Edição 569 na integra:
SUPERNOVAS - BOLETIM BRASILEIRO DE ASTRONOMIA -
http://www.boletimsupernovas.com.br/
Quinta-feira, 10 de Junho de 2010 - Edicao No. 569
Indice:
_ BRASIL E ARGENTINA TERAO SATELITE BINACIONAL
_ ESTUDO BRASILEIRO REFORCA HIPOTESE DE QUE VIDA NA TERRA VEIO DO
ESPACO
_ CARLOS GANEM PARTICIPA DE DEBATE SOBRE RECURSOS HUMANOS NO SENADO
_ INPE TESTARA' EQUIPAMENTOS PARA PAIS VIZINHO
_ CARLOS GANEM FALA SOBRE ALCANTARA PARA A CBN
_ CIENTISTA ATACA BIG BANG E VISAO "ESTREITA" DOS FISICOS
_ UM ZOOLOGICO COSMICO NA GRANDE NUVEM DE MAGALHAES
_ LEVANTAMENTO REVELA MUITOS MILHARES DE BURACOS NEGROS SUPERMASSIVOS
_ EXOPLANETA PEGO EM MOVIMENTO
_ EVENTOS
_ EFEMERIDES
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ASTRONOMIA NO BRASIL
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BRASIL E ARGENTINA TERAO SATELITE BINACIONAL
04/06/2010. A parceria do Brasil com a Argentina na area espacial foi
ampliada, este mes, com o anuncio da retomada do projeto de
desenvolvimento conjunto de um satelite pelos governos dos dois paises.
O Sabia-Mar, que na primeira versao, de 1996, estava projetado para
obter informacoes sobre agua, alimentos e ambiente, fara' agora a
observacao global dos oceanos e de regioes costeiras, alem de
monitoramento do Atlantico nas proximidades do Brasil e da Argentina. O
projeto, estimado em US$ 200 milhoes, tem prazo para desenvolvimento em
seis anos. O valor sera' financiado em partes iguais pelos dois paises.
So' o lancamento do satelite custara' US$ 50 milhoes, sendo que o
restante e' destinado ao desenvolvimento, explica o coordenador de
gestao tecnologica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e
responsavel pelo satelite, Marco Antonio Chamon. Os recursos serao
administrados pela Agencia Espacial Brasileira e Comision Nacional de
Actividades Espaciales, da Argentina. A missao Sabia comecou em 1996 e
foi revisada em 1998 com a inclusao da Espanha. Em 2000 foi suspensa com
a saida da Espanha e a crise economica na Argentina, sendo retomada em
2008. "A ideia e' que o satelite seja lancado por um foguete nacional,
mas ainda nao sabemos se sera' possivel, pois o lancador brasileiro VLS
tem capacidade para transportar 300 quilos, enquanto o Sabia-Mar esta'
sendo projetado para 1,2 tonelada", disse Chamon. O Programa de
Lancadores Cruzeiro do Sul, coordenado pelo Departamento de Ciencia e
Tecnologia Aeroespacial brasileiro, poderia ser uma alternativa ao
Sabia-Mar, segundo o pesquisador, pois preve' uma familia de foguetes
para ate' 2 toneladas, mas ainda esta' em fase inicial de
desenvolvimento. Com o satelite binacional, Brasil e Argentina poderao
fazer o mapeamento das regioes pesqueiras, ver o movimento de cardumes e
as areas mais propicias 'a pesca, alem de apoiar atividades de
exploracao de petroleo, com informacoes meteorologicas e observar a cor
do oceano para identificar as areas sujeitas a vazamento de oleo no mar,
explicou Chamon. Inpe testara' equipamentos para pais vizinho O
Laboratorio de Integracao e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe), unico no genero no Hemisferio Sul, acaba de receber os
primeiros sistemas do satelite argentino SAC-D, que foi desenvolvido em
cooperacao com a Agencia Espacial Americana (Nasa). O satelite completo
e integrado chegara' ao Brasil em julho e permanecera' no Inpe por
quatro meses. O equipamento passara' por uma bateria de testes,
envolvendo ensaios de vibracao e aceleracao, acustico, vacuo-termico e
de compatibilidade eletromagnetica. A realizacao dos testes foi acertada
por meio de um acordo de cooperacao tecnologica entre a Agencia Espacial
Brasileira e a Comision Nacional de Actividades Espaciales, da
Argentina. O SAC-D e' um satelite de observacao ambiental, com foco no
monitoramento do nivel de salinidade dos oceanos. A Nasa, por meio do
seu laboratorio Jet Propulsion Laboratory, desenvolveu a carga util do
satelite argentino, responsavel pelas medicoes de salinidade nos
oceanos. O equipamento, segundo o chefe do laboratorio do Inpe, Petronio
Noronha de Souza, tambem sera' testado no Brasil. "A influencia dos
oceanos na meteorologia e' muito grande e o nivel de salinidade da agua
e' um dos itens relacionados com a circulacao da atmosfera", disse
Noronha. "Essas informacoes serao integradas aos modelos de previsao do
tempo e o satelite tambem ajudara' a estudar o impacto da circulacao
atmosferica dos oceanos sobre o clima." A empresa argentina Invap,
principal contratada do governo daquele pais para o projeto de
desenvolvimento do satelite, enviou uma equipe tecnica ao Brasil para
acompanhar a realizacao dos testes no SAC-D. A empresa tambem e'
contratada do Inpe no desenvolvimento do sistema de controle de atitude
(sua orientacao no espaco em relacao a algum sistema de referencia) do
Amazonia-1. Esse satelite fara' a cobertura completa da Terra em menos
de cinco dias, mas estara' focado na regiao Amazonica. O setor espacial
no laboratorio do Inpe, que envolve os satelites do programa espacial,
segundo Noronha, responde por um terco da demanda de servicos no local.
