Edição 548 na integra:
SUPERNOVAS - BOLETIM BRASILEIRO DE ASTRONOMIA -
http://www.boletimsupernovas.com.br/
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010 - Edicao No. 548
Indice:
_ UMA BRASILEIRA NA NASA
_ OPORTUNIDADE DE BOLSA DE POS-DOUTORADO (DTI) NO OBSERVATORIO NACIONAL
(ON)
_ ANARQUIA REPUBLICANA
_ FRIULI VAI AMPLIAR PRESENCA NOS SETORES DE DEFESA E AEROESPACIAL
_ ORCAMENTO DO PROGRAMA ESPACIAL EM 2010: ANALISE
_ O BRASIL VISTO DO ALTO
_ MISSOES AO PLANETA VERMELHO COMPLETAM 50 ANOS
_ NOVA PESQUISA RESOLVE CONFLITO NA TEORIA DE COMO SE FORMAM AS
GALAXIAS
_ CAPTURADO O PRIMEIRO ESPECTRO DE UM EXOPLANETA DE FORMA DIRETA
_ DETALHES SEM PRECEDENTES NA SUPERFICIE DA ESTRELA BETELGEUSE
_ EVENTOS
_ EFEMERIDES
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ASTRONOMIA NO BRASIL
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UMA BRASILEIRA NA NASA
12/01/2010. A paixao pelo espaco surgiu muito cedo, antes mesmo que a
astronomia fizesse parte da vida da brasileira Duilia de Mello,
astronoma do Goddard Space Flight Center, um dos mais importantes
centros de estudos da Agencia Espacial Norte Americana (Nasa). Natural
de Jundiai' (SP), Duilia conta de uma forma bem-humorada que, ja' nos
primeiros anos de vida, chegava a ficar de "pescoco duro" de tanto olhar
para o ceu e admirar as estrelas, a lua e imaginar os planetas, mania
que ate' hoje e' lembrada por seus antigos vizinhos no Rio de Janeiro,
cidade onde passou a infancia. Hoje, porem, ela tem o privilegio de
observar suas paixoes de perto, alem de se dedicar a projetos que tem
como objetivo desvendar alguns dos varios misterios do espaco. Em
entrevista ao Correio, Duilia fala de um de seus mais recentes estudos,
a descoberta de um bercario de estrelas fora das galaxias. Batizadas de
bolhas azuis, esses astros - alguns com menos de 30 milhoes de anos -
vivem isolados das demais estrelas e foram descobertos com o auxilio de
um satelite da Nasa que so' detecta luz ultravioleta, o Galex. Ela conta
tambem sobre os planos de lancar um livro sobre astronomia voltado para
o publico brasileiro. A motivacao surgiu depois do sucesso de Vivendo
com as estrelas - a historia da astronoma brasileira que foi trabalhar
na Nasa e descobriu uma supernova (Panda Books). Na publicacao, voltada
para o publico juvenil, ela detalha a descoberta da supernova SN1997D,
toda a sua trajetoria na Nasa - que comecou ha' cinco anos -, alem de
dar a receita para aqueles que desejam se tornar profissionais nessa
area. - Qual foi a sua trajetoria ate' a chegada no Goddard Space Flight
Center, na Nasa? Nasci em Jundiai' (SP), mas cresci no Rio de Janeiro.
Comecei a me interessar por astronomia quando ainda era crianca, pois
tinha vontade de saber cada vez mais sobre o Universo. Em especial no
final dos anos 1970, fiquei fascinada ao tomar conhecimento das sondas
espaciais que estavam navegando pelo Sistema Solar e enviando imagens
por meio de objetos distantes. Diante dessa paixao, cursei astronomia na
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e fiz mestrado no
Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Sao Jose' dos Campos (SP).
Depois, conclui' um doutorado na Universidade de Sao Paulo (USP),
pos-doutorado no Cerro Tololo Inter-american Observatory, no Chile, e no
Observatorio Nacional, no Rio de Janeiro. Tambem passei pelo Instituto
do Telescopio Espacial Hubble, nos Estados Unidos, e fui professora
assistente no Observatorio de Onsala, na Suecia. Atualmente, sou
pesquisadora associada da Nasa Goddard Space Flight Center e professora
da Universidade Catolica da America (CUA, na sigla em ingles), de
Washington. - Numa das suas ultimas pesquisas, a senhora relata a
descoberta de um bercario de estrelas fora das galaxias. Como elas se
formaram e quando foram feitos esses registros? Sou muito curiosa e
gosto de estar em constante aprendizado. O que mais me fascina na
astronomia e' que estamos sempre desvendando misterios e propondo
perguntas novas, como no caso desse bercario. Costumo chamar essas
estrelas de bolhas azuis, pois descobri a existencia delas ao utilizar
um satelite da Nasa que so' detecta luz ultravioleta. O nome dele e'
Galex. A verdade e' que essas bolhas estavam entre duas galaxias em
processo de colisao. Depois de contar com o auxilio do telescopio Hubble
para a investigacao em maiores detalhes, verifiquei que as bolhas eram
formadas por estrelas bem jovens e azuis. Tambem vi que elas estavam
dentro de uma nuvem de gas de hidrogenio e que havia algumas estrelas
velhas no mesmo local. Interpretei que quando as galaxias passaram
proximas umas das outras, elas deixaram gas na vizinhanca e promoveram a
formacao das estrelas azuis. Ja' as estrelas velhas foram provavelmente
ejetadas das galaxias durante a colisao, nao nasceram no mesmo local das
azuis. - Como e' trabalhar ao lado de grandes nomes da astronomia e ter
acesso ao que existe de melhor em tecnologia? Nao sou a primeira
brasileira a trabalhar na Nasa. Sei da existencia de pelo menos quatro
delas e isso e' um orgulho. O centro e' inspirador. Ficamos sabendo dos
ultimos resultados assim que eles saem, mas nao temos privilegios nas
observacoes. Somos membros da comunidade astronomica e temos que enviar
projetos que podem ou nao ser aceitos para utilizacao dos equipamentos e
satelites, assim como todos os outros astronomos americanos e
estrangeiros. Mas e' claro que o fato de estarmos no local facilita a
colaboracao de grandes astronomos - o que aumenta a probabilidade de
fazermos parte de times vencedores. Um dos projetos mais interessantes
que tive o prazer de participar foi o do Campo Profundo do Sul,
registrado em 1998, quando eu ainda estava no Instituto do Telescopio
Espacial Hubble. Tive a honra de ter sido a primeira pessoa a ver a
imagem mais profunda tirada com o Hubble ate' aquela epoca. Foi
emocionante. Tambem fiz parte de um outro time que detectou a imagem
sucessora desta, em 2006, com a camera nova do Hubble. Ela gerou o campo
mais profundo ja' observado ate' hoje - o Campo Ultraprofundo do Hubble.
- A ciencia esta' perto de explicar como o Universo se formou? Nao
sabemos exatamente como o Universo se formou, mas tudo indica que houve
uma explosao inicial, o big bang, pois sabemos que as galaxias estao se
afastando umas das outras e isso e' tipico de uma explosao. O calculo
mais recente da idade do universo foi feito com dados do satelite
Wilkinson, o WMAP, que mediu a radiacao cosmica de fundo, ou seja, a
radiacao proveniente do big bang. Utilizamos modelos cosmologicos para
calcular a quantidade de materia e energia que existe no universo. Os
resultados do WMAP revelaram que o universo tem 70% de energia escura,
26% de materia escura, apenas 4% de materia visivel e 13,7 bilhoes de
anos. - E quanto 'as outras teorias? Na minha opiniao, a teoria do big
bang e' a que melhor explica o universo observado. Mas existe tambem uma
corrente de astronomos que propoe um universo sem comeco nem fim. Ela e'
conhecida como Teoria do Estado Quase Estacionario. A grande desvantagem
dela e' o fato de nao explicar naturalmente a radiacao cosmica de fundo.
