Edição 553 na integra:
SUPERNOVAS - BOLETIM BRASILEIRO DE ASTRONOMIA -
http://www.boletimsupernovas.com.br/
Quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 - Edicao No. 553
Indice:
_ O SOL COMO ESTRELA VARIAVEL
_ OS AVANCOS NAO FORAM POUCOS
_ SUSTENTABILIDADE ESPACIAL EM DEBATE NO COPUOS
_ FRAGILIDADES DO PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO: ESTUDO
_ CRIADA A AGENCIA BOLIVIANA ESPACIAL
_ PROXIMIDADE INEDITA
_ MISSAO WISE REVELA UMA BELA MISTURA DE PRIMEIRAS IMAGENS
_ DESCOBERTAS ESTRELAS PRIMITIVAS SUMIDAS FORA DA VIA LACTEA
_ DESCOBERTO O EXOPLANETA MAIS NOVO
_ REVELADA A ORIGEM DAS EXPLOSOES COSMICAS FUNDAMENTAIS
_ EVENTOS
_ EFEMERIDES
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ATRAVES DA OCULAR
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O SOL COMO ESTRELA VARIAVEL
05/02/2010. Nos ultimos anos, uma ideia pouco ortodoxa vem ganhando
adeptos entre os astronomos. Uma ideia que contradiz os velhos
ensinamentos e perturba os observadores e, especialmente, os
climatologistas. "O Sol", diz Lika Guhathakurta da sede da NASA em
Washington, DC, "e' uma estrela variavel". Mas ela parece tao
constante... Isso e' so' uma limitacao do olho humano. Os telescopios
modernos e espaciais tem penetrado o brilho do Sol e descobriram um
turbilhao de caos imprevisivel. Os destelhos solares explodem com a
forca de bilhoes de bombas atomicas. As nuvens de gas magnetizado, mais
precisamente as ejecoes de massa coronal (CMEs) sao grandes o suficiente
para engolir planetas, ou afasta-los do cenario estelar. Buracos na
atmosfera do Sol enviam rajadas de vento solar com velocidades de varios
milhoes de quilometros por hora. E essas sao coisas que podem acontecer
em apenas um dia. Por longos periodos de decadas ou seculos a atividade
solar aumenta e diminui com um ritmo complexo que os pesquisadores
continuam a classificar. O mais famoso "batimento" e' o ciclo de onze
anos das manchas solares, que e' descrito em muitos textos como um
processo regular de relojoaria. De fato, ele parece ter uma mente
propria. "Eles nao sao mesmo 11 anos", diz Guhathakurtha. "Os intervalos
de duracao do ciclo sao entre 9 e 12 anos. Alguns ciclos sao intensos,
com muitas manchas solares e destelhos, alguns sao suaves com
relativamente pouca atividade solar. No seculo 17, durante um periodo
chamado de 'minimo de Maunder', o ciclo pareceu parar completamente por
cerca de 70 anos e ninguem sabe por que'". Nao e' preciso ir tao longe
no tempo, no entanto, para um exemplo da imprevisibilidade do ciclo.
Neste momento o Sol esta' saindo de um minimo solar de quase um seculo
que quase ninguem antecipou. "A profundidade do minimo solar em
2008-2009 realmente nos pegou de surpresa", diz o especialista em
manchas David Hathaway do Marshall Space Flight Center em Huntsville,
Alabama. "Isso mostra o quanto ainda temos a caminhar para que possamos
prever o sucesso da atividade solar". Isso e' um problema, porque a
sociedade humana e' cada vez mais vulneravel aos picos de explosoes
solares. A civilizacao moderna depende de uma rede interligada de
sistemas de alta tecnologia para as tarefas basicas da vida diaria. As
redes de energia inteligente, a navegacao GPS, o transporte aereo, os
servicos financeiros, as comunicacoes de radio de emergencia, podem ser
retirado de servico pela intensa atividade solar. De acordo com um
estudo em 2008 pela Academia Nacional das Ciencias, uma tempestade solar
pode causar danos economicos vinte vezes maiores do que o que causou o
furacao Katrina. "Compreender a variabilidade solar e' fundamental", diz
o cientista espacial Judith Lean, Naval Research Laboratory, em
Washington, DC. "Nosso estilo de vida moderno depende dele". O Solar
Dynamics Observatory (SDO), que foi lancado em 11 de fevereiro de 2010,
a partir do Centro Espacial Kennedy, na Florida, foi concebido para
estudar a variabilidade solar. Diferente de qualquer outra missao na
historia da NASA, ele vai observar o Sol mais rapido, mais profundo e em
maior detalhe que os observatorios anteriores, quebrando as barreiras da
escala de tempo e clareza que ate' agora tem bloqueado o progresso da
fisica solar. Guhathakurta acredita que "SDO ira' revolucionar a nossa
visao do Sol". ( Fonte:
http://science.nasa.gov/headlines/y2010/05feb_sdo.htm )
Ed: JG
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ASTRONOMIA NO BRASIL
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OS AVANCOS NAO FORAM POUCOS
12/02/2010. O presidente da Agencia Espacial Brasileira fala 'a
Tecnologia & Defesa Criada pela Lei nº 8.854, de 10 de fevereiro de
1994, a Agencia Espacial Brasileira (AEB) e' uma autarquia civil
vinculada ao Ministerio da Ciencia e Tecnologia (MCT), responsavel pela
formulacao e coordenacao da Politica Nacional de Desenvolvimento das
Atividades Espaciais, promovendo, inclusive, o Programa Nacional de
Atividades Espaciais (PNAE), o qual tem suas atividades levadas a efeito
por outras instituicoes. Desde marco de 2008, a presidencia da AEB e'
ocupada por Carlos Ganem, economista, advogado e administrador de