O laboratorio tambem atende 'as industrias e presta servicos internos
para o proprio Inpe e para o Departamento de Ciencia e Tecnologia
Aeroespacial. Em 2009, os servicos prestados pelo laboratorio 'as
industrias, especialmente as do setor automobilistico e de
telecomunicacoes, geraram receita adicional de US$ 5 milhoes, de acordo
com Noronha. Os recursos, segundo ele, ajudam a manter a
operacionalidade do laboratorio e os investimentos em novos
equipamentos. A industria contribuiu, por exemplo, com o projeto de
expansao que capacitou o laboratorio do Inpe, a partir de 2006, a
realizar testes de interferencia eletromagnetica (camara anecoica) e de
vibracao acustica (camara acustica) em sistemas espaciais de grande
porte, nao so' do programa espacial brasileiro, mas tambem de outros
paises. Quando nao existiam as atuais instalacoes, o satelite argentino
SAC-C, anterior ao atual, nao pode ser totalmente testado no Inpe,
porque a camera para testes de interferencia eletromagnetica que existia
na epoca nao comportava um satelite de grande porte. O mesmo aconteceu
com o segundo satelite, o Cbers, que precisou ser testado na China.
Outro ganho recente do laboratorio do Inpe foi a aquisicao de uma camara
de vacuo de grande porte em 2008, da empresa espanhola Telstar, por R$
10 milhoes. O equipamento simula as condicoes de temperatura e de
ausencia do ar que o satelite enfrenta quando esta' em orbita.
Montadoras de veiculos e fabricantes do setor de telecomunicacoes usam
regularmente as instalacoes do laboratorio brasileiro para realizar
testes de compatibilidade eletromagnetica na eletronica embarcada de
veiculos, telefones celulares, antenas e outros componentes eletronicos.
Um terco do tempo do laboratorio esta' dedicado 'a industria e um terco
para a prestacao de servicos internos para o proprio Inpe e tambem para
o Departamento de Ciencia e Tecnologia Aeroespacial. O laboratorio opera
em tres turnos para atender 'as atividades das industrias e do programa
espacial. O terceiro satelite da cooperacao Brasil-China, o Cbers-3,
tambem iniciou a fase de testes dos seus equipamentos no laboratorio. A
Embraer e' outra usuaria do laboratorio, para a realizacao de testes de
qualificacao em equipamentos de comunicacao instalados em suas
aeronaves. ( Fonte: Virginia Silveira/Valor Economico )
Ed: CE
ESTUDO BRASILEIRO REFORCA HIPOTESE DE QUE VIDA NA TERRA VEIO DO ESPACO
07/06/2010. Quantos escudos protetores voce' precisaria para sobreviver
a uma viagem interplanetaria de milhoes de anos, agarrado a um pedaco de
rocha, congelado, sem agua nem oxigenio e bombardeado incessantemente
por radiacao ultravioleta? Se voce' e' uma bacteria da especie
Deinococcus radiodurans, uma superficie rugosa e uma camada de poeira
ja' seriam suficientes. E' o que indica o primeiro estudo experimental
de astrobiologia feito por cientistas brasileiros. Os resultados,
publicados na ultima edicao da revista cientifica Planetary and Space
Science, dao suporte 'a teoria da panspermia, segundo a qual a vida pode
nao ter se originado na Terra, mas em outro ponto do universo, e caido
aqui ja' pronta, trazida por um cometa, meteorito ou coisa parecida.
Para isso, uma forma de vida primordial - representada nos experimentos
por bacterias - precisaria sobreviver 'as intemperies do espaco por
milhares ou ate' milhoes de anos, dormente, para entao renascer na
superficie de algum planeta amigavel. Como a Terra. Por mais dificil que
isso possa parecer, varios experimentos realizados nos ultimos anos
demonstram que determinadas bacterias, em determinadas condicoes,
poderiam sobreviver a uma aventura espacial dessa natureza. A isso
soma-se, agora, o trabalho do biologo brasileiro Ivan Glaucio
Paulino-Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele
submeteu colonias de Deinococcus radiodurans a condicoes similares 'as
encontradas no espaco e comprovou que elas sobrevivem, com relativa
facilidade, a doses altissimas de radiacao. "Uma minima protecao contra
raios ultravioleta e' suficiente para aumentar significativamente a
sobrevivencia desses microrganismos", afirma Lima, que fez o trabalho
para sua tese de doutorado. "Do ponto de vista da biologia, os
resultados nao sao tao extraordinarios. Colocados num contexto
astronomico, porem, as implicacoes tornam-se importantissimas." A mais
importante delas e' que microrganismos primitivos resistentes,
semelhantes 'a Deinococcus radiodurans, poderiam, sim, sobreviver a uma
viagem interplanetaria, presos a graos de poeira ou rocha
(micrometeoritos). A simulacao foi feita utilizando o acelerador de
particulas do Laboratorio Nacional de Luz Sincrotron (LNLS), em
Campinas, capaz de produzir feixes continuos de radiacao em varios
comprimentos de onda e diferentes intensidades. As bacterias foram
colocadas sobre uma fita de carbono, cuja superficie rugosa forma uma
serie de "caverninhas" microscopicas nas quais as bacterias podiam se
esconder da radiacao - algo bem semelhante 'a superficie de um
micrometeorito, segundo os pesquisadores. Associado a isso, bastou uma
camada de poeira, materia organica ou um leve empilhamento de celulas
para que as bacterias mais abaixo sobrevivessem. No teste mais rigoroso,
as bacterias foram expostas a 16 horas continuas de radiacao
ultravioleta de vacuo, numa dose equivalente ao que elas receberiam ao
longo de 1 milhao de anos viajando no espaco. "E' uma radiacao de
altissima energia, muito mais forte do que os raios ultravioleta que
chegam 'a superficie da Terra", aponta a pesquisadora Claudia Lage, do
Instituto de Biofisica Carlos Chagas Filho, que orientou o trabalho de
Lima na UFRJ. A atmosfera terrestre filtra os comprimentos de onda mais
nocivos da radiacao solar. Caso contrario, a superficie do planeta seria
esterilizada. Em media, so' 2% das bacterias sobreviveram 'as sessoes de
radiacao. Parece pouco, mas numa amostra de 100 mil celulas, isso
significa 2 mil bacterias. Mais do que suficiente para inseminar um
planeta, como gostam de dizer os astrobiologos. "E' praticamente uma
invasao alienigena", compara Claudia. Na surdina Uma invasao tao
silenciosa que passaria facilmente despercebida mesmo nos dias de hoje.