Com o passar dos anos estamos melhorando a tecnologia para detectar
planetas pequenos como a Terra. Ja' sabemos que existem mais de 300
planetas ao redor de outras estrelas, mas eles sao "planetoes" do tipo
de Jupiter. Em marco de 2009, a Nasa lancou um satelite, o Kepler, que
tem a tecnologia para descobrir planetas do tipo da Terra. A previsao e'
de que consigamos detectar centenas de planetas terrestres ate' 2014. -
No ano passado, comemoramos 40 anos da chegada do homem 'a Lua. Como
estao os planos da Nasa para novas viagens tripuladas? A Nasa tem dois
projetos de viagem espacial tripulada. Um deles esta' previsto para a
Lua e o outro para Marte, o planeta vermelho. Inicialmente, falavamos
que isso aconteceria entre os anos 2020 e 2037. Atualmente, porem, nao
temos certeza, porque a agencia esta' revisando o projeto de construcao
do foguete que levaria os astronautas. E' bom lembrar que os custos para
essas viagens sao muito altos e nao temos verbas para os dois projetos.
- Quais sao seus planos para este ano? Tem vontade de voltar ao Brasil
definitivamente? Tenho varios projetos em andamento e estarei
trabalhando neles durante todo o ano de 2010. Uma viagem ao Chile, onde
trabalharei ao longo de tres meses na Pontificia Universidade Catolica
(PUC) de Santiago, e' um deles. Levarei comigo um time de alunos para
estudar e trabalhar num projeto de pesquisa que depois servira' como
motivacao para uma tese de doutorado. Em 2011 e 2012, deverei passar
ainda mais tempo em Santiago e terminar os projetos iniciados. Espero,
por exemplo, finalizar o estudo das bolhas azuis, que agora cresceu e
ja' faz parte do doutorado de dois estudantes da USP e de um outro da
CUA. Ao longo dos proximos anos, ainda pretendo terminar de escrever um
livro sobre astronomia totalmente voltado para o publico brasileiro.
Este ano, por exemplo, publiquei o "Vivendo com as estrelas", para o
publico juvenil. Porem, nos proximos anos, me dedicarei ao publico
adulto. Quanto 'a volta ao Brasil, e' algo mais complicado. Moro fora
ha' mais de 15 anos e aprendi a viver com saudades. Vou ao pais pelo
menos uma vez por ano para rever a familia. - Quais sao os projetos
astronomicos mais importantes atualmente e que no futuro trarao bons
resultados? Os projetos que considero mais interessantes para a proxima
decada sao o telescopio espacial James Webb (JWST) e o interferometro
Atacama Large Millimeter Array (Alma). O JWST fara' o que o telescopio
espacial Hubble faz, mas para objetos ainda mais distantes. O Alma esta'
sendo construido em um sitio localizado a 5 mil metros de altitude em um
planalto dos Andes Chilenos, o Cerro Chajnantor. O Alma tera' 66 antenas
parabolicas, cada uma com 12m de diametro, formando um unico instrumento
gigante, chamado interferometro. Com os dois, tentaremos desvendar a
origem das galaxias, das estrelas, do Sistema Solar e da vida. Existem
tambem planos de construcao de dois telescopios gigantes, provavelmente
no Chile, cada um com pelo menos 30m de diametro, ou seja, tres vezes o
tamanho dos maiores telescopios da atualidade. E' possivel que o Brasil
se associe a um desses projetos no futuro, o que seria um grande passo
para a astronomia brasileira. ( Fonte: Gisela Cabral/Correio Braziliense
)
Ed: CE
OPORTUNIDADE DE BOLSA DE POS-DOUTORADO (DTI) NO OBSERVATORIO NACIONAL
(ON)
12/01/2010. A Coordenadoria de Geofisica do Observatorio Nacional esta'
com uma oportunidade de bolsas de Pos-doutorado (DTI/CNPq), para o
desenvolvimento de pesquisas no ambito do Instituto Nacional de Ciencia
e Tecnologia da Criosfera, a ser iniciado imediatamente. O bolsista
apoiara' os trabalhos de geofisica do instituto, com o desenvolvimento
de algoritmos de processamento e modelagem de dados GPR. Os candidatos
deverao possuir o titulo de doutor em uma das seguintes especializacoes:
Geofisica, Fisica, Matematica, Engenharias e areas afins. Deverao ainda
ter disponibilidade e boas condicoes fisicas para viagens de campo. O
periodo de bolsa de pos-doutorado e' de dois anos. Os interessados devem
entrar em contato, ate' 26 de janeiro, pelos e-mail bulnes@on.br (Juan
Bulnes) ou jandyr@on.br (Jandyr Travassos). ( Fonte: JC )
Ed: CE
ANARQUIA REPUBLICANA
08/01/2010. O Estado brasileiro de hoje beira a anarquia institucional,
enquanto, do ponto de vista administrativo, esta' condenado 'a
ineficiencia. Aqui, mais do que em qualquer outra parte, assiste-se ao
desmoronamento do sistema de tres poderes "iguais e independentes". O
Judiciario desrespeita a Uniao e o Poder Legislativo renuncia ao seu
dever de legislar, afogado por um Executivo legislador. Meros orgaos
auxiliares ou fiscais da administracao, passam a agir como se poderes da
Republica fossem - refiro-me especialmente ao Ministerio Publico e ao
Tribunal de Contas -, e funcionarios intermediarios da estrutura
burocratica se consideram autonomos e inatingiveis, juridicamente
irresponsaveis. Refiro-me especificamente aos tecnicos dos tribunais de
contas e dos Ibamas. E' a configuracao do Estado anarquico, o que e', em
si, uma contradicao. Ministros de tribunais superiores sao boquirrotos e
o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) deita falacao sobre tudo
o que lhe vem na telha e fala principalmente sobre temas que mais tarde
lhe podem cair nas suas maos de juiz. A isso se chama prejulgamento. E
ninguem lhes diz que estao ferindo o decoro de funcao tao nobre:
proselitismo e partidarismo sao incompativeis com a magistratura e a
dignidade do cargo. Na cola do STF, que legisla sobre questoes penais,
indigenas e outras, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), animado pela
omissao suicida do Congresso, legisla sobre materia eleitoral, minando a
ordem juridica com a inseguranca: nao "vale o escrito" (a lei de todos
conhecida), mas o insondavel que faz cocegas nas mentes de nossos
ministros legisladores. A tal incongruencia chamam de "neopositivismo".