empresas, com MBA pela COPPEAD/UFRJ. Antes de assumir a seu atual cargo,
Ganem ocupou posicoes executivas em diversas empresas publicas e
privadas como a Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP/MCT, onde
ingressou em 1982 passando por diversas funcoes ate' chegar a
superintendente de Articulacao Institucional. Sua experiencia e'
bastante expressiva, tendo trabalhado ainda como consultor de varias
agencias internacionais como BID, UNIDO, FAO e PNUD em diferentes
oportunidades. Especialista em exportacao de servicos de engenharia,
funcao executada na Interbras-Petrobras Comercio Internacional, foi
tambem dirigente do CEBRAE, entidade de apoio 'as pequenas e medias
empresas, da qual foi o primeiro funcionario e redator de seus
estatutos. Para este Suplemento Espacial sobre os interesses brasileiros
na area espacial, Tecnologia & Defesa convidou o presidente da AEB para
a entrevista a seguir. Tecnologia & Defesa - Quais sao os principais
projetos do Programa Espacial Brasileiro nas areas de satelites e
lancadores? Carlos Ganem - Os principais projetos sao aqueles que
definem o Plano de Acoes de C&T (PACTI) do Ministerio da Ciencia e
Tecnologia (MCT): os satelites CBERS e os baseados na Plataforma
Multimissao (PMM), como por exemplo o Amazonia-1, o Veiculo Lancador de
Satelites (VLS) e a reconstrucao de sua Torre Movel de Integracao (TMI)
e a complementacao da infraestrutura do Centro de Lancamento de
Alcantara (CLA) para inicio da operacao da empresa binacional Alcantara
Cyclone Space (ACS). Alem dos projetos do PACTI/ MCT, entra nesta lista
o Satelite Geoestacionario Brasileiro (SGB). Esses projetos formam a
espinha dorsal do Programa Espacial, seja pela sua importancia
estrategica e dominio tecnologico exigido, seja pela importancia das
parcerias internacionais envolvidas. T&D - O senhor esta' na presidencia
da AEB ha' cerca de dois anos. Que avaliacao faz de sua gestao ate' o
momento? Carlos Ganem - Desde 2008, pude identificar os pontos e
problemas criticos que atrasam e "travam" os projetos prioritarios do
Programa Espacial e buscar solucoes para seu encaminhamento. Assim, por
exemplo, projetos que estavam parados, como o do Satelite
Geoestacionario Brasileiro, foram reativados. Outro projeto que ganhou
novo impulso foi o da Plataforma Multimissao, que tera' seu subsistema
de controle de atitude finalmente desenvolvido gracas ao acordo entre a
AEB e a Comissao Nacional de Atividades Espaciais – Argentina. Da mesma
forma, a AEB deu prioridade 'a continuidade do VLS e propicia a retomada
dos testes de motores, ao mesmo tempo em que os recursos para a
reconstrucao da TMI foram mantidos na conta vinculada 'a Finep respondem
pela execucao da obra no CLA. A complementacao do CLA e a implantacao da
empresa ACS sao prioridades maximas da minha gestao e, nesse contexto,
consideramos que a AEB tem cumprido seu papel de representante do lado
brasileiro do Tratado Brasil-Ucrania, com suas obrigacoes e como
autoridade responsavel, junto com a Agencia Espacial Ucraniana (NSAU) em
busca de solucoes para os problemas que, inevitavelmente, surgem neste
tipo de empreendimento internacional. Fortaleci os lacos com os
institutos executores do programa (INPE/MCT e DCTA/ComAER/MD) e com a
industria nacional, com o entendimento de que o Programa Espacial deve
ser indutor de inovacao, bons negocios e de geracao de empregos de alta
qualificacao tecnica. Nesse sentido, a AEB destacou recursos do seu
orcamento e buscou outros junto aos Fundos Setoriais para estabelecer um
programa vigoroso de formacao e atracao de talentos para o Programa
Espacial, repassando recursos de bolsas ao Conselho Nacional de
Pesquisas (CNPq), para sua efetivacao. T&D - Em 2009, a Missao Espacial
Completa Brasileira (MECB) completou 30 anos com poucos resultados
efetivos. E, de fato, existe a impressao de que nao houve muitos avancos
no setor. Em sua opiniao, quais sao os maiores percalcos e problemas do
programa brasileiro? Carlos Ganem - Os avancos nao foram poucos. Desde a
MECB, no inicio dos anos de 1980, houve os lancamentos do VSB-30 e do
VLS, dos satelites SCD-1 e 2 e dos CBERS 1, 2 e 2B. Hoje, nossa
industria esta' capacitada para projetar e fabricar, praticamente, todos
os subsistemas de satelites, incluindo cameras de media e, logo, de alta
resolucao. Projetos como o do Radar de Abertura Sintetica (SAR)
permitirao que essa competencia instalada se estenda a tecnologias ainda
mais sofisticadas e estrategicas. Logicamente, o ritmo e a velocidade do
avanco podem ser questionados quando comparados aos de outros paises
como a China e a India. Cabe, entao, lembrar que, nestes dois casos, as
motivacoes militares e de prestigio politico internacional prevaleceram
e justificaram o enorme aporte de recursos destinados 'aqueles programas
espaciais. No Brasil, fica cada vez mais claro que um programa espacial
forte e' imprescindivel para que o Pais enfrente os cenarios de mudancas
globais que se aproximam e trarao, certamente, impactos geopoliticos,
socio-economicos e ate' financeiros. Veja o exemplo do projeto CBERS.