Alem de sobreviver 'as intemperies do espaco, para desembarcar aqui, os
microbios extraterrestres precisariam sobreviver 'a entrada na
atmosfera. Em 2003, uma rachadura no escudo protetor do onibus espacial
Columbia foi suficiente para destruir completamente a nave, matando seus
sete tripulantes. Da mesma forma, o calor criado pelo atrito com o ar
seria mais do que suficiente para pulverizar qualquer organismo preso 'a
superficie de um meteoro ou outro meio de transporte espacial. Por isso,
os pesquisadores especulam que a "invasao" teria ocorrido por meio de
micrometeoritos - fragmentos microscopicos de rocha -, grandes o
suficiente para transportar bacterias, mas pequenos o suficiente para
passar pela atmosfera sem se aquecer. Estudos feitos na Antartida
indicam que ate' 10 mil toneladas de micrometeoritos caem anualmente
sobre a Terra, segundo o astronomo Eduardo Janot Pacheco, do Instituto
de Astronomia (IAG) da Universidade de Sao Paulo, que tambem assina o
estudo. "Formas de vida alienigenas podem estar caindo sobre o planeta
agora mesmo", especula Janot. As evidencias fosseis mais antigas de vida
microbiana no planeta datam de 2,5 bilhoes de anos, segundo Claudia. "O
planeta ja' era perfeitamente habitavel naquela idade", diz ela, caso
algum microrganismo alienigena tenha mesmo desembarcado por aqui naquele
momento. Talvez a propria Deinococcus radiodurans - que seria, neste
caso, o ancestral comum de todas as formas de vida na Terra -, ou algo
parecido com ela. Conan, a bacteria A Deinococcus radiodurans foi
selecionada para o estudo porque, como diz seu nome, e' uma especie
naturalmente resistente 'a radiacao extrema. A razao evolutiva para
isso, ninguem sabe, pois ela aguenta doses muito mais elevadas do que se
registra em qualquer ambiente da Terra. E tambem e' resistente 'a
desidratacao - outra caracteristica necessaria para sobrevivencia no
espaco. E' encontrada em todo lugar, desde desertos ate' comidas
enlatadas. Ja' apareceu no Guiness Book como "a bacteria mais durona do
planeta", e 'as vezes atende pelo apelido de Conan. "Ainda bem que nao
e' uma especie patogenica, senao estariamos em apuros", conclui Janot.
''Nao ha' razao pela qual a vida nao comecaria aqui'' A hipotese da
panspermia e' plausivel, mas desnecessaria para explicar a origem da
vida na Terra, segundo o quimico Richard Shapiro, da Universidade de
Nova York (NYU). "Nao ha' nenhuma razao pela qual a vida nao poderia ter
comecado aqui mesmo", disse o pesquisador ao Estado. Segundo ele, apesar
das improbabilidades e das dificuldades de reproduzir esse processo em
laboratorio, nao ha' nenhum fator quimico ou biologico que proiba a
formacao espontanea de vida na natureza, via interacao de atomos e
moleculas. "Nos estamos aqui, entao aconteceu. Em algum lugar, de alguma
forma, moleculas organicas se juntaram para formar uma vida primitiva."
A partir dai', comeca o capitulo mais familiar da historia, em que a
evolucao transforma e diversifica essa vida primitiva em especies cada
vez mais complexas, dando origem a todos os seres vivos que ja'
habitaram a Terra. Muitas duvidas, porem, permanecem sobre o capitulo
inicial. Nao apenas sobre o "como", mas tambem sobre o "onde" teria
comecado a vida. Ha' quem diga que foi na borda de chamines submarinas,
em que agua fervente expelida do interior da terra se mistura com a agua
gelida do fundo do oceano. Ha' quem diga que foi em crateras vulcanicas
ou em fendas no gelo. "Ha' muitos ambientes propicios para a formacao da
vida." Para confirmar a hipotese da panspermia, diz Shapiro, seria
preciso achar microbios iguais aos da Terra congelados em cometas,
meteoros ou outro planeta do sistema solar. ''Somos parte de uma
corrente que conecta a Terra ao resto da galaxia'', entrevista com
Chandra Wickramasinghe, diretor do Centro Cardiff de Astrobiologia "A
panspermia nao e' apenas possivel, ela e' inevitavel", diz o matematico
Chandra Wickramasinghe, diretor do Centro Cardiff de Astrobiologia, da
Universidade Cardiff, na Gra-Bretanha. Um dos pioneiros da teoria, ele
conversou com o Estado sobre vida no universo: - Quais sao as evidencias
a favor da panspermia? As evidencias vem da biologia, da astronomia e da
geologia. Os dados biologicos mostram que o surgimento da vida numa poca
d"agua da Terra nao e' plausivel. E' necessario um sistema conectado de
materia que se estenda por grande parte do universo. Os dados
astronomicos sobre moleculas organicas no espaco sao melhor explicados
como detritos de bacterias. Considerando que a transformacao de nao vida
em vida e' quase impossivel, e' muito mais provavel que a vida tenha se
espalhado de um unico ponto onde se formou pela primeira vez do que
tenha se formado varias vezes em diferentes lugares. Ja' a geologia nos
diz que a primeira evidencia de vida na Terra e' de 3,8 bilhoes a 4
bilhoes de anos atras, quando o planeta estava sendo pesadamente
bombardeado por cometas. - Nao ha' nada que impediria a ocorrencia da
panspermia? Algo que a ciencia ainda nao provou ser possivel? A
panspermia seria inibida apenas se bacterias fossem tao frageis que nao
conseguissem sobreviver 'a viagem espacial dentro de um sistema solar.
Ha' uma fartura de evidencias que contradizem isso. Os dados brasileiros
sao mais uma confirmacao de que certas bacterias sao resistentes 'a
radiacao cosmica. - Ainda que a panspermia seja possivel, como podemos
saber se ela ocorreu de fato aqui? O fato de a vida ter comecado 3,8
bilhoes de anos atras, numa epoca em que a Terra era bombardeada por
cometas, e' uma indicacao forte de que cometas trouxeram vida para ca'.
Nesse caso, seria possivel mostrar que cometas em orbita ainda carregam
vida microbiana, e que microbios continuam a ser introduzidos na Terra
por cometas ate' os dias de hoje. - Onde, entao, teria surgido a vida?