O Tribunal de Contas da Uniao (TCU) nao apenas julga contas, mas pelo
crivo de seus "tecnicos" administra projetos, determina prioridades,
interfere na administracao ditando normas, ao arrepio dos interesses do
Estado, que, assim, abdica, ou e' forcado a abdicar de vontade
estrategica. A democracia representativa, atingida mortalmente pela
falencia da legitimidade eleitoral, se esfacela quando a soberania
popular, fonte de todo o direito, e' substituida pela toga ou pelo ditar
da burocracia de segundo, terceiro e quarto escaloes. O pressuposto
dessa burocracia (uma casta que se transforma em Poder e 'a sua vontade
subordina os demais Poderes) e' que o objeto da administracao publica e'
irrelevante: nao importa saber se o hospital a ser construido salvara'
vidas, se o atraso em sua construcao determinara' mais mortes; interessa
ao burocrata saber se o tijolo comprado em Serra Talhada corresponde ao
modelito com o qual trabalha em Brasilia. E assim, dentro do Estado que
deveria ser unico, temos o Estado a quem cumpre fazer e o Estado a quem
cumpre impedir que o Estado fazedor faca alguma coisa. E' um conflito
sem dialetica que so' leva ao impasse. Digamos logo, antes que o juizo
apressado nos seja levantado: nao se pleiteia nem a ausencia de
fiscalizacao nem a impunidade, que, alias, nao e' resolvida com
paralisacao ou adiamento de obras. Reclama-se a fiscalizacao e o maximo
rigor na tomada de contas, mas afirmamos que a nenhum burocrata pode ser
transferido o poder (exclusivo do Chefe de Estado) de ditar a
oportunidade de obra estrategica. Por isso, o Brasil nao esta'
usufruindo das vantagens decorrentes de seu desenvolvimento economico e
de sua posicao particularmente favoravel em face da crise do capitalismo
mundial; simplesmente porque nao pode, nosso Estado, ditar politicas
estrategicas. Apesar de nao faltarem recurso nem vontade governamental,
as obras do PAC nao andam no ritmo necessario porque nem o Presidente
pode dizer o que e' estrategico em seu governo. Os ministerios,
alcancados pelos cortes de "contingencia" impostos pela dupla
Planejamento/Fazenda, mesmo assim nao conseguem realizar seu orcamento.
Todos dependemos do arbitrio do burocrata. O projeto do Centro Espacial
de Alcantara transitou e dormitou entre as mesas dos tecnoburocratas do
TCU ate' que um dia, passados mais de dois anos, seu Plenario decidiu
aprova-lo com mais de mil emendas. Resultado, o projeto foi para a
maquina de picotar papeis. Nao sei quanto custou 'a Uniao a perda do
projeto, a demora de dois anos e a paralisacao que ja' leva consigo
cerca de quatro anos, e cobra mais outro tanto para voltar 'a ordem do
dia. Sei que a Agencia Espacial Brasileira foi aconselhada a contratar
uma grande fundacao para refazer o projeto, o que nao saira' barato; sei
que a Alcantara Cyclone Space ficou sem porto, essencial para suas
operacoes. Passados seis anos do desastre de 2003, quando o VLS explodiu
no solo, so' agora, e' que sao retomadas as obras da nova torre de
lancamentos, embargada antes pela industria das liminares e recursos ao
TCU. Embora tenha ingressado na corrida espacial em 1961, o Brasil,
hoje, depois de tres tentativas frustradas em mais de 30 anos, nao tem
base de lancamento, torre, nem foguete lancador. Quem responde por isso?
A unica coisa que possuimos e' um bem do acaso, a boa localizacao
geografica do municipio de Alcantara, de frente para o mar e proximo da
linha do Equador. Mesmo essa vantagem esta' ameacada, pois o Incra
considerou praticamente toda a peninsula como area quilombola. O futuro
sitio da Alcantara Ciclone Space, que recebeu do presidente da Republica
a missao de lancar o primeiro foguete Cyclone-4, fruto da cooperacao
Brasil-Ucrania, ainda aguarda a regularizacao juridica da area que lhe
foi cedida no CLA (sob jurisdicao da Aeronautica) e a Licenca Previa que
lhe deve o Ibama (esperada para este mes). So' entao podera' se cogitar
da licitacao para as obras civis sem as quais nao pode haver qualquer
sorte de lancamento. As obras de infraestrutura, responsabilidade
brasileira, ainda nao puderam ser iniciadas porque a Agencia Espacial
Brasileira nao recebe os recursos de que necessita. E o porto de cargas
nao foi construido, nem se sabe quando o sera' porque a burocracia, em
2007, se esqueceu da dotacao orcamentaria necessaria. O projeto do
submarino de propulsao atomica esta' atrasado cerca de 35 anos, e as
obras de Angra III paralisadas ha' 23 anos. E ninguem sabe porque o
Brasil esta' perdendo terreno em areas estrategicas. Enquanto isso, na
Esplanada, seus viventes dormem o sono tranquilo dos justos. Roberto
Amaral e' ex-ministro da Ciencia e Tecnologia (2003/2004) e
diretor-geral brasileiro da Alcantara Cyclone Space (ACS). ( Fonte:
Roberto Amaral/Valor Economico )
Ed: CE
FRIULI VAI AMPLIAR PRESENCA NOS SETORES DE DEFESA E AEROESPACIAL
08/01/2010. Um novo contrato na area de defesa e a aprovacao de um
projeto de desenvolvimento tecnologico pela Finep (Financiadora de
Estudos e Projetos) vao dar continuidade ao processo de diversificacao
nos negocios da Friuli, reduzindo sua dependencia do setor aeronautico,
principalmente da Embraer. Unica fabricante nacional de bombas de
penetracao para a Forca Aerea Brasileira (FAB), a Friuli aumentara' para
20% a participacao do setor de defesa em sua receita em 2010. A Embraer
devera' ficar com 50%, enquanto o setor aeroespacial fica com 20% e o
segmento de petroleo com 10%. Ate' setembro de 2008, 95% da producao era
destinada 'a Embraer. Indice que caiu para 60% no ano passado. Em 2009 a
receita foi de R$ 7,3 milhoes, abaixo dos R$ 9 milhoes de 2008. Para
este ano, a previsao e' voltar aos R$ 9 milhoes. O aumento do setor de
defesa vira' da vitoria em uma licitacao aberta pelo Departamento de
Ciencia e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) para a producao dos motores do
foguete VSB-30, utilizado em missoes sub-orbitais de exploracao do
espaco. "Esse contrato viabiliza a criacao de uma estrutura maior de
engenharia na empresa, abrindo novas oportunidades no setor
aeroespacial, especialmente no mercado de exportacao", comenta Gianni
Cucchiaro, diretor da empresa. A Friuli, segundo ele, ja' fornecia
alguns componentes do VSB-30, mas o novo contrato com o DCTA permitira'
'a empresa aumentar seu conhecimento e profissionalismo em areas que
envolvem tecnologias muito avancadas. O VSB-30 e' um foguete de sondagem
100% brasileiro e o primeiro a ser certificado no pais, tornando-o apto
para a producao em serie. O foguete ja' contabiliza nove lancamentos bem
sucedidos, sendo dois em territorio nacional e sete na Europa. O VSB-30
foi desenvolvido pelo Instituto de aeronautica e Espaco (IAE), orgao de
pesquisa do DCTA e financiado, em parte, pelo Centro Aeroespacial Alemao
(DLR), um dos principais usuarios do foguete. Em dezembro, a Friuli
tambem confirmou a aprovacao, pela Finep, do projeto de desenvolvimento
de um sistema de planeio e guiamento de bombas por GPS. A empresa vai
receber R$ 4,1 milhoes para o projeto, atraves do programa de subvencao
economica de 2009. O sistema de guiamento de bombas que a Friuli ira'
desenvolver, segundo Cucchiaro, e' de alta precisao e sera' capaz de
lancar bombas de 230 quilos, a uma distancia entre 70 e 75 quilometros e
altitude de 30 mil pes. "Esse sistema, guiado por GPS, expoe menos a
aeronave a riscos, pois e' mais preciso no alvo, similar a um missil." O
custo do sistema, segundo o executivo, deve ser da ordem de US$ 25 mil.