Ele propiciou um bom desenvolvimento da industria, com a inclusao de
algumas empresas que antes nao se dedicavam 'a area espacial. Ha',
atualmente, um montante da ordem de R$ 300 milhoes contratados junto 'a
industria nacional. Isso ainda e' pouco, mas ja' supera o orcamento de
2009 da AEB. T&D - A estrutura organizacional do Programa Espacial
Brasileiro, com a AEB como gestora, vinculada ao Ministerio da Ciencia e
Tecnologia, e INPE e DCTA como executores, e' a mais adequada? Ha'
alguns meses, chegou-se a especular sobre a vinculacao da Agencia
diretamente 'a Presidencia da Republica... Carlos Ganem - A questao da
vinculacao da AEB nao e' um problema real. Houve, como venho
esclarecendo sempre, vantagens e desvantagens tanto na Presidencia
quanto em um Ministerio, como o MCT. O essencial, aqui, e' como o Brasil
entende seu proprio programa espacial: uma questao de Estado ou apenas
um acessorio, entre outros programas de governo. Trata-se,
principalmente, de se ter em mente que os maiores paises do mundo,
Estados Unidos, China, India e Russia, se considerarmos sua area,
populacao e PIB, nao por acaso, sao potencias espaciais. O Brasil e' o
quinto desta lista e creio que deve juntar-se aos primeiros no quesito
espacial. T&D - O orcamento federal aprovado para 2010 destina R$ 293
milhoes para a AEB. Estes recursos sao suficientes? Ha' alguns anos,
nota-se um crescimento anual no orcamento do Programa Espacial
Brasileiro, mas os recursos que tem sido destinados atendem todas as
necessidades? Carlos Ganem - Para 2010, faltam R$ 261 milhoes para a
complementacao do CLA e R$ 275 milhoes para integralizacao de capital da
empresa ACS. Dessa forma, o orcamento fica sempre a 1/3 das necessidades
previstas apenas no PNAE e no PAC/C&T. Fica claro, assim, que para esses
projetos em andamento, o valor orcado e' suficiente e compativel com a
capacidade de execucao dos institutos e da industria. Mas nao contempla
novos projetos e acoes. E' como "aceitar" as limitacoes do PNAE e nao
poder prever o futuro. E' certo que o orcamento do Programa Espacial
pode e deve crescer, e isso, em coordenacao com o esforco constante de
aumento da participacao industrial nos projetos e de fortalecimento e
aumento da quantidade de recursos humanos em nossos institutos de
pesquisa, condicoes essenciais para dar suporte 'a demanda do segmento
espacial nos proximos anos. T&D - Sua gestao tem sido marcada pela busca
de novos acordos de cooperacao e o senhor ja' afirmou que seu objetivo
e' firmar tantos quantos forem possiveis, de modo a beneficiar o Pais.
Ao mesmo tempo em que um maior numero de parceiros significa maior leque
de oportunidades, ha' quem veja isso de maneira negativa, por indicar
falta de foco e divisao dos parcos recursos em diferentes atividades. O
que o senhor pensa a respeito? Carlos Ganem - A logica dos acordos
internacionais e' bem simples. Esses acordos abrem inumeras perspectivas
de novos mercados, visto que apenas a demanda nacional nao tem sido
suficiente, ao menos neste momento, para estruturar um setor industrial
sustentavel no Brasil. Aliancas estrategicas com alguns paises podem
trazer beneficios pelo lado da politica internacional possibilitando,
inclusive, desenvolvimento de grandes projetos conjuntos, como ja'
ocorre com o CBERS e a ACS. Em areas de ponta e repercussoes
estrategicas, o sectarismo e o isolamento nao permitem que o Pais possa
esperar solucoes autoctones que compensem o atraso e a perda de papel
protagonista que o Brasil deveria exibir. T&D - Ainda em materia de
cooperacao internacional, os Estados Unidos sempre foram um parceiro
significativo, mas, nos ultimos anos, esta parceria aparenta ter perdido
forcas. Isso de fato aconteceu? Quais sao as suas possibilidades
futuras? Carlos Ganem - De fato, os Estados Unidos afastaram-se do
Brasil no que tange especialmente ao segmento de lancamentos. Em razao
disso, e ate' por considera-lo pais estrategico na area espacial,
dediquei-me a estabelecer contatos e acoes programaticas para a AEB, do
lado brasileiro, e a NASA, a NOAA, a US/GS e o proprio Departamento de
Estado, pelo lado estadunidense. Em decorrencia desse empenho, a nova
versao do Acordo do Quadro de Cooperacao Espacial do Brasil e Estados
Unidos ja' foi encaminhado ao Ministerio das Relacoes Exteriores e
devera' ser concluido logo. Do mesmo modo, em novembro de 2009, a AEB
foi incluida na missao brasileira de cooperacao em Ciencia e Tecnologia
com aquele pais, quando tive oportunidade de encontrar-me com as
autoridades do espaco estadunidenses incluindo o administrador da NASA,
Charles Frank Bolden. A ele foram apresentadas propostas de cooperacao
tal o fornecimento de instrumento para ser embarcado no satelite GPM
(Global Precipitation Measurement) brasileiro. Muito mais que apenas uma
colaboracao cientifica, creio se tratar de um gesto de aproximacao dos
Estados Unidos, ao qual a AEB deve corresponder e fortalecer os lacos.
T&D - Em dezembro de 2008, os governos do Brasil e da Franca firmaram um
acordo estrategico em variadas areas, inclusive a espacial. O senhor
poderia falar um pouco sobre os projetos e possibilidades de cooperacao
entre os dois paises? Carlos Ganem - Antes de tudo e' uma retomada de
relacionamento entre os dois paises e entre a Agencia Espacial Francesa
(CNES) e a AEB. A Franca ha' muito havia se distanciado do Brasil,
aceitando um papel que desmerece a tradicao de cooperacao entre os dois
entes espaciais, restringindo-a a um projeto que se utilizava de baloes
para estudos atmosfericos. Agora, retomou-se o folego por meio de um
acordo quadro que ja' contempla tres frentes: a CNES vai prover suporte
tecnico 'as revisoes de projeto da Plataforma Multimissao e do SGB;
juntamente com o INPE devera' elaborar proposta de projeto conjunto para
o satelite GPM; e um pequeno grupo de estudos conjunto foi formado para
padronizar interfaces e equipamentos para satelites, de forma a
favorecer as industrias espaciais brasileira e europeia. T&D - Como o
senhor avalia a capacidade industrial brasileira na area espacial? Qual
e' a politica da AEB para o desenvolvimento deste setor? Carlos Ganem -
