus espaciais, no entanto, serão aposentados em breve, devendo encerrar suas atividades no final do ano ou, talvez, no início de 2011, com os voos STS-133 (Discovery) e STS-134 (Endeavor) em direção à ISS. Os veículos sucessores dos ônibus espaciais só deverão voar por volta de 2015.
Que Estação é essa? A Estação Espacial é uma das maravilhas da tecnologia. O projeto deu continuidade às experiências bem sucedidas feitas desde os anos 1970 e 1980, com as estações Mir russa e a Skylab, norte-americana.
A ISS está sempre em construção, desde o início de sua montagem, em 1998. Esse grande laboratório do espaço gira em torno da Terra em órbita baixa, entre 340 e 353 quilômetros, a 27.700 quilômetros por hora, dando cada volta em 92 minutos e completando um total de 15,77 órbitas por dia. Em noites sem nuvens, podemos ver a estação espacial a olho nu, como um ponto luminoso que se desloca no céu.
Curiosamente, a altura da estação varia, em função do arrastamento da atmosfera e de sua própria reposição, com propulsores de gás comprimido, visto que ela perde em média 88 metros de altitude por dia.
Desde o dia 2 de novembro de 2000, quando foi praticamente inaugurada e passou a ser tripulada permanentemente, há sempre pelo menos dois astronautas na Estação, o que assegura a presença humana no espaço.
Como projeto multinacional, a ISS envolve diversos programas espaciais, mas constitui um projeto conjunto da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA), dos Estados Unidos, em parceria com entidades como a Agência Espacial Europeia (ESA), a Agência Espacial Canadense (CSA/ASC), a Agência Japonesa de Exploração Espacial (JAXA), a Agência Espacial Federal Russa (Roskosmos) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Brasil.
Para quê? Segundo os cientistas que projetaram a Estação Espacial Internacional, seu grande objetivo é abrir as portas do Universo e preparar o homem para viver fora da Terra e para a exploração do espaço, no longo prazo, bem como buscar, com os novos conhecimentos, o máximo de benefícios à humanidade.
Com seis modernos laboratórios, a ISS é a instalação mais avançada para pesquisa no espaço, quatro vezes maior e mais poderosa do que qualquer estação espacial anterior. De suas pesquisas, esperam avanços na medicina, na tecnologia e na ciência em geral.
Por exemplo: os estudos de microgravidade e de hipergravidade talvez possam ajudar os pesquisadores a entender melhor quais são seus efeitos nos seres humanos e oferecer novas visões sobre como funciona o corpo humano.
Outro exemplo é o do crescimento de cristais de proteínas no ambiente espacial, que pode ajudar os cientistas a criar novas técnicas de tratamento para numerosas doenças, atualmente sem cura.