"Os motores do VSB-30 e o sistema de guiamento e planeio de bombas vao
gerar bastante demanda na area de engenharia da empresa e a nossa
expectativa e' a de contratar cerca de 10 engenheiros em 2010 para
trabalharem nos novos projetos", diz. Alem dos novos projetos, a Friuli
fornece pecas para a marinha, como conteineres para armazenamento e
transporte do missil mar-ar Aspide. Ainda no segmento aeroespacial, a
Friuli produziu tres maquetes de 40 metros de altura do foguete Cyclone
4, da Ucrania. As maquetes serao utilizadas na campanha de divulgacao do
lancador ucraniano pelo mundo. O Brasil assinou um acordo com a Ucrania
para lancar os foguetes da familia Cyclone a partir do CLA (Centro de
Lancamento de Alcantara), no Maranhao. ( Fonte: Virginia Silveira, Valor
Economico )
Ed: CE
ORCAMENTO DO PROGRAMA ESPACIAL EM 2010: ANALISE
08/01/2010. Como informamos em 24 de dezembro de 2009, o Congresso
Nacional aprovou o orcamento de R$ 293 milhoes para a Agencia Espacial
Brasileira (AEB) em 2010, um consideravel aumento se comparado 'a
destinacao de 2009. Prometemos fazer uma analise detalhada sobre a
destinacao dos recursos aprovados, o que fazemos agora. Tomamos por base
nesta analise as pecas orcamentarias enviadas pelo Governo Federal ao
Congresso Nacional, e nao a aprovada pelo Legislativo. Existe a
possibilidade de que a versao final, a ser sancionada pelo Presidente da
Republica, tenha algumas alteracoes em relacao 'as versoes enviadas pelo
Executivo. Uma fonte familiarizada com as questoes orcamentarias do
Programa Espacial, no entanto, disse ao blog que as alteracoes feitas
pelo Congresso foram minimas, se e' que houve alguma. O montante
destinado ao Programa Espacial Brasileiro tende a ser maior que os R$
293 milhoes da AEB. Alem do orcamento da Agencia Espacial, o Ministerio
da Ciencia e Tecnologia tambem destinou alguns recursos para projetos
executados por entidades ligadas ao Programa, como previsao de tempo e
estudos climaticos (R$ 15,67 milhoes), e monitoramento ambiental por
satelites da Amazonia (R$ 3,85 milhoes), executados pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre outros. Fora do orcamento
da AEB, tambem estao R$ 50 milhoes do Ministerio da Ciencia e
Tecnologia, que serao utilizados na participacao da Uniao no capital
social da Alcantara Cyclone Space - ACS. Abaixo, destacamos os
principais projetos/destinacoes e valores que estao no orcamento da AEB:
- Operacao e atualizacao do Laboratorio de Integracao e Testes (LIT), do
INPE: R$ 3,5 milhoes - Gestao e administracao do programa: R$ 14 milhoes
- Funcionamento de infraestrutura de apoio 'as atividades espaciais: R$
24,4 milhoes - Desenvolvimento de satelites de comunicacao e
meteorologia: R$ 200 mil - Pesquisa em Ciencia Espacial: R$ 3,1 milhoes
- Controle de satelites, recepcao, geracao, armazenamento e distribuicao
de dados: R$ 11,2 milhoes - Apoio a projetos de Pesquisa e
Desenvolvimento no setor Espacial: R$ 2,35 milhoes - Desenvolvimento e
lancamento de satelites tecnologicos de pequeno porte: R$ 1,76 milhoes -
Pesquisa e aplicacoes de dados de satelites de Observacao da Terra: R$
2,545 milhoes - Desenvolvimento de produtos e processos inovadores para
o setor Espacial: R$ 5 milhoes - Desenvolvimento de Veiculos Lancadores
de Satelites (VLS): R$ 34,7 milhoes - Desenvolvimento e lancamento de
foguetes de sondagem: R$ 3,5 milhoes - Pesquisa e Desenvolvimento em
tecnologias associadas a veiculos espaciais: R$ 13 milhoes - Satelite
Lattes: R$ 5 milhoes - Satelite GPM-Br: R$ 2 milhoes - Satelite Amazonia
1: R$ 40 milhoes - Desenvolvimento do satelite MAPSAR: R$ 8,75 milhoes -
Satelite CBERS 3: R$ 68,4 milhoes - Satelite CBERS 4: R$ 7 milhoes -
Implantacao do Complexo Espacial de Alcantara (CEA): R$ 39,7 milhoes
Ministerio da Defesa e Comando da Aeronautica Outros projetos, nao
vinculados ao Programa Espacial, mas que envolvem atividades espaciais
tambem receberao recursos. No orcamento do Ministerio da Defesa, constam
pouco menos de R$ 18,4 milhoes para a manutencao do Sistema de
Comunicacoes Militares por Satelite (SISCOMIS) e outros R$ 7 milhoes
para a sua implantacao. Ha' tambem uma destinacao de R$ 2,5 milhoes para
"sensoriamento remoto para apoio 'a inteligencia", recursos que
provavelmente serao utilizados na compra de imagens de satelites. Dentro
da rubrica do Comando da Aeronautica, foram destinados R$ 4,52 milhoes
para a operacao do Centro de Lancamento da Barreira do Inferno (CLBI), e
outros R$ 3 milhoes para o Centro de Lancamento de Alcantara (CLA), alem
de recursos para treinamento e oriundos do Fundo Aeronautico. ( Fonte:
Andre Mileski, Panorama Espacial )
Ed: CE
O BRASIL VISTO DO ALTO
12/01/2010. Um pais de dimensoes continentais como o Brasil nao pode
prescindir de investimentos neste setor, defende a Agencia Espacial
Brasileira. O pais tem aptidao para a conquista do espaco e pode pagar
caro no futuro se nao aumentar os investimentos. Para melhor analisar um
pais de dimensoes continentais como o Brasil e promover o seu
desenvolvimento, e' imprescindivel acessar informacoes que somente podem
ser obtidas a partir do espaco. Os beneficios perpassam diferentes
areas, indo muito alem das comunicacoes que nos permitem falar ao
telefone ou assistir a um jogo da Copa do Mundo na Africa do Sul. Ha'
questoes de soberania envolvidas que vao desde a fiscalizacao de
fronteiras e do litoral, passando pelo controle do desmatamento na
Amazonia, pelo monitoramento de areas agricolas e dos recursos naturais
do pais, pela oferta de educacao a distancia, ate' o desenvolvimento de
produtos industriais de maior valor agregado. Decadas atras havia quem
captasse credito rural (verba que e' subsidiada pelo governo) e meses
depois alegasse a impossibilidade de pagar a divida porque a safra teria
sido totalmente perdida. Na verdade, a pessoa sequer havia plantado
alguma coisa, mas nao era possivel provar. Esse golpe hoje e' impossivel
de ocorrer. Os satelites nao deixam mentir. Alem de saber se a pessoa
plantou ou nao, pode-se checar se houve alguma anormalidade climatica na
regiao, como uma tremenda chuva de granizo, capaz de exterminar mesmo
uma safra inteira. Por falar em agricultura, hoje o satelite
meteorologico que proporciona as melhores imagens do territorio
brasileiro e' o norte-americano Goes. Ele faz uma varredura do disco
terrestre e disponibiliza os dados entre cada 15 e 30 minutos. Porem seu
proprietario – o governo dos Estados Unidos – cancela a varredura do
hemisferio sul caso sinta necessidade de reforcar o monitoramente da
parte Norte. E isso de fato ja' aconteceu. O Goes foi deslocado por
questoes de seguranca apos o 11 de Setembro e durante a passagem do
furacao Katrina, causando enormes prejuizos ao agronegocio brasileiro,
que foi privado de informacoes detalhadas sobre o tempo. Portanto, um
pais pode comprar dados estrategicos de sistemas espaciais estrangeiros
ou promover o seu proprio conhecimento. O Brasil escolheu a segunda
opcao, capaz de levar 'a autonomia da nacao no futuro, ainda que por
enquanto os recursos sejam escassos para recuperar 22 anos de atraso.