Em outro ponto do sistema solar, da galaxia, do universo? Acredito que a
galaxia inteira e' uma biosfera unica, interconectada. Genes microbianos
sao continuamente intercambiados entre sistemas planetarios. Assim, a
evolucao darwiniana ocorre em escala galactica. Somos parte de uma
corrente que conecta a vida na Terra aos lugares mais distantes da
galaxia e tambem alem dela. Nossos ancestrais geneticos ainda se
escondem entre as estrelas. ( Fonte: Herton Escobar/O Estado de SP )
Ed: CE
CARLOS GANEM PARTICIPA DE DEBATE SOBRE RECURSOS HUMANOS NO SENADO
01/06/2010. O presidente da Agencia Espacial Brasileira (AEB), Carlos
Ganem, participou nesta segunda-feira (31), do painel da Comissao de
Servicos de Infraestrutura (CI) com tema "Desafios, necessidades e
perspectivas da formacao e capacitacao de recursos humanos nas areas de
transportes aereos e aquaticos". O debate integra o ciclo de discussoes
Agenda Desafio 2009-2015 - Recursos Humanos para Inovacao e
Competitividade, que vem sendo promovido pela comissao. Ganem falou das
dificuldades que o Programa Espacial Brasileiro enfrentou nos ultimos
anos, principalmente no que se refere 'a falta de recursos humanos.
Segundo Carlos Ganem, entre os os principais gargalos do programa
espacial estao a falta de recursos humanos e o nao dominio das
tecnologias criticas. Atualmente, ha' cerca de 3 mil especialistas na
area no Brasil. No entanto, o envelhecimento e a evasao deste quadro, a
falta de reposicao e novas contratacoes e as poucas acoes de capacitacao
e treinamento para atividade espacial sao preocupantes. "O deficit de
especialistas na atividade espacial, no Brasil, e' de cerca de 2 mil
especialistas", afirmou Ganem. O presidente citou algumas acoes que a
AEB tomou, nos ultimos anos, para modificar esse quadro. Uma delas, e' o
edital, lancado juntamente com o Conselho Nacional de Desenvolvimento
Cientifico e Tecnologico (CNPq), em maio deste ano, com o intuito de
apoiar projetos voltados 'a fixacao, formacao e capacitacao de
especialistas para o setor espacial. No total serao destinados recursos
da ordem de R$ 13 milhoes, com desembolso de R$ 6 milhoes este ano e R$
7 milhoes em 2011. Participaram, ainda, do debate o diretor financeiro e
administrativo da Infraero, Mauro Lima, o diretor-geral do Departamento
de Controle do Espaco Aereo (Decea), tenente-brigadeiro Ramon Borges
Cardoso; o vice-presidente executivo de Organizacao e Recursos Humanos
da Embraer, Hermann Ponte e Silva e o vice-chefe do Departamento de
Engenharia Naval e Oceanica da Coordenacao de Programas de Pesquisa em
Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Luiz
Felipe Assis. ( Fonte: Coordenacao de Comunicacao Social/AEB )
Ed: CE
INPE TESTARA' EQUIPAMENTOS PARA PAIS VIZINHO
07/06/2010. O Laboratorio de Integracao e Testes do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe), unico no genero no Hemisferio Sul, acaba
de receber os primeiros sistemas do satelite argentino SAC-D, que foi
desenvolvido em cooperacao com a Agencia Espacial Americana (Nasa). O
satelite completo e integrado chegara' ao Brasil em julho e permanecera'
no Inpe por quatro meses. O equipamento passara' por uma bateria de
testes, envolvendo ensaios de vibracao e aceleracao, acustico,
vacuo-termico e de compatibilidade eletromagnetica. A realizacao dos
testes foi acertada por meio de um acordo de cooperacao tecnologica
entre a Agencia Espacial Brasileira e a Comision Nacional de Actividades
Espaciales, da Argentina. O SAC-D e' um satelite de observacao
ambiental, com foco no monitoramento do nivel de salinidade dos oceanos.
A Nasa, por meio do seu laboratorio Jet Propulsion Laboratory,
desenvolveu a carga util do satelite argentino, responsavel pelas
medicoes de salinidade nos oceanos. O equipamento, segundo o chefe do
laboratorio do Inpe, Petronio Noronha de Souza, tambem sera' testado no
Brasil. A influencia dos oceanos na meteorologia e' muito grande e o
nivel de salinidade da agua e' um dos itens relacionados com a
circulacao da atmosfera, disse Noronha. Essas informacoes serao
integradas aos modelos de previsao do tempo e o satelite tambem ajudara'
a estudar o impacto da circulacao atmosferica dos oceanos sobre o clima.
A empresa argentina Invap, principal contratada do governo daquele pais
para o projeto de desenvolvimento do satelite, enviou uma equipe tecnica
ao Brasil para acompanhar a realizacao dos testes no SAC-D. A empresa
tambem e' contratada do Inpe no desenvolvimento do sistema de controle
de atitude (sua orientacao no espaco em relacao a algum sistema de
referencia) do Amazonia-1. Esse satelite fara' a cobertura completa da
Terra em menos de cinco dias, mas estara' focado na regiao Amazonica. O
setor espacial no laboratorio do Inpe, que envolve os satelites do
programa espacial, segundo Noronha, responde por um terco da demanda de
servicos no local. O laboratorio tambem atende 'as industrias e presta
servicos internos para o proprio Inpe e para o Departamento de Ciencia e
Tecnologia Aeroespacial. Em 2009, os servicos prestados pelo laboratorio
'as industrias, especialmente as do setor automobilistico e de
telecomunicacoes, geraram receita adicional de US$ 5 milhoes, de acordo
com Noronha. Os recursos, segundo ele, ajudam a manter a
operacionalidade do laboratorio e os investimentos em novos
equipamentos. A industria contribuiu, por exemplo, com o projeto de
expansao que capacitou o laboratorio do Inpe, a partir de 2006, a
realizar testes de interferencia eletromagnetica (camara anecoica) e de
vibracao acustica (camara acustica) em sistemas espaciais de grande
porte, nao so' do programa espacial brasileiro, mas tambem de outros
paises. Quando nao existiam as atuais instalacoes, o satelite argentino
SAC-C, anterior ao atual, nao pode ser totalmente testado no Inpe,
porque a camera para testes de interferencia eletromagnetica que existia
na epoca nao comportava um satelite de grande porte. O mesmo aconteceu
com o segundo satelite, o CBERS, que precisou ser testado na China.
Outro ganho recente do laboratorio do Inpe foi a aquisicao de uma camara
de vacuo de grande porte em 2008, da empresa espanhola Telstar, por R$
10 milhoes. O equipamento simula as condicoes de temperatura e de
ausencia do ar que o satelite enfrenta quando esta' em orbita.