A industria espacial brasileira esta' chegando 'a sua maturidade
tecnologica. Hoje, mesmo desfalcada de alguns icones do setor,
percebe-se avancos em relacao ao inicio da decada de 1980. Nossa
industria fornece praticamente todos os equipamentos do satelite CBERS,
sob responsabilidade brasileira. A respeito da PMM, tao logo se conclua
o subsistema de controle de atitude pela empresa argentina Invap, esta
tecnologia sera' transferida pelo INPE para o setor industrial. O Pais
tera', entao, acesso a todas as tecnologias criticas para sistemas de
satelites. Essa auto-suficiencia tecnologica adquirida pelas empresas
nacionais permitira' um novo impulso no Programa Espacial fazendo a
politica industrial avancar no ciclo espacial. Este ciclo, pelo qual ja'
passaram os paises desenvolvidos, comeca com investimentos publicos em
projetos e infraestrutura espaciais e a industria se apropria da
tecnologia via transferencia por meio de contratos com o governo para
fabricacao de equipamentos e satelites ou foguetes. Uma vez apropriada a
tecnologia, como ocorre agora no Brasil, esse mesmo setor industrial
passa a prestar servicos – e nao apenas vender equipamentos sob
contrato, diretamente aos setores governamentais e privados. Nesse
contexto, todos os contratos governamentais e colaboracoes
internacionais tornam-se instrumentos de politica industrial por
atacarem o lado da oferta, via capacitacao da industria, e da demanda,
via abertura de novos mercados. T&D - Desde o inicio de 2009, o Programa
Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) esta' sendo revisto, num
processo considerado o mais profundo desde 1994. O senhor poderia falar
um pouco sobre a revisao e tambem sobre o que esperar dela? Carlos Ganem
- Este processo, iniciado em junho de 2009, procura construir uma visao
comum, entre governo, academia, setor privado e sociedade, sobre o papel
a ser desempenhado pelo Programa Espacial na estrategia de
desenvolvimento de nosso Pais. Quer responder a perguntas como: o que o
Brasil espera de seu Programa Espacial? Quais devem ser as prioridades
imediatas? Como integrar os projetos do Programa Espacial com os outros
programas de governo? Como tornar a atividade espacial um gerador de
negocios e aumentar a sustentabilidade comercial do setor espacial no
Brasil? Alem disso, ha' outras perguntas igualmente importantes que
devem ser respondidas como: o que os paises que dominam todo o ciclo
espacial fizeram no passado e o Brasil nunca fez? O que esses paises
fazem hoje e o Brasil ainda nao faz? Logicamente, nao quero apenas
replicar essas iniciativas aqui, mas e' preciso ter uma visao muito
clara de acoes e projetos poderao ser inseridos no Programa Espacial
para que ele responda 'as demandas socio-economicas politicas e
tecnologicas do nosso Pais. Para isso, o processo de revisao iniciou-se
com estudos retrospectivos sobre a politica e o Programa espaciais,
seguidos de uma fase prospectiva, que inclui comparacoes com outros
paises e formulacao de cenarios de futuro e elaboracao de uma visao
estrategica – com prioridades e metas que concretizem os macro-objetivos
e diretrizes da Politica Nacional de Desenvolvimento das Atividades
Espaciais (PNDAE), a serem atingidas no curto, medio e longo prazo. Essa
visao devera' ser compartilhada por todos os setores envolvidos na
revisao. Sobre esta visao de futuro comum serao, entao, revistos os
atuais projetos em curso, quanto 'a sua aderencia 'a nova visao e
elaborada a nova carteira de projetos do PNAE, mais flexivel e fluida,
capaz de ser rapidamente redirecionada dependendo de novas prioridades
ou de flutuacoes orcamentarias. Serao, tambem, revistos os procedimentos
de gestao do Programa Espacial e ate' mesmo as competencias criticas e
melhor organizacao interna da AEB para cumprir seu papel de coordenadora
do PNAE e da PNDAE. As palavras-chave sao compartilhamento de visao e
compromisso entre orgaos de governo, sociedade, industria e academia.
Sem isso, nunca o Programa Espacial tera' o status de um programa de
Estado, como ha' muito o vislumbro. T&D - A revisao do PNAE leva em
conta a Estrategia Nacional de Defesa, lancada pelo governo federal no
final de 2008? Qual deve ser a relacao entre os dois documentos? Carlos
Ganem - Certamente a END e' um insumo importantissimo para a revisao do
Programa Espacial. Na verdade trata-se de uma realimentacao, visto que a
END, na sua elaboracao, utilizou-se e deu importancia a algumas metas e
objetivos do PNAE que, em sua revisao, retomara' os grandes objetivos da
END. Observe, entretanto, que a tendencia de se colocar "Espaco" em
"Defesa", remete a questao a um "simplismo" exasperante ja' que aquele
e' maior, mais abrangente, conectado com os designios e providencias da
sociedade. Complementarmente, o Programa Espacial Brasileiro e'
pacifico, civil e devera' ser assim compreendido e apoiado no plano
interno do Estado e no ambito das acoes internacionais pacificas e
promotoras do desenvolvimento cientifico-tecnologico, gerador de
inovacoes. T&D - Dentro dessa relacao entre Espaco e Defesa, o senhor
poderia falar um pouco sobre os projetos Sentinela e Satelite
Geoestacionario Brasileiro, que tambem terao aplicacoes militares? Em
que estagios se encontram? Carlos Ganem - Vou reiterar que nao ha'
distincao entre tecnologia civil ou de Defesa mas, sim, entre suas
aplicacoes. O projeto Sentinela ainda esta' um sua fase de
pre-concepcao, aguardando que seus requisitos de missao e de desempenho
sejam revisados e definidos. E' um trabalho conjunto entre AEB,
industria e MD, que tera', em breve, participacao do INPE. O SGB entrou
em sua fase de estudos preliminares, de carater tecnico, juridico,
economico e comercial, em vista de elaboracao de um edital de Parceria
Publico-Privada. Caso os estudos concluam pela sua viabilidade, eles
serao submetidos 'as instancias decisorias do governo para lancamento do
edital, o que ocorrera', possivelmente, em 2011. ( Fonte: Andre Mileski,
Revista Tecnologia & Defesa )
Ed: CE
SUSTENTABILIDADE ESPACIAL EM DEBATE NO COPUOS
12/02/2010. A 47ª Sessao do Subcomite' Cientifico e Tecnico do Comite'