Neste periodo, paises que ate' entao estavam aquem em conhecimento
espacial deram uma guinada e ultrapassaram o Brasil. A India comecou seu
programa mais ou menos na mesma epoca do Brasil. Nao passou por altos e
baixos e hoje investe US$ 1 bilhao. A Argentina tambem avancou em alguns
aspectos, como em subsistemas de satelites. Em 2009, o governo federal
esta' investindo R$ 282,3 milhoes no Programa Nacional de Atividades
Espaciais (Pnae). Pouco. Seriam R$ 350 milhoes, se o Congresso Nacional
nao tivesse cortado uma parte do previsto. Ate' a pequenina Holanda
gasta mais do que o Brasil (US$ 160 milhoes, em 2006, ante os US$ 100
milhoes do Brasil naquele mesmo ano). Nao obstante, "para entrar no rol
dos paises mais influentes do planeta, o Brasil nao pode prescindir de
investimentos em espaco, se nao estariamos nas maos dos principais
paises opositores", afirma o presidente da Agencia Espacial Brasileira
(AEB), Carlos Ganem, orgao vinculado ao Ministerio da Ciencia e
Tecnologia, responsavel pelo ordenamento da politica do setor e pelo
acompanhamento das acoes do Pnae. Se a opiniao soa um exagero, vale
lembrar que a Uniao Europeia e a Russia tratam de buscar autonomia em
varias vertentes espaciais, ate' mesmo com o desenvolvimento de sistemas
proprios de navegacao por satelite. Para nao depender do GPS, que e'
formado por satelites norte-americanos, a Uniao Europeia lancou o
Galileo, e a Russia, o Glonass, ao qual o Brasil firmou cooperacao em
2009, por considerar este segmento estrategico. Brasil tem aptidao
espacial – O Brasil tem vantagens geograficas e recursos humanos
suficientes para apostar na industria espacial, inclusive
comercialmente, por meio de instituicoes publicas e empresas privadas, o
que retroalimentaria o setor. Seria conquistar seu espaco num dos
segmentos tecnologicos de maior valor agregado do planeta. Em 2008, o
mundo movimentou US$ 1,97 bilhao somente com lancamento de satelites,
uma area em que o Brasil apresenta uma vantagem comparativa invejavel,
devido 'a sua posicao geografica. Ao todo, apenas nove paises apresentam
capacidade de lancamento de satelite, e o Brasil e' um deles. Com a
entrada em operacao regular da base de lancamentos de Alcantara, no
Maranhao, Carlos Ganem calcula que o pais ganhara' de 5% a 10% deste
mercado, daqui a dois anos. Ou seja, US$ 190 milhoes – mais do que o
programa espacial brasileiro tem hoje. Pode gerar um quadro
importantissimo de receitas que estimulariam as novas etapas do
programa, calcula o presidente da AEB. "E' importante reconhecer que o
Brasil tem aptidao nesta area", afirma Ganem, que luta por verbas de R$
942 milhoes em 2010. Segundo ele, o pais precisa ter uma atividade
espacial forte, compativel com a excelente mao-de-obra que, ha' anos, e'
formada em institutos como ITA, IME, INPE, nas universidades federais e
nos centros especializados nacionais. Mas, em funcao dos escassos
investimentos internos, boa parte desta mao-de-obra faz doutorado no
exterior, onde acaba servindo aos programas espaciais de terceiros.
"Queremos que o Brasil nao seja apenas exportador de commodities. Temos
competencia na area espacial para suprir as nossas necessidades e
exportar", acrescenta o diretor de Satelites, Aplicacoes e
Desenvolvimento da AEB, Thyrso Villela. Entre os ganhos prometidos
esta', alem da autonomia, a geracao de empregos de alta capacitacao. "Se
o Brasil nao investir no setor espacial, pode vir a enfrentar perdas
economicas e sociais muito grandes", afirma, por sua vez, o astrofisico
Joao Braga, vice-diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) e
vice-presidente da Sociedade Astronomica Brasileira (SAB), entidade que
reune os cientistas da area. As perdas viriam da dependencia do pais,
que ficaria 'a merce' da disponibilidade de satelites estrangeiros para
prover informacoes estrategicas 'a sociedade. Alem disso, a compra
dessas imagens do exterior pode se dar a custos altos demais para o
pais. Quatro funcoes basais do setor – Sao quatro as funcoes basais do
setor espacial, conforme relata o presidente da AEB. Em primeiro lugar,
vem os aspectos ligados ao gigantismo do Brasil, que requer
monitoramento constante. Por isso, foi criado o Programa de Satelite
Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers), que gerou a maior
politica de imageamento gratuito da Terra. Com ele, Golias teve de se
curvar diante de David, compara Carlos Ganem. E' que o satelite Landsat,
norte-americano, deixou de cobrar pelas imagens apos a gratuidade
lancada pelo Cbers. A segunda funcao e' meteorologica, permitindo
antever situacoes anomalas, entre elas, os impactos ambientais
provocados pelas mudancas climaticas. A terceira relaciona-se ao
controle do trafego aereo; e a quarta funcao basal, 'as comunicacoes,
que influencia ate' na ampliacao de redes de ensino a distancia num pais
continental como o Brasil. Parte desta ultima funcao e' resolvida
comercialmente pelas empresas do segmento e parte via politicas
publicas. A estrategia atual aponta para o pais o desenvolvimento da
cadeia espacial completa, que envolve o tripe' foguete, satelite e
centro de lancamento, o que colocara' o Brasil em condicoes
privilegiadas. O Pnae caminha nesta direcao e, a despeito do reduzido
orcamento, tem conseguido resultados mensuraveis. Permitiu o
desenvolvimento (em fase final e protagonista de um grave acidente com
vitimas em 2003) do Veiculo Lancador de Satelites (VLS), que sera' capaz
de colocar em orbita satelites de observacao da Terra, em altitudes de
ate' 1.000 km. Levou 'a construcao de dois centros de lancamento:
Barreira do Inferno (RN) e Alcantara (MA); e, atualmente, o pais ja'
registra avancos tecnologicos na construcao de satelites. Ainda sobre
foguetes, em 2006 foi criada a empresa binacional (Brasil e Ucrania)
Alcantara Cyclone Space (ACS), responsavel pela comercializacao e
operacao de servicos de lancamento utilizando o veiculo lancador
Cyclone-4. A empresa pretende ter um centro proprio de lancamento na
area de Alcantara, atualmente em fase de negociacao por questoes
fundiarias e sociais. Ja' os satelites possuem o seu proprio ciclo de
producao. No Brasil, um dos avancos recentes foi a construcao, pela
primeira vez no pais, das cameras espaciais que serao usadas pelos
proximos satelites Cbers. A empresa vencedora da licitacao enfrentou
inumeros desafios, a comecar pela barreira legal dos Estados Unidos,
onde ha' anos uma lei (Itar, International Traffic in Arms Regulations)
proibe a exportacao de artigos militares e de defesa. A extensa lista
inclui componentes eletronicos para cameras oticas satelitais. Os EUA
querem que este conhecimento estrategico fique restrito aos seus
proprios projetos. Satelites oticos, radares e raios-X – Existem
satelites oticos, ou seja, que veem o que nossos olhos enxergam. Sao
estes que estao no espaco enviados pelo Brasil. Os proximos do genero
serao os sino-brasileiros Cbers-3 e 4 (satelites costumam ter vida util
de no maximo 15 anos). Tambem faz parte do programa espacial o
Amazonia-1, tambem otico, porem este sera' o mais brasileiro de todos.
Esta' em construcao com o maximo de autonomia possivel. Todos eles sao
satelites de sensoriamento remoto, capazes de mapear o nosso territorio.