Montadoras de veiculos e fabricantes do setor de telecomunicacoes usam
regularmente as instalacoes do laboratorio brasileiro para realizar
testes de compatibilidade eletromagnetica na eletronica embarcada de
veiculos, telefones celulares, antenas e outros componentes eletronicos.
Um terco do tempo do laboratorio esta' dedicado 'as industria e um terco
para a prestacao de servicos internos para o proprio Inpe e tambem para
o Departamento de Ciencia e Tecnologia Aeroespacial. O laboratorio opera
em tres turnos para atender 'as atividades das industrias e do programa
espacial. O terceiro satelite da cooperacao Brasil-China, o CBERS-3,
tambem iniciou a fase de testes dos seus equipamentos no laboratorio. A
Embraer e' outra usuaria do laboratorio, para a realizacao de testes de
qualificacao em equipamentos de comunicacao instalados em suas
aeronaves. ( Fonte: Valor Economico )
Ed: CE
CARLOS GANEM FALA SOBRE ALCANTARA PARA A CBN
05/06/2010. O presidente da Agencia Espacial Brasileira (AEB), Carlos
Ganem, concedeu uma entrevista ao programa do jornalista Herodoto
Barbeiro na Radio CBN. O foco da entrevista foi Alcantara, especialmente
a questao da necessidade de um acordo de salvaguardas tecnologicas com
os EUA, para a exploracao comercial do centro espacial brasileiro. De
acordo com Ganem, e 2009, foram investidos R$ 85 milhoes no CLA, alem de
terem sido realizadas obras de infraestrutura, como a melhoria numa
estrada de acesso ao centro. Tambem foram executadas modernizacoes na
sala de controle, e na antena de rastreio, atualizacoes estas, segundo
palavras do proprio Ganem, "desejada(s) e ambicionada(s) por todo o
sitio de lancamento no mundo". O presidente da AEB tambem destacou
alguns avancos em acordos de salvaguardas com diferentes paises.
Mencionou os instrumentos com a Russia, com a Ucrania, parceira do
Brasil na Alcantara Cyclone Space, que operara' do sitio brasileiro o
foguete Cyclone 4 (lancador de "grandissimo porte", segundo Ganem), e
tambem com os EUA. Em relacao ao acordo com os EUA, o dirigente informou
que um instrumento chegou a ser assinado em 2000, mas nao foi ratificado
pelo Congresso Nacional. Trata-se de "questao delicada". "Gestoes da AEB
junto ao Itamaraty esbarram na politica de relacoes exteriores do
Brasil". Ganem, porem, demonstra reconhecer a importancia de se ter um
acordo com os Estados Unidos. Afirma que sem o acordo, havera'
dificuldades para lancar 80% do mercado mundial de satelites, que tem
origem nos EUA. "Isso exige um grande equilibrio, uma grande engenharia
de politica exterior que faca com que as posicoes caminhem para um
entendimento." Para acompamnhar a integra da entrevista (cerca de 10
minutos): http://www.aeb.gov.br/indexx.php?secao=noticias&id=357 (
Fonte: Andre Mileski, Panorama Espacial )
Ed: CE
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ASTRONOMIA NO MUNDO
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CIENTISTA ATACA BIG BANG E VISAO "ESTREITA" DOS FISICOS
31/05/2010. Para Mario Novello, fisico do Centro Brasileiro de
Pesquisas Fisicas, no Rio de Janeiro, a cosmologia virou, com
frequencia, "uma coisa trivial, simplesmente saber qual porcentagem de
materia dessa categoria ou daquela tem no Universo". Tao preocupante
quanto isso, diz, e' o esnobismo dos cientistas com a filosofia e a
metafisica, que os impede de refletir sobre o que fazem. Sao apenas
"tecnicos extremamente competentes". Novello esta' lancando o livro "Do
Big Bang ao Universo Eterno" (Zahar), que resume sua defesa da ideia de
que o Big Bang nao foi o comeco de tudo. Segundo ele, essa interpretacao
esta' conquistando cada vez mais fisicos. Confira a entrevista abaixo. -
A ideia de um universo eterno esta' conquistando os fisicos? Ninguem tem
duvidas de que o Universo esteve muito condensado no passado. O problema
foi a identificacao daquele momento, em que comeca a expansao, como o
comeco de tudo. Sou contra definir o Big Bang como o marco zero. Isso e'
contra a atitude cientifica. Mas o cenario esta' mudando. Entre os
cientistas ha' uma tendencia a aceitar que chegou o momento de ir alem
do Big Bang como o comeco. - Mas, quando jovem, o sr. nao era partidario
do Big Bang como o comeco de tudo? Eu nao era. Era uma questao de
principio. A ciencia e' a tentativa de explicar racionalmente tudo que
existe. Eu sabia muito bem que a ideia de singularidade [a concentracao
de toda a massa do Universo em um unico ponto que teria dado origem a
tudo que se conhece] significava abdicar de fazer ciencia ao longo de
toda a historia do Universo, significava dizer que a ciencia tinha
limite. Eu nao podia aceitar isso. Na minha epoca, havia uma visao
global do que era atividade humana. Havia cadeira de filosofia, de
sociologia, tinhamos contato com o mundo. Existe uma falta de
fundamentos, hoje, do que e' fazer ciencia. Voce' pode ser um tecnico
extremamente competente, mas fora da area tecnica pode ser um ignorante
completo, sem saber o que esta' por tras do que voce' esta' fazendo na
sua area. - Mas aparentemente a maioria dos fisicos ainda discorda do
sr. sobre o Big Bang... Se voce' entrevista cem fisicos, 98 dizem que o
Big Bang e' verdade e dois malucos dizem que nao. E' razoavel que a
midia fique em duvida. Primeiro voce' precisa ver quem sao essas
pessoas. Eu criei a cosmologia no Brasil, tive mais de 50 alunos de
doutorado, voce' precisa ver que nao sou um bobo. Mudancas sao lentas. E
voce' sabe que os cientistas sao extremamente reacionarios. - Ser