para Usos Pacificos do Espaco Externo (Copuos, sigla em ingles) acontece
ate' o dia 19 de fevereiro, em Viena (Austria). O Brasil participa do
evento apresentando o resumo das atividades do ano passado e, tambem,
acompanhando o resultado dos outros paises membros do comite'. O diretor
de Politica Espacial e Investimentos Estrategicos da Agencia Espacial
Brasileira (AEB), Himilcon Carvalho, representa a agencia. "E'
importante participar do Copuos porque, alem da troca de informacoes e
contatos com outras agencias, o comite' envolve assuntos que podem ter
impacto em nosso programa espacial", diz. Este ano, as novidades do
comite' cientifico e tecnico serao as discussoes em torno das discussoes
sobre o clima espacial - estudo das relacoes entre o Sol e a Terra. O
espaco interplanetario, o campo magnetico terrestre (Magnetosfera) e a
natureza da atmosfera interferem no clima e, por isso, e' importante que
haja estudo e controle do que acontece no espaco. Outro ponto novo a ser
abordado sera' a sustentabilidade a longo prazo das atividades no espaco
exterior. Desde o inicio da atividade espacial mundial, nao houve
cuidado com o lixo deixado no espaco. Atualmente, ha' uma quantidade
enorme de satelites fora de funcionamento e pedacos de foguetes em
orbita. "Para que a atividade espacial continue, e' necessario que
tomemos cuidado", observa Himilcon Carvalho. Segundo ele, a grande
quantidade de lixo no espaco pode causar acidentes, fazer com que nao
haja lugar para que novos satelites sejam colocados em orbita, fator que
influenciara' o clima espacial. Sera' discutida, tambem, a criacao de
uma coordenacao internacional para cuidar da movimentacao da orbita
geoestacionaria – onde ficam os satelites artificiais de comunicacoes e
grande parte dos de meteorologia. "A Aeronautica tem um sistema que faz
com que nao haja acidentes com os avioes. No espaco deveria existir algo
semelhante E' necessario que quando um satelite for colocado ou movido
no espaco todos saibam. Isso fara' com que acidentes sejam evitados que
saibamos o que podemos esperar dessa movimentacao.", esclarece Himilcon
Carvalho. Tratados - O Copuos, orgao da Organizacao das Nacoes Unidas
(ONU), foi criado em 1959 com o objetivo principal de regulamentar os
tratados na area espacial. Considerado o mais alto forum
intergovernamental para o exame, a avaliacao e a regulamentacao das
atividades espaciais para fins pacificos, o orgao possui dois subcomites
– o cientifico e tecnico e o juridico – e uma reuniao plenaria, que
sera' realizada, em junho, na Austria. Dos 192 paises que integram a
ONU, 69 participam do Copous. Os cinco tratados internacionais hoje em
vigor e as seis declaracoes da Assembleia Geral da ONU que, hoje,
configuram o Direito Espacial Internacional sao frutos dos trabalhos
realizados pelo Copuos. Em 15 de julho de 2006, a proposta brasileira
intitulada "Cooperacao Internacional na Promocao do Uso de Dados
Geoespaciais para o Desenvolvimento Sustentavel" fez parte da agenda de
debates. ( Fonte: Coordenacao de Comunicacao Social/AEB )
Ed: CE
FRAGILIDADES DO PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO: ESTUDO
11/02/2010. Estudo da Consultoria Legislativa da Camara dos Deputados,
divulgado nesta semana, alerta para a fragilidade institucional e
orcamentaria da atual Politica Espacial Brasileira. Para 2010, o
orcamento previsto na proposta orcamentaria e' de R$ 353 milhoes, contra
R$ 415 milhoes em 2009. Segundo o diretor da Agencia Espacial
Brasileira, Carlos Ganem, para fazer frente a todos os desafios, seria
necessario o dobro dos recursos atuais. Os outros paises do Bric, no
mesmo patamar de desenvolvimento do Brasil, destinam muito mais recursos
publicos aos seus programas. A China investe mais de US$ 1 bilhao e
planeja voos tripulados 'a Lua ate' 2020. A India tem orcamento superior
a US$ 800 milhoes ao ano e a agencia espacial russa conta com orcamento
da ordem de US$ 2 bilhoes. Atrasos: As consequencias sao a postergacao
das metas estabelecidas pelo programa espacial brasileiro. Alguns
exemplos, apenas para mencionar os principais projetos, sao: atraso no
lancamento do Cbers-3, inicialmente previsto para 2009 e adiado para
2011, e atraso no lancamento do VLS 1, cujo lancamento do quarto
prototipo estava previsto para 2007 - e agora esta' marcado, para efeito
de teste, para 2011. A Agencia Espacial Brasileira planeja lancar tres
satelites geoestacionarios ate' 2013, para comunicacao de dados, sendo o
primeiro deles conhecido como SGB, Satelite Geoestacionario Brasileiro.
Caso esses artefatos nao sejam colocados em orbita, o Brasil podera'
perder posicoes orbitais definidas pela Uniao Internacional de
Telecomunicacoes (UIT). Fatia pequena: Em todo o mundo, a necessidade
crescente de telecomunicacoes e a evolucao tecnologica no setor, como a
implantacao da TV Digital, estao transformando o setor de satelites numa
industria multibilionaria. Segundo dados de 2008 da Space Foundation, a
atividade espacial mundial, incluindo bens e servicos, individuos,
corporacoes e governos, movimentou US$ 257 bilhoes, dos quais 35% em
servicos satelitais comerciais; 32% em infraestrutura comercial; 26% so'
do orcamento espacial do Governo dos EUA; 6% dos outros governos; e
somente 1% com lancadores e industria de suporte. Os Estados Unidos
detem 41% do mercado global de satelites, deixando 59% para o restante
do mundo, sendo de 1,9% a participacao do mercado brasileiro. A integra
do estudo esta' disponivel em: http://tinyurl.com/yd9z9lu ( Fonte:
Assessoria de Comunicacao da Camara dos Deputados )
Ed: CE
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ASTRONOMIA NO MUNDO
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CRIADA A AGENCIA BOLIVIANA ESPACIAL
11/02/2010. O presidente boliviano, Evo Morales, aprovou ontem (10),
por meio do Decreto 423, a criacao da Agencia Espacial Boliviana
("Agencia Boliviana Espacial - ABE"). Ao seu orcamento, foi inicialmente
destinado US$ 1 milhao. A agencia espacial boliviana sera' responsavel
pela coordenacao da construcao, lancamento e operacao do satelite de
comunicacoes Tupac Katari, que sera' construido por industrias chinesas.