Atualmente, cerca de 250 imagens enviadas pelo Cbers 2B sao requisitadas
diariamente pelas mais diversas instituicoes publicas e privadas,
interessadas em monitorar, por exemplo, o crescimento urbano, uma area
agricola, os recursos hidricos de determinada regiao, o desmatamento na
Amazonia Legal etc. Entretanto, por serem oticos, eles enfrentam
barreiras 'a sua "visao", entre elas, nuvens ou a copa de uma arvore.
Por isso, existem tambem os satelites-radares, capazes de enxergar alem
das barreiras, imageando abaixo das copas das arvores, atingindo o solo,
o que sera' particularmente importante para o monitoramento da Amazonia
e dos recursos naturais do pais. Atualmente, a AEB faz os estudos de
viabilidade prevendo lancar o primeiro satelite-radar nacional em 2014.
Sao poucas as nacoes do mundo que dominam esta tecnologia, e o Brasil
quer ser um deles no futuro. Por isso, o primeiro satelite do genero
ainda demorara' pelo menos cinco anos. O projeto precisara' da
colaboracao internacional, algumas pecas serao importadas, mas a AEB
quer que a industria nacional seja responsavel pela maior parte da
construcao. Na verdade, atende 'a mesma estrategia de promover a
capacitacao interna do setor, ja' levada a cabo, por exemplo, na parte
nacional dos proximos Cbers e no Amazonia-1. Tambem esta' incluido no
programa o primeiro satelite cientifico do pais, capaz de estudar a
atmosfera e de alcar o Brasil 'a era do conhecimento astronomico. O
Mirax, cujo projeto e' coordenado por Joao Braga, do Inpe, trabalhara'
na faixa do invisivel ao olho humano, por isso, levara' consigo pelo
menos duas cameras de raios-X a serem construidas no Inpe, em parceria
com a industria nacional. O custo do projeto e' de R$ 10 milhoes, sem
considerar os gastos com o lancamento. "Uma caracteristica importante da
missao e' que os dados serao tornados publicos imediatamente apos a
producao dos principais produtos de dados. Portanto, a missao nao tera'
dados proprietarios e as comunidades cientificas nacional e
internacional poderao se beneficiar de maneira aberta e imediata",
explica Joao Braga. O objetivo do Mirax e' observar o ceu em raios-X de
uma maneira nunca antes realizada. "Sendo uma pequena missao, o Mirax
nao se compara em tamanho e complexidade a outros grandes observatorios
de raios-X ja' colocados em orbita ou em planejamento, como o Chandra
(EUA) ou o XMM (UE), mas suas caracteristicas vao proporcionar
resultados cientificos importantes e competitivos, em grande parte
complementares aos obtidos por essas grandes missoes", esclarece o
vice-diretor do Inpe. O Mirax ira' observar, na maior parte do tempo
(cerca de nove meses por ano), a regiao central da Via Lactea, com o
objetivo de estudar fenomenos astrofisicos que ocorrem nas vizinhancas
de objetos colapsados estrelas de neutrons e buracos negros. Ao
contrario de outras missoes espaciais de astronomia de raios-X, que
observam determinadas regioes do ceu por curtos periodos de tempo, o
Mirax estara' especialmente capacitado para investigar em detalhe
fenomenos que envolvem variabilidade na emissao de raios-X em escalas de
tempo que vao desde fracoes de segundo ate' meses, revela Braga. Sob a
orientacao do Inpe, a industria nacional desenvolve ainda a plataforma
multimissao (PMM), uma especie de caminhao em cuja cacamba podera' ser
levado um satelite por vez. O Amazonia-1, o Mirax e o satelite-radar
estao programados para a PMM. "A ideia e' baratear os custos", afirma
Thyrso Villela, da AEB. PPP espacial – Para viabilizar outros projetos,
a Agencia realiza estudos sobre a possibilidade de lancar parcerias
publico-privadas (PPPs) para o setor. Um dos objetivos e' desenvolver um
satelite militar de comunicacoes, tendo em vista o Brasil hoje alugar
transponder no Star One. "Em geral, os paises possuem seus proprios
satelites para fins de comunicacao militar e estrategicas", observa o
diretor da AEB. Segundo ele, embora empresas particulares arquem com o
investimento em uma PPP, o controle do sistema sera' publico. Caso a
legislacao permita e haja interesse economico tanto para o investidor
quanto para o governo, podera' ser lancada uma PPP tambem para um
satelite meteorologico. No campo meteorologico, o Inpe estuda a
viabilidade de o Brasil integrar o programa Global recipitation Measure
(GPM), uma constelacao de 12 satelites, capaz de obter informacoes sobre
precipitacao em qualquer lugar do globo em no maximo tres horas. O
programa e' liderado pelas agencias espaciais do Japao (Jaxa) e dos
Estados Unidos (Nasa), com a participacao de outros paises. "Em termos
meteorologicos, o Brasil esta' bem avancado. Fazemos previsoes
comparaveis 'as melhores do mundo e ainda estamos para receber um novo
supercomputador. O que falta e' um satelite nosso, com uma cadencia
melhor e livre da interferencia de terceiros", esclarece Thyrso Villela.
Espaco e sociedade – O conhecimento espacial vai ainda bem alem das
aplicacoes diretas descritas ate' aqui. A tecnologia muitas vezes e'
aproveitada para outros fins, num processo que ja' gerou produtos como
microondas e o aparelho celular. Sao os chamados spin-offs (leia
exemplos em: Spin-offs brasileiros). A sociedade tambem se beneficia por
meio de servicos possiveis gracas ao investimento no setor. Sao tantas
as possibilidades que o Inpe criou o Programa Espaco e Sociedade, com o
objetivo de difundir a aplicacao do conhecimento em varias areas. Os
problemas sociais, ambientais e economicos brasileiros podem ser mais
bem enfrentados a partir dos dados gerados no espaco. A Prefeitura
conseguira' planejar melhor o crescimento urbano, o setor de saude
publica tera' melhor controle de endemias; a Defesa Civil podera'
avaliar melhor sistemas emergenciais; os orgaos ambientais terao acesso
a informacoes cruciais sobre areas em processo de desertificacao. Enfim,
as aplicacoes sao muitas. Como frisa Carlos Ganem, "investir tao pouco
para ter tanto beneficio". Tecnologia de ponta O desenvolvimento da
camera MUX (foto ao lado), destinada aos satelites Cbers-3 e 4, permitiu
'a Opto Eletronica, situada em Sao Carlos (SP), dar um salto tecnico sem
precedentes. Foi a primeira do genero produzida inteiramente no Brasil.
A conclusao do projeto levou quatro anos e meio e envolveu diretamente
60 tecnicos e cientistas, sendo 28 com mestrado ou doutorado. Ao final
desse periodo, a Opto nao apenas entregou a camera com sucesso, como
obteve beneficios tambem em outras areas da empresa. O conhecimento
adquirido no projeto levou a Opto a competir interna e externamente com
a Canon, com a Zeiss e outras grandes concorrentes estrangeiras na area
medico-oftalmica, que requer, por exemplo, equipamentos a laser para
retina, dentre outros produtos que usam otica de precisao. Ate' entao, a
Opto nao conseguia competir por causa de seus custos elevados e nao
entendia como essas multinacionais podiam praticar precos bem mais
baixos. Programa espacial beneficia outras areas "Descobrimos que nossos
concorrentes tem um pe' nos programas militares e espaciais. Eles usam a
mesma equipe destes projetos tambem na area medica. Hoje entendemos a
importancia do programa espacial, e a mesma equipe da MUX acompanha
nossos projetos medicos e industriais", conta o diretor de Pesquisa e
Desenvolvimento da Opto, Mario Antonio Stefani, engenheiro com doutorado
em fisica. Vencedora da licitacao lancada pelo Inpe em 2004, a empresa
enfrentou muitos obstaculos durante o desenvolvimento da camera. Um
deles atrasou o programa em um ano. A Opto comprou um componente
eletronico de uma empresa norte-americana, que apenas na hora de
despachar o item para o Brasil soube que estava legalmente impedida de
exportar aquele artigo. O item consta na listagem estabelecida pela lei
conhecida como Itar (International Traffic in Arms Regulations), que
regula o comercio de artigos militares e de defesa. Felizmente, a
empresa dos EUA devolveu pelo menos o dinheiro ja' pago na ocasiao.