minoria nao incomoda? Quando voce' faz ciencia, voce' precisa dialogar
com a natureza, e nao com os seus colegas. Se o seu objetivo e' ganhar
uma bolsa, ganhar fama, ganhar premio, isso nao e' ciencia. Pode ser no
mundo em que a gente vive. Estou pouco me importando com a opiniao dos
outros. Mas isso nao significa isolacionismo, porque publico em revistas
cientificas. - Mas o senhor ja' tem uma carreira estabelecida. Um
doutorando nao deveria se preocupar com os pares? Nao deveria. Se ele
comeca a se preocupar la', vai se preocupar a vida toda. Hoje em dia a
cosmologia virou uma coisa trivial, ridicula, simplesmente saber qual
porcentagem de materia dessa categoria ou daquela tem no Universo. Isso
nao tem interesse nenhum. Quando comeca a entrar nesse estagio, e' o
momento de mudar. - E' possivel fazer com que os cientistas se preocupem
menos com os pares? Ainda nao conseguimos controlar a vaidade. E' um
sistema todo de premiacao, bolsa disso, premio Nobel, tudo valoriza o
individuo. E da' impressao de que, se voce' nao valoriza o individuo,
ele nao vai fazer nada. E o prazer em fazer as coisas? O Garrincha dava
de dez a zero em qualquer um desses caras ai' de hoje em dia. E morreu
com dez mil reis no bolso. Voce' vai dizer que o exemplo que eu estou
dando e' de um maluco, uma pessoa totalmente pirada, uma mentalidade que
nunca saiu dos 12 anos de idade. Tudo bem, e' um exemplo extremo. Mas
mostra que algo se perdeu. - Mas a vaidade sempre existiu, nao? Sim,
claro, sempre existiu. Nem estou dizendo que o sistema, antigamente, era
diferente. O que estou querendo dizer e' que a razao pela qual Newton
fazia aquilo nao tinha nada ver com a razao pela qual um bolsista faz as
coisas hoje em dia. - No caso do Big Bang, ha' expectativa de que alguma
observacao possa dar mais respostas sobre a sua legitimidade como marco
zero? Sim. Ja' foi lancado o satelite Planck. Ele, nos proximos anos,
podera' ajudar a dizer, observacionalmente, se houve uma fase anterior
ao colapso. Existe uma possibilidade de que o Universo esteja se
acelerando. Ela surgiu de uns dez anos para ca'. Isso nao bate com as
previsoes do Big Bang como singularidade, como comeco de tudo. Se o
Universo estiver se acelerando, entao aquilo que sustentou durante mais
de 25 ou 30 anos o Big Bang acabou. ( Fonte: Ricardo Mioto/Folha de SP
)
Ed: CE
UM ZOOLOGICO COSMICO NA GRANDE NUVEM DE MAGALHAES
01/06/2010. Os astronomos observam muitas vezes a Grande Nuvem de
Magalhaes (GNM), uma das galaxias mais proximas da nossa Via Lactea, na
sua procura incessante dos segredos do Universo. Nesta nova imagem
espetacular obtida com o instrumento Wide Field Imager (WFI) no
Observatorio de La Silla da organizacao Observatorio Europeu Austral,
ESO, no Chile, podemos observar uma vasta coletanea de diferentes
objetos e fenomenos numa regiao da GNM, incluindo enormes aglomerados
globulares e ate' os remanescentes deixados por explosoes de supernovas
brilhantes. Esta observacao fascinante fornece dados para uma enorme
variedade de projetos de pesquisa, mostrando a vida e a morte das
estrelas e a evolucao das galaxias. A Grande Nuvem de Magalhaes
encontra-se a apenas 160.000 anos-luz de distancia, isto e', muito
proxima na escala cosmica. Esta proximidade torna-a um alvo importante,
ja' que pode ser estudada com muito mais detalhe do que sistemas mais
distantes. A GNM situa-se na constelacao de Dourado, no ceu austral, ou
seja, muito bem localizada para ser observada a partir dos Observatorios
da ESO, no Chile. E' uma das galaxias que pertence ao Grupo Local, do
qual a Via Lactea faz parte. Embora seja enorme para a escala humana, a
GNM tem menos de um decimo da massa do nosso lar galactico e tem um
comprimento de apenas 14.000 anos-luz, comparado com os quase 100 000
anos-luz da Via Lactea. Os astronomos classificam-na como uma galaxia
ana' irregular. As suas irregularidades, combinadas com a sua barra
central proeminente de estrelas, sugerem que interacoes de mare' com a
Via Lactea e com a sua companheira do Grupo Local, a Pequena Nuvem de
Magalhaes, podem ter distorcido a sua forma de galaxia espiral barrada
classica para a sua atual forma caotica. Os aglomerados globulares sao
coletaneas de centenas de bilhoes de estrelas ligadas entre si pela
gravidade, dispostas em forma mais ou menos esferica, com alguns
anos-luz de diametro. Muitos aglomerados orbitam a Via Lactea e a
maioria deles e' muito velha, com mais de dez bilhoes de anos de idade.
Sao compostos essencialmente por estrelas vermelhas velhas. A GNM tambem
possui aglomerados globulares e um deles e' visivel como um aglomerado
de estrelas de forma oval branca desfocada na parte superior central da
imagem. Trata-se de NGC 1978, um aglomerado globular de grande massa, o
que e' realmente uma coisa pouco comum. Contrariamente 'a maioria dos
outros aglomerados globulares, acredita-se que NGC 1978 tenha apenas 3.5
bilhoes de anos de idade. A presenca de um objeto deste tipo na GNM leva
os astronomos a pensar que esta galaxia tem uma historia mais recente de
formacao estelar ativa do que a nossa propria Via Lactea. Alem de ser
uma regiao vigorosa de nascimento de estrelas, a GNM viu tambem muitas
mortes espetaculares de estrelas, sob a forma de explosoes de supernovas
brilhantes. Na parte superior direita da imagem, o resto de uma tal
supernova pode ser observado, sob a estranha forma de uma nuvem
filamentar chamada de DEM L 190, tambem referida muitas vezes como N 49.