A previsao e' que a construcao do satelite seja iniciada no proximo mes,
marco. Alem do Tupac Katari, a ABE tambem buscara' promover outros
programas de satelites que beneficiem o pais por meio de cooperacao
internacional. Com a criacao da ABE, a Bolivia se soma ao Brasil,
Argentina, Chile, Venezuela, Peru e Colombia, nacoes sul-americanas que
ja' possuem programas espaciais estruturados. ( Fonte: Andre Mileski,
Panorama Espacial )
Ed: CE
PROXIMIDADE INEDITA
19/02/2010. De longe, parece uma batata. Mas nao e' apenas o formato
que faz de Fobos, uma das duas luas de Marte – a outra e' Deimos –, um
objeto inusitado. No Sistema Solar, Fobos e' o satelite mais proximo de
seu planeta – esta' a menos de 6 mil quilometros da superficie marciana.
Tao proximo que sua orbita desce cerca de 1,8 metro por seculo. Por
conta disso, em 50 milhoes de anos sera' destruido pela gravidade
marciana ou caira' sobre o planeta. Para compreender melhor o satelite
marciano, a Mars Express comecou esta semana uma serie de sobrevoos que
ira' ate' o fim de marco. A sonda europeia chegara' cada vez mais
proxima de Fobos ate' que, no dia 3 de marco, estara' a apenas 50
quilometros de sua superficie. Os responsaveis pela missao esperam que
os dados colhidos possam ajudar a entender a origem da lua marciana.
Estima-se que ela tenha sido um asteroide que foi capturado pela
gravidade do planeta. "Como a Mars Express esta' em uma orbita eliptica
e polar com uma distancia maxima de cerca de 10 mil quilometros de
Marte, ela passa regularmente por Fobos. Isso representa uma
oportunidade excelente para investigar o satelite", disse Olivier
Witasse, cientista da missao. A distancia de apenas 50 quilometros nao
estava prevista inicialmente, mas em 2009 os responsaveis pela missao
tiveram que ajustar a orbita da sonda para que pudessem examinar melhor
o planeta. Com o ajuste, surgiu a oportunidade. Os sobrevoos
representaram uma chance inedita de mapear o campo gravitacional do
satelite. Segundo os cientistas da Agencia Espacial Europeia, a pequena
distancia permitira' registrar diferencas na atracao de Fobos,
dependendo de que parte estiver mais proxima da sonda em determinado
momento. Com isso, sera' possivel inferir detalhes sobre a estrutura
interna da lua marciana. Passagens anteriores da sonda permitiram fazer
estimativas a respeito da massa e do volume do satelite, a ponto de os
cientistas estimarem que partes dele parecem ser ocas. "Se soubermos
mais sobre a estrutura de Fobos, podemos tentar entender melhor como ele
foi formado", disse Witasse. Mais informacoes:
www.esa.int/esaMI/Mars_Express ( Fonte: Agencia FAPESP )
Ed: GMM
MISSAO WISE REVELA UMA BELA MISTURA DE PRIMEIRAS IMAGENS
17/02/2010. Um elenco diverso de personagens cosmicos se mostra nas
primeiras imagens que a NASA revelou em 17 de fevereiro de 2010, feitas
pelo telescopio WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer). Desde que o
WISE comecou a sua exploracao do ceu no espectro infravermelho em 14 de
janeiro, o telescopio espacial enviou para a Terra dezenas de milhares
de imagens no infravermelho. Quatro novas fotos processadas ilustram uma
amostragem dos objetivos da missao: um cometa fraco, uma nuvem que
explode formando uma estrela, a grande galaxia de Andromeda e um
aglomerado de centenas de longinquas galaxias. As imagens podem ser
vistas online em: http://www.jpl.nasa.gov/news/features.cfm?feature=2485
"O WISE esta' funcionado magnificamente", disse Ed Weiler, gerente
associado na Direcao de Missoes Cientificas, na sede da NASA, em
Washington. "Essas primeiras imagens provam que a missao secundaria da
nave espacial de contribuir no seguimento dos asteroides, cometas e
outros objetos estelares vai ser de importancia tao vital quanto a sua
missao primordial de relevar todo o ceu no infravermelho". ( Fonte:
http://www.jpl.nasa.gov/news/news.cfm?release=2010-052&rn=news.xml&rst=2486
)
Ed: JG
DESCOBERTAS ESTRELAS PRIMITIVAS SUMIDAS FORA DA VIA LACTEA
17/02/2010. Durante anos, as estrelas mais primitivas fora da Via
Lactea conseguiram se ocultar, mas agora foram finalmente desmascaradas.