"Tivemos que buscar alternativas na Asia, na Europa e encontramos nosso
caminho", afirma o diretor da Opto, empresa que deve desenvolver tambem
a camera do Amazonia-1. Para produzir as duas MUX (os chineses tambem
estao desenvolvendo outras duas), destinadas ao monitoramento ambiental
e gerenciamento de recursos naturais, a Opto recebeu recursos da
Fundacao Amparo 'a Pesquisa do Estado de Sao Paulo (Fapesp) e da
Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A Finep, vinculada ao
Ministerio da Ciencia e Tecnologia, repassou R$ 19 milhoes, a maior
parte a fundo perdido, por meio do Programa de Subvencao Economica,
lancado em agosto de 2006, com o objetivo de promover um significativo
aumento das atividades de inovacao e o incremento da competitividade das
empresas e da economia do pais. Assim, e' possivel ao Estado brasileiro
aplicar em empresas recursos publicos nao reembolsaveis e compartilhar
com elas os custos e riscos inerentes a tais atividades. No caso das
cameras MUX, sem esta politica o Brasil teria que compra-las do
exterior. Alem do custo, esta opcao teria mantido o Brasil
tecnologicamente atrasado. Utilidades dos programas espaciais • Controle
do desmatamento • Previsao de safras • Previsao do tempo • Mitigacao de
desastres naturais, incluindo desertificacao • Mapeamento • Comunicacoes
comerciais, militares e estrategicas • Saude publica (ex.: sistemas de
vigilancia epidemiologica e de endemias) • Educacao a distancia •
Vigilancia • Planejamento e gestao de cidades • Seguranca publica
(analises com dados espaciais) • Zoneamento ecologico e economico •
Gestao de recursos hidricos e energeticos • Navegacao maritima, aerea e
fluvial • Turismo e negocios • Experimentos cientificos e tecnologicos
em ambiente de microgravidade • Entre outras. Spin-offs brasileiros
Spin-offs sao as tecnologias espaciais transferidas para as industrias.
Muitas aplicacoes vindas do espaco ja' sao bastante conhecidas, como
microondas, aparelho celular, TV via satelite, tecido sintetico, oculos
com protecao UV etc. A seguir, destacamos algumas aplicacoes
tecnologicas menos famosas, desenvolvidas no Brasil. - PBHL Resina
brasileira desenvolvida pelo Instituto de Aeronautica e Espaco (IAE),
hoje usada tambem na fabricacao de calcados por garantir maior
resistencia 'as espumas e maior suporte de peso 'as palmilhas. Usada
ainda nas industrias da borracha, de espuma, eletroeletronica e na
construcao civil. A aplicacao em outros setores foi desenvolvida pela
Petroflex. PBHL e' a abreviatura de polibutadieno liquido hidroxilado. -
Aco 300M Aco de ultra-resistencia, desenvolvido no Brasil pelo IAE em
parceria com a Eletrometal, Usiminas e Acesita. Apos quatro anos de
pesquisas, chegou-se a um aco de menor peso e maior resistencia, numa
solucao internacional inedita. Alem do uso em foguetes, e' aplicado em
trens de pouso de avioes comerciais, como os da norte-americana Boeing,
que importa o produto do Brasil. - Equipamento medico A Cenic, empresa
aeroespacial de Sao Jose' dos Campos, desenvolveu um novo tipo de anel
ilizarov, equipamento medico usado no tratamento de fraturas expostas.
Com o aproveitamento de sobras de fibra de carbono destinadas a pecas de
satelites, o equipamento ficou mais leve e radiotransparente, ou seja,
invisivel ao raios-X. - Detectores plasticos Verificam niveis de
radiacao. Utilizados em telescopios para estudos de astrofisica,
passaram por uma adaptacao, podendo identificar niveis de desnutricao do
ser humano. A tecnologia foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas
Energeticas e Nucleares (Ipen), em parceria com o Inpe. ( Fonte: Silvia
Noronha/Revista Rumos )
Ed: CE
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ASTRONOMIA NO MUNDO
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MISSOES AO PLANETA VERMELHO COMPLETAM 50 ANOS
11/01/2010. Marte ja' foi quente e umido o suficiente para suportar a
existencia de lagos de agua em estado liquido. As evidencias foram
obtidas atraves de imagens da sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da
Agencia Espacial Americana (Nasa, sigla em ingles), que se encontra
atualmente em orbita do planeta, e publicadas na edicao de janeiro da
revista cientifica "Geology". A sonda e' uma das muitas que foram
enviadas ao planeta vermelho desde 1960. Por ser um mundo onde a vida
poderia ter evoluido, Marte e' uma especie de menina dos olhos dos
cientistas que atuam na area de exploracao espacial. Os Estados Unidos
planejam fazer uma viagem tripulada ao planeta ainda na primeira metade
deste seculo. No entanto, as viagens nao-tripuladas ao planeta vermelho
comecaram ha' 50 anos. Em 1960, a antiga Uniao Sovietica (URSS) tentou
enviar a primeira sonda espacial 'a Marte, inaugurando a era das missoes
espaciais ao planeta vermelho. Foram quatro anos de tentativas. Os
americanos entraram nesta corrida dois anos depois e acabaram chegando
antes com a Mariner 4. Lancada em novembro de 64 pela Nasa, a Mariner 4
foi a primeira sonda a passar pela orbita de Marte - numa distancia de
cerca de 9.900 quilometros do planeta vermelho - em julho de 1965. A
Mariner 4 fez 22 fotos de Marte, descobriu crateras e confirmou a
presenca de uma atmosfera tenue. Os sovieticos tiveram relativo sucesso
em 1971, com a Mars 2, que transmitiu dados ate' 1972. Uma parte da
sonda destinada a pousar na superficie do planeta apresentou falhas
durante a descida e foi destruida ao chocar-se com o solo sem retornar
nenhum dado. Mesmo assim, tornou-se o primeiro objeto feito pelo homem a
tocar a superficie de Marte. No mesmo ano, 1971, com a missao Mars 3, a
URSS conseguiu fazer com que uma sonda pousasse por la', mas os
equipamentos pararam de funcionar 20 segundos apos o pouso. Foi apenas
com as missoes Viking, em 1976, que uma sonda americana pousou em solo
marciano. As missoes Viking 1 e 2 tentaram encontrar microrganismos em
Marte, mas os resultados foram negativos. De qualquer modo, foram
colhidos 4.500 dados e imagens da superficie do planeta. Em 1997, a
missao Mars Global Surveyor, da Nasa, marcou o regresso a Marte apos
quase duas decadas de ausencia. Ate' 2005, a missao ja' tinha enviado
mais informacao do que todas as outras missoes juntas. Atualmente a Mars
Reconnaissance Orbiter, lancada em agosto de 2005, tem a finalidade de
procurar evidencias de existencia de agua. Os resultados agora
apresentados poderao vir a ter importantes implicacoes para a area da
astrobiologia e para os cientistas que continuam 'a procura de
evidencias de existencia de vida em Marte. ( Fonte: Jornal do Brasil )
Ed: CE
NOVA PESQUISA RESOLVE CONFLITO NA TEORIA DE COMO SE FORMAM AS GALAXIAS
13/01/2010. Por mais de duas decadas, a teoria da materia escura fria
tem sido usada pelos cosmologistas para explicar como o Universo liso,
nascido do Big Bang tem mais de 13 bilhoes de anos, evoluiu na rede
cosmica filamentar e rica em galaxias conforme hoje vemos. Havia apenas
um problema: a teoria sugeria que a maioria das galaxias deveriam ter
mais estrelas e materia escura em seus nucleos do que aquela que na
realidade tem. O problema e' mais marcado para as galaxias anas, as
galaxias mais comuns na nossa vizinhanca celeste. Cada uma delas contem
menos de 1% de estrelas que as grandes galaxias como a Via Lactea.