Esta nuvem gigante de gas brilhante e' o remanescente de supernova mais
brilhante da GNM e tem quase 30 anos-luz de comprimento. No centro, onde
a estrela brilhava outrora, encontra-se agora uma estrela de neutrons
com um campo magnetico extremamente forte. Foi apenas em 1979 que
satelites orbitando a Terra detectaram a poderosa explosao de raios gama
emitida por este objeto, chamando a atencao para as propriedades
extremas desta nova classe estelar exotica, criada pelas explosoes de
supernovas. Esta parte da Grande Nuvem de Magalhaes encontra-se tao
cheia de aglomerados estelares e outros objetos, que os astronomos podem
passar carreiras inteiras explorando-a. Com tanta atividade, e' facil
compreender porque e' que os astronomos tem tanta vontade de estudar as
estranhas criaturas deste zoologico celestial. ( Fonte:
http://www.eso.org/public/news/eso1021/ )
Ed: JG
LEVANTAMENTO REVELA MUITOS MILHARES DE BURACOS NEGROS SUPERMASSIVOS
07/06/2010. Uma equipe internacional de cientistas liderados pelo
Professor Distinguido da Universidade Estadual de Pensilvania, Donald
Schneider, tem anunciado a finalizacao de um recenseamento massivo no
qual foram identificados os quasares de uma quarta parte do ceu. O
trabalho da equipe faz parte do Levantamento Digital do Ceu Sloan ou
SDSS, um esforco de pesquisa e descoberta de quase uma decada de duracao
usando um telescopio de 2,5 metros, localizado no Observatorio Apache
Point, no Novo Mexico, nos Estados Unidos. O catalogo completo de
quasares, que e' publicado na edicao de junho de 2010 do jornal
cientifico Astronomical Journal, inclui 105.783 quasares, mais de 96 por
cento dos quais foram descobertos pelo SDSS. ( Fonte:
http://live.psu.edu/story/47076/nw1 )
Ed: JG
EXOPLANETA PEGO EM MOVIMENTO
10/06/2010. Os astronomos conseguiram, pela primeira vez, acompanhar o
movimento de um exoplaneta, na medida em que este se movimentava de um
lado da sua estrela hospedeira para o outro. O exoplaneta tem a menor
orbita alguma vez detectada em exoplanetas observados diretamente em
imagens, situando-se quase tao perto da sua estrela como Saturno esta'
do Sol. Os cientistas pensam que este objeto pode ter se formado de modo
semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar. Como a estrela e'
bastante jovem, esta descoberta mostra que planetas gigantes gasosos
podem formar-se no interior de discos em apenas alguns milhoes de anos,
uma escala de tempo curta em termos cosmicos. Com apenas 12 milhoes de
anos, isto e' menos do que tres milesimas da idade do Sol, a estrela
Beta Pictoris tem 75% mais massa do que a nossa estrela. Localizada a
quase 60 anos-luz de distancia, na direcao da constelacao de Pictor,
este objeto e' um dos exemplos mais conhecidos de uma estrela rodeada
por um disco de poeira e restos de materia. Observacoes anteriores
mostraram uma deformacao do disco, um disco secundario inclinado e
cometas em rota de colisao com a estrela. "Estes eram sinais indiretos,
mas indicativos da presenca de um planeta de grande massa e as nossas
novas observacoes demonstram este fato de forma definitiva", diz a lider
da equipa Anne-Marie Lagrange. "Como a estrela e' muito jovem, os nossos
resultados mostram que planetas gigantes podem formar-se nestes discos
em escalas de tempo tao pequenas como alguns milhares de anos".
Observacoes recentes mostraram que os discos ao redor de estrelas jovens
se dispersam apos alguns milhoes de anos, e que a formacao de planetas
gigantes deve entao acontecer mais depressa daquilo que se julgava com
antecedencia. Beta Pictoris e' a prova mais nitida de que isso e'
efetivamente possivel. A equipe utilizou o instrumento NAOS-CONICA (ou
NACO), montado num dos telescopios de 8.2 metros que compoem o Very
Large Telescope da organizacao Observatorio Europeu Austral, ESO, para
estudar a regiao na vizinhanca imediata de Beta Pictoris em 2003, 2008 e
2009. Em 2003 foi observada uma fonte fraca no interior do disco, mas
nao foi possivel excluir a possibilidade de que se pudesse tratar de uma
estrela de fundo. Em novas imagens tiradas em 2008 e na Primavera de
2009, esta fonte tinha desaparecido! As mais recentes observacoes,
obtidas no Outono de 2009, revelaram o objeto do outro lado do disco,
depois de um periodo em que este deve ter ficado oculto ou por tras ou
pela frente da estrela (neste ultimo caso o objeto encontrar-se-ia
oculto no meio do brilho da estrela). Estas observacoes confirmaram que
esta fonte e' efetivamente um exoplaneta em orbita 'a sua estrela
hospedeira. As observacoes forneceram igualmente informacoes sobre o
tamanho e o tipo de orbita descrita ao redor da estrela. Dispomos de
imagens de, aproximadamente, dez exoplanetas, sendo que o que se
encontra ao redor de Beta Pictoris (designado por "Beta Pictoris b")
apresenta a menor orbita conhecida ate' agora. Encontra-se localizado a
uma distancia da estrela de 8 a 15 Unidades Astronomicas (UA) - uma UA
e' a distancia que media entre a Terra do Sol - o que corresponde mais
ou menos 'a distancia de Saturno ao Sol. "O curto periodo do planeta tem
nos permitido observar uma orbita completa em de 15 a 20 anos, e estudos
mais detalhados de Beta Pictoris b irao fornecer importantes informacoes
sobre a fisica e quimica da atmosfera de um planeta gigante jovem", diz
o estudante de pesquisa Mickael Bonnefoy. O exoplaneta tem uma massa de
quase nove vezes a massa de Jupiter, dispondo igualmente da massa e
localizacao certas para explicar a deformacao observada no interior do
disco. Esta descoberta apresenta alguma semelhanca com a predicao da
existencia de Netuno pelos astronomos Adams e Le Verrier no seculo XIX,
baseada em observacoes da orbita de Urano. "Junto dos planetas
descobertos ao redor das estrelas jovens de grande massa Fomalhaut e
HR8799, a existencia de Beta Pictoris b sugere que os super-Jupiters
podem bem ser frequentes produtos derivados da formacao planetaria feita
ao redor de estrelas de grande massa", explica Gael Chauvin, membro da
equipe. Tais planetas perturbam os discos que se encontram ao redor das
estrelas, criando estruturas que deverao ser facilmente observadas com o
Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), o telescopio
revolucionario que se encontra em construcao pela ESO em conjunto com
parceiros internacionais. Obtiveram-se mais algumas imagens de outros
candidatos a exoplanetas, mas todos eles se situam mais afastados da sua
estrela hospedeira do que Beta Pictoris b. Se estivessem localizados no
Sistema Solar, estariam todos proximo ou mesmo alem da orbita do planeta
mais afastado do Sol, Netuno. Os processos de formacao destes planetas
gigantes sao provavelmente muito diferentes dos do Sistema Solar e de
Beta Pictoris. "As imagens diretas recentes de exoplanetas - muitas
obtidas pelo VLT - ilustram bem a diversidade dos sistemas planetarios",
diz Lagrange. "Entre todos eles, o caso de Beta Pictoris b e' o mais
promissor no sentido de poder ser um planeta que se formou de modo muito
semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar." ( Fonte:
http://www.eso.org/public/news/eso1024/ )
Ed: JG
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EVENTOS
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01/04/2010 a 10/06/2010 - Projeto Eratostenes Brasil: Que tal medir,
com sua escola (ou clube de astronomia) e com muitas outras do Brasil (e
de outros paises), o raio da Terra, de modo semelhante ao que
Eratostenes fez ha' uns dois mil e trezentos anos atras? Em 2010,
convidamos todas as escolas brasileiras e seus alunos de Ensino Medio,
bem como clubes de astronomia, observatorios e planetarios, a
participarem do Projeto Eratostenes Brasil, cujas atividades
reproduzirao este experimento de maneira interdisciplinar. Ha' alguns
anos, o Projeto tem sido coordenado pelo Departamento de Fisica da
Faculdade de Ciencias Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires
(Argentina), do Laboratorio Pierre Auger, Universidade Tecnologica
Nacional, Regional Mendoza (Argentina) e da Associacao Fisica Argentina.