Novas observacoes utilizando o telescopio VLT da organizacao
Observatorio Europeu Austral (ESO) solucionaram um importante problema
astrofisico relativo 'as estrelas mais antigas na nossa vizinhanca
galactica - o qual e' crucial para compreender as estrelas que se
formaram muito cedo no Universo. "Na realidade, descobrimos uma falha
nos metodos forenses utilizados ate' agora", diz Else Starkenburg,
autora principal do artigo que apresenta este trabalho. "O nosso metodo
mais desenvolvido nos permitiu descobrir as estrelas primitivas ocultas
no meio de todas as outras estrelas mais comuns". Pensa-se que as
estrelas primitivas se formaram a partir de materia formada logo apos o
Big Bang, ha' aproximadamente 13,7 bilhoes de anos. Essas estrelas tem,
tipicamente, menos que uma milesima parte da quantidade de elementos
quimicos mais pesados que o hidrogenio e o helio, encontrados no Sol, e
sao chamadas de "estrelas extremamente pobres em metais". Pertencem a
uma das primeiras geracoes de estrelas no Universo proximo. Tais
estrelas, extremamente raras, sao observadas principalmente na Via
Lactea. Os cosmologistas pensam que as galaxias maiores, como a Via
Lactea, se formaram a partir da fusao de galaxias menores. A populacao
de estrelas extremamente pobres em metais ou "primitivas" da Via Lactea
deveria estar ja' presente nas galaxias anas que lhe deram origem e por
isso, populacoes similares deveriam estar igualmente presentes em outras
galaxias anas. "Ate' agora, evidencias destas populacoes tem sido
escassas," diz a co-autora Giuseppina Battaglia. "Os enormes
relevamentos feitos nos ultimos anos mostraram continuamente que as
populacoes estelares mais antigas da Via Lactea e de galaxias anas nao
coincidem, fato que nao e' esperado segundo os modelos cosmologicos". A
abundancia dos elementos e' medida a partir de espectros, que nos
fornecem as impressoes digitais quimicas das estrelas. A Equipe de
Abundancias e Velocidades Radiais de Galaxias Anas utilizou o
instrumento FLAMES montado no Very Large Telescope do ESO para medir o
espectro de quase 2000 estrelas gigantes individuais em quatro das
nossas vizinhas galaxias anas: Fornax, Sculptor, Sextants e Carina. Como
as galaxias anas estao a distancias tipicas de 300.000 anos-luz - o que
corresponde a quase tres vezes o tamanho da Via Lactea - apenas linhas e
bandas intensas no espectro puderam ser medidas, e mesmo estas aparecem
como uma impressao digital tenue e apagada. A equipe descobriu que,
dentre a sua grande coletanea, nenhuma das impressoes digitais
espectrais parecia pertencer 'a classe de estrelas que eles procuravam:
as raras estrelas extremamente pobres em metais encontradas na Via
Lactea. A equipe de astronomos, liderada por Starkenburg, conseguiu
agora resultados interessantes ao comparar cuidadosamente os espectros
com modelos computacionais. Esta equipe descobriu que apenas diferencas
muito sutis distinguem a impressao digital quimica de uma estrela pobre
em metais normal e de uma estrela extremamente pobre em metais e explica
porque e' que os metodos anteriores nao foram bem sucedidos na
identificacao destas estrelas. Os astronomos confirmaram tambem o quase
imaculado estado de varias estrelas extremamente pobres em metais,
gracas aos espectros muito detalhados obtidos pelo instrumento UVES
montado no telescopio VLT de ESO. "Comparadas com as impressoes digitais
muito tenues que tinhamos anteriormente, estas semelham a impressao
digital vista ao microscopio," explica Vanessa Hill, membro da equipe.
"Infelizmente, apenas um pequeno numero de estrelas pode ser observado
desta maneira devido a esta ser uma observacao que demora muito tempo".
"Entre as novas estrelas extremamente pobres em metais descobertas
nestas galaxias anas, tres tem uma quantidade relativa de elementos
quimicos entre apenas 1/3000 e 1/10.000 daquela observada no Sol,
incluindo assim a estrela que detem o atual recorde da mais primitiva
encontrada fora da Via Lactea," diz Martin Tafelmeyer, membro da equipe.
"O nosso trabalho nao so' revelou algumas das muito interessantes
primeiras estrelas destas galaxias, como ainda fornece uma nova e
poderosa tecnica de deteccao de estrelas deste tipo," conclui
Starkenburg. "A partir de agora as estrelas ja' nao tem lugar onde se
ocultar!" ( Fonte: http://www.eso.org/public/news/eso1007/ )
Ed: JG
DESCOBERTO O EXOPLANETA MAIS NOVO
18/02/2010. Os astronomos da Universidade de Hertfordshire, a Dra.
Maria Cruz Galvez-Ortiz e o Dr. John Barnes, fazem parte de uma
colaboracao internacional que descobriu o exoplaneta mais novo girando
ao redor de uma estrela do tipo do Sol, conhecido como BD+20 1790b. O
planeta gigante, de seis vezes a massa de Jupiter, tem apenas 35 milhoes
de anos. Ele esta' em orbita a uma jovem estrela central ativa a uma
distancia mais proxima que entre Mercurio e Sol. Normalmente as estrelas
jovens sao excluidas das buscas de planetas devido aos intensos campos
magneticos que geram uma variedade de fenomenos conhecidos coletivamente
como atividade estelar, incluindo flamas e manchas. Essa atividade pode
imitar a presenca de uma companheira e, em consequencia, pode dificultar
extremamente a separacao dos sinais dos planetas e da atividade. A Dra.
Maria Cruz Galvez-Ortiz, fazendo descricao de como e' que o planeta foi
descoberto, disse: "O planeta foi detectado por meio da busca de
variacoes muito pequenas na velocidade da estrela mae, causadas pela
gravidade do planeta na medida em que completa a orbita – conhecida como
"Tecnica do Bamboleio Doppler". Superar a interferencia provocada pela
atividade da estrela jovem foi desafiador para a equipe, mas com
suficientes dados provenientes de um conjunto de grandes telescopios,
foi revelada a marca do planeta". Atualmente ha' uma severa falta de
conhecimento dos primeiros estagios da evolucao planetaria. A maior
parte dos estudos de busca de planetas tem tendencia a terem como
objetivo estrelas bem mais velhas, com idades superiores a 1 bilhao de
anos. Anteriormente, so' se conhecia um planeta jovem, com idade de 100
milhoes de anos. No entanto, com apenas 35 milhoes de anos, o BD+20
1790b e' aproximadamente tres vezes mais jovem. A deteccao de planetas
jovens vai permitir testar os cenarios de formacao e pesquisar os
primeiros estagios da evolucao planetaria. ( Fonte:
http://www.alphagalileo.org/ViewItem.aspx?ItemId=68654&CultureCode=en )
Ed: JG
REVELADA A ORIGEM DAS EXPLOSOES COSMICAS FUNDAMENTAIS
17/02/2010. Novas descobertas do observatorio de raios X Chandra, da
