Notícia
BSN edição 559 (01/04/2010 a 08/04/2010)
sessão ASTRONOMIA NO MUNDO
FÁBRICAS DE ESTRELAS NO UNIVERSO LONGÍNQUO
21/03/2010


Pela primeira vez, os astrônomos mediram diretamente o tamanho e o brilho de regiões de formação estelar numa galáxia muito distante, graças a uma descoberta inesperada do telescópio APEX. A galáxia encontra-se tão distante, e a sua luz demorou tanto tempo a chegar até nós, que a vemos tal como era há 10 bilhões de anos. Uma "lente gravitacional" cósmica está a amplificar a galáxia, dando-nos assim uma vista de perto, a qual seria totalmente impossível de obter de outro modo. Esta descoberta inesperada revela formação estelar vigorosa e agitada nas galáxias do Universo primitivo, com regiões de formação estelar trabalhando cem vezes mais depressa do que nas galáxias mais recentes. Este trabalho é publicado online na revista Nature.

Observando um aglomerado de galáxias de grande massa com o telescópio Atacama Pathfinder Experiment, APEX, nos comprimentos de onda do submilímetro, os astrônomos descobriram uma nova galáxia muito brilhante, mais distante que o aglomerado, sendo esta a galáxia longínqua mais brilhante alguma vez observada no submilímetro. É extremamente brilhante porque os grãos de poeira cósmica na galáxia brilham ao serem aquecidos por radiação estelar. A nova galáxia foi batizada com o nome de SMM J2135-0102.

"Ficamos muito surpreendidos ao descobrir um objeto extremamente brilhante que não se encontrava na posição esperada. Rapidamente compreendemos que se tratava de uma galáxia previamente desconhecida que se encontrava muito mais distante, porém estava amplificada pelo aglomerado de galáxias mais próximo de nós", diz Carlos De Breuck do ESO, membro da equipe. De Breuck estava observando no telescópio APEX no planalto do Chajnantor, nos Andes Chilenos, a uma altitude de 5000 metros.

A nova galáxia SMM J2135-0102 é muito brilhante devido ao aglomerado de galáxias de grande massa que se encontra em frente a este objeto. A enorme massa do aglomerado curva a luz que vem da galáxia mais distante, atuando como uma lente gravitacional. Tal como acontece com um telescópio, esta lente gravitacional amplifica e torna mais luminosa a imagem da galáxia longínqua. Graças ao alinhamento fortuito entre o aglomerado e a galáxia longínqua, esta última é muito amplificada, de um fator de 32.
( Fonte: http://www.eso.org/public/news/eso1012/ )


Data de publicação no Boletim: 03/04/2010
Editor(a) responsável: Jaime Garcia (JG), Boletim Supernovas

Citação bibliográfica (ABNT):
FÁBRICAS DE ESTRELAS NO UNIVERSO LONGÍNQUO. Fonte original: http://www.eso.org/public/news/eso1012/. Boletim Supernovas: Boletim Brasileiro de Astronomia, ed. 559, Abr. 2010. Disponível em: < http://www.boletimsupernovas.com.br/edicao/559/noticia/2923/BSN_fabricas-de-estrelas-no-universo-longinquo.htm >. Acesso em: 10 Fev. 2012.

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