O Brasil comeca a participar do Projeto em 2010, sendo divulgado pela
OBA, apoiado pelo Observatorio Didatico Astronomico da UNESP/Bauru e
vinculado ao Programa Casa da Ciencia, da UFMS (Campo Grande), onde
esta' locada a coordenacao nacional do Projeto. Para participar, as
instituicoes devem se registrar na homepage oficial do Projeto de 01 de
abril a 10 de junho de 2010: http://df.uba.ar (clicar na figura do globo
terrestre envolvido por uma fita metrica; depois, clicar na bandeira do
Brasil para a versao do Projeto em portugues). Apos a inscricao, as
instituicoes que desejarem poderao participar de um grupo de discussoes
do Yahoo, enviando um pedido de inclusao para:
projeto_erato2010-subscribe@yahoogrupos.com.br Noite de observacao Na
noite de 21 de maio de 2010, ao lado do Estadio Morenao (UFMS), a equipe
da coordenacao nacional do Projeto realizara' um evento publico gratuito
de observacao do ceu com telescopios, atividades didaticas e exibicao de
documentarios em telao, para lancar oficialmente o Projeto Eratostenes
Brasil. ( Fonte: Rodolfo Langhi/UFMS )
Ed: CE
17/06/2010 a 23/06/2010 - 2ª Semana da Arqueoastronomia em
Florianopolis: Pela segunda vez as associacoes de astronomia em
Florianopolis promovem atividades relacionadas 'a Semana Municipal da
Arqueoastronomia. Aos 21 de novembro de 2006 a Prefeitura de
Florianopolis, atraves da Lei n° 7202/2006, instituiu esta Semana cujos
objetivos basicos sao "palestras, cursos e outras atividades que
ressaltem a importancia da Arqueoastronomia em escolas, parques e
unidades de saude." A partir de 1988 o entao pescador Adnir Ramos
observou o nascer do Sol num dos alinhamentos de rochas no Costao da
Barra da Lagoa em Florianopolis. Na mesma area existem arte rupestre e
vestigios arqueologicos. Com o tempo, outros alinhamentos relacionados
com solsticios e equinocios foram descobertos, levantando questoes
importantes e ainda nao respondidas plenamente. Atraves das palestras,
cursos e outras atividades, a Semana da Arqueoastronomia mantem acesa a
chama da pesquisa nesta area do conhecimento. Ligada 'a Arqueoastronomia
temos tambem a Etnoastronomia e a Astroarqueologia. E durante o periodo
de 17 a 23 de junho de 2010 estes conceitos serao abordados atraves de
atividades. Para saber os detalhes de cada atividade programada,
recomendamos visitar o site oficial da 2ª Semana Municipal da
Arqueoastronomia: http://costeira1.astrodatabase.net/imma/semana2010.htm
( Fonte: Alexandre Amorim )
Ed: CE
07/09/2010 a 12/09/2010 - 35ª Reuniao Anual da SAB: a reuniao sera' no
Hotel Recanto das Hortensias, em Passa Quatro (MG), de 7 a 12 de
setembro. A data limite para inscricao e submissao de trabalhos sera' 10
de abril. Mais informacoes sobre a reuniao estarao disponiveis a partir
de 1º de marco, data a partir da qual as inscricoes poderao ser feitas,
no site: http://www.sab-astro.org.br/sab35/index.htm A Reuniao Anual da
SAB e' considerada uma oportunidade unica para os membros da sociedade
divulgarem e discutirem seus trabalhos diante de uma audiencia
multidisciplinar, que cobre todas as areas de pesquisa em astronomia no
Brasil. Segundo informe do Boletim da SAB, a cidade de Passa Quatro ja'
recebeu o evento em duas outras oportunidades. A cidade fica situada no
sudeste de Minas Gerais, a 248 km de Sao Paulo e 260 km do Rio de
Janeiro, a 50 km da Via Dutra, na altura de Cachoeira Paulista. ( Fonte:
JC )
Ed: CE
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Supernovas - Boletim Brasileiro de Astronomia, e' uma publicacao
semanal em forma de boletim eletronico, via e-mail, estruturado em
diferentes Editorias e elaborado pela comunidade astronomica
profissional e amadora brasileira com o objetivo de ampliar a divulgacao
de informacoes sobre a Astronomia no Brasil e no mundo. Semanalmente,
ele e' enviado a aproximadamente 10000 interessados.
Informacoes gerais sobre Astronomia e Ciencias afins podem ser
encontradas no site do Boletim na Internet, no endereco:
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nenhuma informacao no corpo desses e-mails.
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grafica das edicoes sao omitidas.
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