NASA, fornecem importante avanco na compreensao de um tipo de supernova
critica para estudar a energia escura que os astronomos sugerem que
prevalece no Universo. Os resultados mostram que a fusao de dois densos
remanescentes estelares e' a causa mais provavel de muitas das
supernovas que se tem utilizado para medir a aceleracao da expansao do
Universo. Essas supernovas sao chamadas de supernovas do tipo Ia e
servem como marcos cosmico para medir a expansao do Universo, pois e'
possivel ve-las a grandes distancias e tem caracteristicas de brilho
bastante confiaveis. Porem, ate' agora, os cientistas nao tinham certeza
sobre o que causava as explosoes. "Objetos como esses sao criticos para
entendermos o Universo", disse Marat Gilfanov do Instituto Max Planck de
Astrofisica, da Alemanha, autor principal do estudo que aparece na
edicao de 18 de fevereiro de 2010 da revista Nature. "Era vergonhoso nao
saber como e' que funcionavam. Agora estamos comecando a compreender o
que e' o que dispara essas explosoes". ( Fonte:
http://www.nasa.gov/mission_pages/chandra/news/H-10-042.html )
Ed: JG
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EVENTOS
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13/10/2009 a 30/03/2010 - Astronomia na Biblioteca da Floresta: Como
parte das atividades do Ano Internacional da Astronomia 2009, e
celebrando os 40 anos da conquista da Lua, a Biblioteca da Floresta
realiza a exposicao "Paisagens Cosmicas", em parceria com o Grupo de
Astronomos do Acre, GAMA HIDRA, e com o apoio da Secretaria de Estado de
Educacao do Acre (SEE). A exposicao, conta com as seguintes atracoes: *
vinte paineis fotograficos de objetos celestiais, captados por lentes de
potentes telescopios e sondas espaciais que exploram o espaco, a mostra
convida o publico a um passeio pelo universo de beleza impar; * um
painel representativo do projeto arquitetonico do Centro Didatico de
Astronomia e Ciencias Afins do Acre, que contempla 'a implantacao de um
planetario e um observatorio astronomico; * maquete em comemoracao aos
40 anos do primeiro pouso lunar tripulado; * exposicao de telescopios; *
mobile do sistema solar; * esquemas no teto do salao principal com as 12
antigas constelacoes zodiacais. A exposicao se estendera' ate' marco de
2010 e esta' aberta ao publico todos os dias nos seguintes horarios:
Segunda a sexta-feira: das 8 'as 21 horas; Sabado: das 14 'as 20 horas;
Domingo e feriados: das 16 'as 20 horas. Mais informacoes no site:
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/ ( Fonte: Francisco Carlos da
Rocha Gomes )
Ed: CE
10/01/2010 a 31/03/2010 - Paisagens Cosmicas em Joaquim Egidio: de 10
de janeiro a 31 de marco, no Espaco Cultural "Ettori Nallin" e Memorial
do Cafe' da Subprefeitura do Distrito de Joaquim Egidio, 'a Rua Jose'
Ignacio nº 14, Distrito de Joaquim Egidio, Campinas/SP, de segunda 'a
sexta-feira, das 8h 'as 17h, e sabados, domingos e feriados, das 7h 'as
17h. ( Fonte: AIA2009 )
Ed: CE
17/01/2010 a 21/02/2010 - SESC VERAO 2010 - UM CORPO NO ESPACO:
Inspirado no Ano Internacional da Astronomia, o SESC Pompeia (SP) usa os
astros como tematica para as atividades corporais de seu programa de
verao. Sao esperadas 300 mil pessoas nos meses de Janeiro e Fevereiro
participando de eventos que envolvem simuladores, jogos, shows de
planetario, lancamento de foguetes, palestras, danca e ate' um espaco
para criancas de 0 a 6 anos. Confira a programacao no link:
http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=6825 (
Fonte: Sesc )
Ed: CE
02/03/2010 a 19/05/2010 - Novos cursos do Observatorio Ceu Austral:
Encontram-se abertas as inscricoes para dois novos cursos que serao
ministrados pelo Observatorio Ceu Austral, com inicio em marco: a)
METEOROLOGIA PRATICA: em parceria com a E.T.E. Prof. Camargo Aranha, com
inicio em 10 de marco (quarta-feira). Neste curso, fornecemos as nocoes
fundamentais da Meteorologia, visando a compreensao dos principais
fenomenos atmosfericos e suas consequencias em nossa vida diaria, os
instrumentos utilizados para o seu estudo, bem como estimular a
observacao da natureza com a finalidade de avaliarmos as situacoes
meteorologicas potencialmente perigosas em roteiros no campo b) UMA
BREVE HISTORIA DO UNIVERSO: em parceria com a Associacao Filosofica
Palas Athena de Sao Paulo, com inicio em 02 de marco (terca-feira).
Neste curso, em uma ampla visao do Cosmos, apresentamos um provavel
processo de origem e a evolucao de nosso Universo ate' a atualidade e os
instrumentos astronomicos modernos que nos ajudam a compor esta
interessante visao. Se voce' quer participar dos cursos, visite nosso
site: www.ceuaustral.pro.br ou www.ceuaustral.astrodatabase.net e veja
todas as informacoes. Na pagina inicial do site, clique no nome do curso
em "o que vem por ai' no Ceu Austral". Qualquer duvida entre em contato
conosco: ceuaustral@yahoo.com.br ou ceuaustral@gmail.com ( Fonte: Paulo
Varella, Observatorio Ceu Austral )
Ed: CE
07/09/2010 a 12/09/2010 - 35ª Reuniao Anual da SAB: a reuniao sera' no
Hotel Recanto das Hortensias, em Passa Quatro (MG), de 7 a 12 de
setembro. A data limite para inscricao e submissao de trabalhos sera' 10
de abril. Mais informacoes sobre a reuniao estarao disponiveis a partir
de 1º de marco, data a partir da qual as inscricoes poderao ser feitas,
no site: http://www.sab-astro.org.br/sab35/index.htm A Reuniao Anual da
SAB e' considerada uma oportunidade unica para os membros da sociedade
divulgarem e discutirem seus trabalhos diante de uma audiencia
multidisciplinar, que cobre todas as areas de pesquisa em astronomia no
Brasil. Segundo informe do Boletim da SAB, a cidade de Passa Quatro ja'
recebeu o evento em duas outras oportunidades. A cidade fica situada no
sudeste de Minas Gerais, a 248 km de Sao Paulo e 260 km do Rio de
Janeiro, a 50 km da Via Dutra, na altura de Cachoeira Paulista. ( Fonte:
JC )
Ed: CE
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Supernovas - Boletim Brasileiro de Astronomia, e' uma publicacao
semanal em forma de boletim eletronico, via e-mail, estruturado em
diferentes Editorias e elaborado pela comunidade astronomica
profissional e amadora brasileira com o objetivo de ampliar a divulgacao
de informacoes sobre a Astronomia no Brasil e no mundo. Semanalmente,
ele e' enviado a aproximadamente 10000 interessados.
Informacoes gerais sobre Astronomia e Ciencias afins podem ser
encontradas no site do Boletim na Internet, no endereco:
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grafica das edicoes sao omitidas.
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