Notícia
BSN edição 561 (15/04/2010 a 22/04/2010)
sessão ASTRONOMIA NO MUNDO
ARIANESPACE – 30 ANOS DE SUCESSO
12/04/2010


Primeira empresa comercial de transporte espacial do mundo completa 30 anos


Desde o início da exploração espacial, na década de 1950, poucos nomes foram capazes de acumular um legado e se tornarem referência mundial no setor como o "Ariane". Foi a partir desse nome, bastante tradicional na área espacial, que surgiu a Arianespace, empresa líder em lançamentos espaciais, e que está comemorando 30 anos.

A companhia foi criada em 26 de março de 1980, como a primeira empresa comercial de transporte espacial do mundo, alguns meses após o voo de estréia do lançador europeu Ariane 1, executado a partir de Kourou, na Guiana Francesa, na véspera do Natal de 1979.

Um pouco de história

O Ariane 1 deu início ao legado do Ariane como referência em matéria de lançadores para a indústria espacial. Seu primeiro voo ocorreu em dezembro de 1979 e, ao longo de sua carreira, 11 missões foram realizadas, colocando em órbita 14 satélites. A sua capacidade de inserção em órbita de transferência geoestacionária (GTO, sigla em inglês) era de 1.800 kg.

Em agosto de 1984, o Ariane 3, versão mais capaz da família, com capacidade para órbita GTO de 2.700 kg, foi lançado. A exemplo de seu irmão mais velho, o Ariane 3 também executou 11 missões, transportando 19 cargas úteis ao espaço. Em maio de 1986, estreou o Ariane 2, de configuração similar a do Ariane 3, com a diferença de que não contava com dois propulsores adicionais junto ao corpo principal do foguete. Não contando com os dois boosters, o Ariane 2 tinha capacidade de inserção em órbita GTO um pouco inferior, de cerca de 2.200 kg. Foram realizados seis voos, lançando-se ao espaço cinco satélites.

Entre 1988 e 2003, o "carro-chefe" da Arianespace foi o Ariane 4, que em suas seis diferentes versões, era capaz de lançar cargas de 2.000 a 4.900 kg. Foram ao todo 116 voos que, somados, lançaram 182 satélites e sondas, totalizando mais de 400 toneladas. Foi com esse modelo que a companhia passou a executar lançamentos de dois satélites geoestacionários por um único foguete, diferencial técnico bastante apreciado pelo mercado.

Mesmo antes do início da operação do Ariane 4, a comunidade espacial europeia já aprovava, no final de 1987, o desenvolvimento de um novo foguete, mais moderno e capaz, o Ariane 5. Apesar da falha em seu teste inicial, o lançador tem comprovado sua alta confiabilidade, acumulando desde dezembro 2002, 35 missões consecutivas bem-sucedidas. Dentre as grandes inovações da série 5 frente aos seus antecessores, destaca-se a propulsão, chamada criogênica, que tem como combustíveis oxigênio e hidrogênio líquidos.

Em suas duas versões (ECA, geralmente para missões geoestacionárias, e ES, para lançamentos de órbita baixa),o Ariane 5 possui capacidades de satelitização de até 20 toneladas para órbitas baixas e 10 toneladas em perfil GTO.

Ao longo de sua história, a Arianespace assinou mais de 300 contratos para o lançamento de cargas ao espaço, tendo até a presente data colocado em órbita quase 280 satélites para mais de 70 clientes governamentais, militares e comerciais. Mais da metade dos satélites comerciais atualmente em órbita foram lançados por foguetes da Arianespace.

Pode-se dizer que a Arianespace é um dos maiores símbolos da integração entre os países europeus, iniciada após o término da Segunda Guerra Mundial. São 24 acionistas que representam entidades governamentais e empresas integrantes do time industrial da Ariane, de dez diferentes países: Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Holanda, Suécia e Suíça. A Agência Espacial Francesa (CNES) e a EADS Astrium (França, Alemanha e Espanha) são as atuais controladoras da companhia, detendo, respectivamente, participações de 34% e 30%, no capital.



[Comparativo entre os Arianespace 1, 2 e 3. (Imagem: Arianespace)] [Bela imagem do lançamento de um Ariane 4, na versão 40 - Voo 75. (Foto: Arianespace)] [Plataforma ELA-1, de onde foram realizados os lançamentos dos Ariane 1, 2 e 3. (Foto: Arianespace)] [Lançador Ariane 5. (Foto: Arianespace)]



Momento atual

Em 2010, a Arianespace espera realizar as estreias, a partir de Kourou, de seus dois novos lançadores, o Soyuz ST e o Vega, complementares ao Ariane 5, previstas para o segundo semestre.

Quando plenamente operacional, a família de lançadores da Arianespace terá integrantes focados em diferentes nichos do mercado: o já consolidado Ariane 5, para lançamento de cargas úteis de grande porte tanto em missões de órbita baixa como de transferência geoestacionária, o de médio-porte Soyuz ST e o de pequeno-porte Vega, fazendo jus ao mote adotado pela companhia, de lançar cargas úteis de "qualquer massa, para qualquer órbita... e a qualquer momento."

