Quase 50 anos depois de a astronauta russa Valentina Tereskova ter se tornado a pioneira na conquista espacial, o número de mulheres simultaneamente no espaço alcança, esta semana, o recorde de quatro. Pelos próximos dias, elas ainda serão menos que os homens a bordo da Estação Espacial Internacional, nove, mas a situação hoje é bem mais equilibrada.
Numa das últimas viagens do ônibus espacial Discovery, a Nasa enviou ontem ao espaço três mulheres - e outros quatro astronautas do sexo masculino - que, na quarta-feira (7/4), se juntarão a uma colega que chegou à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) no último domingo, com mais dois homens, a bordo da cápsula russa Soyuz. Estão lá também, os três integrantes da missão anterior da Soyuz, que se preparam para voltar à Terra, num total de 13 pessoas.
Mas é o fato de haver um número recorde de mulheres no laboratório que está chamando atenção.
- Adoraria que esse número fosse ainda mais alto - afirmou a astronauta americana Stephanie Wilson, de 43 anos, em sua terceira missão ao espaço, uma das mulheres que embarcaram ontem rumo à estação. - Mas acho que é um grande começo e que abrimos o caminho para que, hoje, as mulheres sejam capazes de realizar as mesmas tarefas que os homens num vôo espacial
Uma negra, duas loiras e uma oriental
O fato de haver um número recorde de quatro mulheres no espaço simultaneamente não tinha sido notado pela agência espacial dos EUA. A questão acabou sendo levantada por um jornalista, segundo informou o "Independent".
- Talvez esse seja um ponto positivo do sistema que não pensa em termos de masculino e feminino - afirmou, em entrevista ao jornal britânico, o chefe de operações da Nasa, Bill Gerstenmaier. - Penso neles como um grupo de profissionais capacitados para fazer seu trabalho.
Entre as mulheres que trabalharão juntas na estação espacial esta semana estão, além de Wilson, a americana Dorothy Metcalf-Lindenburger, e a japonesa Naoko Yamazaki - as três a bordo do Discovery. Já a também astronauta americana Tracy Caldwell Dyson, viajou a bordo da Soyuz, com outros dois colegas russos. Na estação já estavam outros três astronautas, um japonês, um americano e um russo, que retornam à Terra na próxima semana. No total, 13 pessoas - quatro delas do sexo feminino.
Além do recorde no número de mulheres, destaca-se a diversidade étnica do grupo. Stephanie Wilson, de 43 anos, é uma das poucas astronautas negras em todo o mundo e a segunda negra a ser enviada ao espaço.
Engenheira formada em Harvard, ela trabalha na Nasa desde 1992, mas só se tornou astronauta quatro anos depois. Nesta missão, a sua terceira, ela será responsável pela operação do braço robótico: - Temos muito trabalho a fazer, encorajando jovens em geral e negras a tentarem este tipo de trabalho.
A engenheira japonesa Naoko Yamazaki, de 39 anos, é a segunda mulher de seu país a ir ao espaço. Naoko integra o programa espacial japonês desde 1996, mas esta é sua primeira missão espacial. Ela será responsável por operar uma van que está sendo levada à estação a bordo do Discovery junto com macarrão noodles e curry japonês, que Naoko está levando para o colega de mesma nacionalidade que se encontra na estação, o astronauta-fotógrafo Soichi Noguchi.
Mas não é só na profissão que ela se diferencia da maioria das japonesas. Seu marido, Taichi, abandonou o trabalho de controlador de voo para acompanhar a carreira da mulher e se dedicar à criação da filha do casal, de 7 anos.
A terceira mulher no Discovery é a ex-professora de ciência do ensino médio Dorothy Metcalf-Lindenburger, de 34 anos, que entrou na Nasa em 2004, através do programa para educadores. Este é seu primeiro voo ao espaço. Ela ajudará a operar o braço robótico e coordenará, de dentro da estação, as três caminhadas espaciais.
A americana Tracy, que viajou com os russos, é química de formação.