Assim como Ariane, Soyuz também é nome tradicional no setor espacial. Trata-se do foguete mais testado do mundo, já tendo sido realizados cerca de 1.700 lançamentos da família, inclusive centenas de missões tripuladas. Sua operação a partir de Kourou, numa versão mais moderna, a ST, foi objeto de um acordo intergovernamental celebrado entre a França e a Rússia em novembro de 2003.

A parceria entre a Europa Ocidental e a Rússia relacionada ao lançador Soyuz é, no entanto, bem anterior a 2003. Em 1996, a Arianespace, a EADS Astrium, a Agência Espacial Russa e o Centro Espacial Samara criaram a Starsem, empresa responsável pela realização de missões espaciais do Soyuz, a partir de Baikonur, no Cazaquistão.

O foguete Vega, por sua vez, sigla de Vettore Europeo di Generazione Avanzata (Vetor Europeu de Geração Avançada), representa o mais importante passo dado pela Itália na área de lançadores, responsável por cerca de 65% de todo o projeto, iniciado em 1998 pelas agências espaciais da Itália (ASI) e Europa. O Vega é um lançador de quatro estágios (os três primeiros de combustível sólido e o último líquido), com capacidade de inserir cargas úteis de até 1.500 kg em órbitas circulares a 700 quilômetros de altitude.



[Concepção artística do Soyus ST sendo operado de Kourou. (Imagem: ESA)] [Concepção artística do foguete Vega. (Imagem: Arianespace)]



Brasil

O Brasil também faz parte da história da Arianespace ao longo desses 30 anos, e em diferentes aspectos. Pelo lado comercial, a companhia europeia foi responsável pelo lançamento, com sucesso, de todos os satélites de comunicações da Embratel, desde o seu período como estatal até o momento atual, privatizada e com novo nome, Star One. Foram ao todo oito satélites, sendo os dois Brasilsat da primeira geração (A1 e A2), quatro da segunda (B1, B2, B3 e B4), e os dois mais recentes, Star One C1 e C2. Embora não divulgado oficialmente, em dezembro de 2009, a companhia foi contratada pela telecom brasileira para lançar o terceiro satélite da série Star One, o C3, o que deve ocorrer em 2012.





A relação brasileira com a Arianespace não se restringe apenas ao lado comercial. Dada a proximidade com a base de lançamento de Kourou, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado próximo a Natal (RN), participa desde o final da década de 1970 de missões de rastreio de lançamentos dos foguetes Ariane e, futuramente, pode também participar dos lançamentos dos foguetes Soyuz ST e Vega. Para as missões de rastreio, o CLBI utiliza o radar Bearn, de origem francesa.

A parceria foi iniciada em 1977, com a assinatura de um acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), tendo sido renovado em outubro de 2004. O acordo expirará em outubro de 2012, mas é bastante provável que seja mais uma vez renovado.

O sucessor

Para dar continuidade ao seu legado no setor espacial, a comunidade espacial europeia, capitaneada pela ESA, já discute o desenvolvimento de um novo lançador, sucessor do Ariane 5, e comumente chamado de Ariane 6.

A ESA, em parceria com a CNES, já iniciou estudos de conceitos para o novo lançador, dentro do chamado Programa Preparatório do Futuro Lançador (Future Launcher Preparatory Program - FLPP). Segundo declarações de autoridades da ESA no início de 2010, a ideia é apresentar em 2011 uma proposta firme nesse sentido numa reunião ministerial dos membros da ESA.

Acredita-se que o Ariane 6 teria um conceito modular, que lhe possibilitaria o lançamento em perfil GTO de cargas úteis de 3 a 7 toneladas. Se este caminho for de fato seguido, haveria uma mudança no conceito adotado nas últimas versões do Ariane, de lançamentos de duas cargas úteis, para lançamentos individuais, a exemplo de seus competidores (Zenit 3SL e Proton, apenas para citar dois exemplos). O desenvolvimento do novo lançador tem custo estimado de 3,5 a 8 bilhões de euros.
( Fonte: André M. Mileski, Tecnologia & Defesa )


Data de publicação no Boletim: 12/04/2010
Editor(a) responsável: Carlos Eduardo Contato (CE), Boletim Supernovas

Citação bibliográfica (ABNT):
ARIANESPACE – 30 ANOS DE SUCESSO. Fonte original: André M. Mileski, Tecnologia & Defesa. Boletim Supernovas: Boletim Brasileiro de Astronomia, ed. 561, Abr. 2010. Disponível em: < http://www.boletimsupernovas.com.br/edicao/561/noticia/2937/BSN_arianespace-–-30-anos-de-sucesso.htm >. Acesso em: 18 Mai. 2012.

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