Agora, uma equipe internacional de pesquisa, liderada por um astronomo
da Universidade de Washington (UW), reporta na edicao de Nature de 14 de
janeiro de 2010, que resolveu o problema usando milhoes de horas de
supercomputadores para rodar simulacoes de formacao de galaxias (1
milhao de horas sao mais de 100 anos). As simulacoes produziram galaxias
anas bem mais parecidas com aquelas observadas hoje pelos satelites e
pelos grandes telescopios em todo o mundo. "A maioria dos trabalhos
previos incluiam apenas uma simples descricao de como e onde se formavam
as estrelas nas galaxias, ou uma formacao estelar completamente
desordenada", diz Fabio Governato, professor de astronomia associado 'a
pesquisa na UW e autor lider do artigo de Nature. "Em lugar disso, nos
realizamos novas simulacoes pelo computador, rodando em varias
instalacoes de supercomputadores nacionais, e incluimos uma melhor
descricao de como e onde acontece a formacao de estrelas nas galaxias".
As simulacoes mostraram que na medida em que a maioria das novas
estrelas mais massivas explodiram como supernovas, as explosoes geraram
enormes ventos que barreram grandes quantidades de gas do centro das que
tornar-se-iam galaxias anas, impedindo que se formassem milhoes de novas
estrelas. Com tal quantidade de massa de repente removida do centro da
galaxia, a forca da gravidade sobre a materia escura diminuiu e a
materia escura conseguiu fugir, diz Governato. E' similar com o que iria
acontecer se o Sol de repente desaparecera e a perda da sua forca
gravitacional permitira que a Terra fugisse para o espaco. ( Fonte:
http://uwnews.org/article.asp?articleID=54791 )
Ed: JG
CAPTURADO O PRIMEIRO ESPECTRO DE UM EXOPLANETA DE FORMA DIRETA
13/01/2010. Ao estudar um sistema planetario triplo que se parece um
pouco com uma versao aumentada da familia de planetas que orbita o nosso
proprio Sol, os astronomos obtiveram o primeiro espectro direto - "uma
impressao digital quimica"- de um planeta em orbita de uma estrela
distante, adquirindo assim informacao nova sobre a formacao e composicao
do planeta. Este resultado representa um marco na procura de vida no
Universo. "O espectro de um planeta e' como uma impressao digital.
Fornece-nos informacao importante acerca dos elementos quimicos que se
encontram na sua atmosfera," diz Markus Janson, primeiro autor do artigo
que relata a nova descoberta. "Com esta informacao, podemos compreender
melhor como e' que o planeta se formou e, no futuro, poderemos
inclusivamente descobrir possiveis marcas da presenca de vida." Os
investigadores obtiveram o espectro de um exoplaneta gigante que orbita
HR 8799, uma estrela muito jovem e brilhante. O sistema encontra-se a
cerca de 130 anos-luz da Terra. A estrela tem 1,5 vezes a massa do Sol,
e alberga um sistema planetario que se assemelha a um modelo em larga
escala do nosso proprio Sistema Solar. Tres planetas gigantes
companheiros foram detectados em 2008 por outra equipe de
investigadores, com massas compreendidas entre 7 e 10 vezes a massa de
Jupiter. Estao entre 20 e 70 vezes mais afastados da sua estrela
hospedeira do que a Terra esta' do Sol; o sistema possui tambem dois
cinturoes de objetos menores, semelhantes aos cinturoes de asteroides e
de Kuiper do nosso Sistema Solar. "O nosso alvo era o planeta no meio
dos tres, que tem aproximadamente 10 vezes a massa de Jupiter e
apresenta uma temperatura de cerca de 800 graus Celsius," diz o membro
da equipa Carolina Bergfors. "Apos mais de cinco horas de tempo de
exposicao, conseguimos retirar o espectro do planeta da radiacao da
estrela, que e' extremamente mais brilhante." Esta e' a primeira vez que
o espectro de um exoplaneta orbitando uma estrela normal do tipo solar
foi obtido de forma direta. Anteriormente, os unicos espectros obtidos
necessitavam que um telescopio espacial observasse a passagem de um
exoplaneta por detras da estrela central, num chamado "eclipse
exoplanetario". Seguidamente, o espectro podia ser obtido comparando a
radiacao vinda da estrela antes e depois do referido eclipse. No
entanto, este metodo so' pode ser aplicado se a orientacao da orbita do
exoplaneta e' a exata, o que acontece apenas para uma pequena fracao de
todos os sistemas exoplanetarios. O presente espectro, por outro lado,
foi obtido a partir do solo, utilizando o Very Large Telescope(VLT) da
organizacao Observatorio Europeu Austral, ESO, em observacao direta, que
nao depende da orientacao da orbita. Este e' um resultado
extraordinario, uma vez que a estrela central e' milhares de vezes mais
brilhante que o planeta. "E' como tentar ver de que e' feita uma vela,
observando-a a uma distancia de dois quilometros, e ao pe' de uma
lampada tremendamente brilhante de 300 Watts", diz Janson. Esta
descoberta foi possivel gracas ao NACO, instrumento que trabalha no
infravermelho, montado no VLT, e apoiou-se largamente nas capacidades
extraordinarias do sistema de optica adaptativa do instrumento.
Espera-se obter imagens e espectros ainda mais precisos de exoplanetas
gigantes com o instrumento de proxima geracao SPHERE, que sera'
instalado no VLT em 2011, e com o European Extremely Large Telescope. Os
novos dados mostram que a atmosfera que envolve o planeta e' ainda mal
compreendida. "As riscas observadas no espectro nao sao compativeis com
os modelos teoricos atuais", explica o co-autor Wolfgang Brandner. "E'
preciso levar em conta uma descricao mais detalhada das nuvens de poeira
atmosferica, ou alternativamente, aceitar que a atmosfera tem uma
composicao quimica diferente da anteriormente prevista". Os astronomos
esperam ter rapidamente as impressoes digitais dos outros dois planetas
gigantes, de modo a poderem comparar, pela primeira vez, os espectros de
tres planetas pertencentes ao mesmo sistema. "Deste modo iremos
certamente compreender melhor os processos que levam 'a formacao de
sistemas planetarios como o nosso", conclui Janson.
http://www.eso.org/public/news/eso1002/
Ed: JG
DETALHES SEM PRECEDENTES NA SUPERFICIE DA ESTRELA BETELGEUSE
10/01/2010. Por meio do uso da interferometria, uma equipe
internacional liderada por um astronomo do Observatorio de Paris (LESIA)
obteve uma imagem sem precedentes da superficie da estrela vermelha
supergigante Betelgeuse, na constelacao de Orion. A imagem revela a
presenca de duas manchas brilhantes gigantes, cujo tamanho e'
equivalente 'a distancia Terra-Sol. Elas cobrem grande parte da
superficie. Elas constiturm uma indicacao forte e direta, pela primeira
vez, da presenca de fenomenos de conveccao (transporte de calor pela
materia em movimento), em outra estrela diferente do Sol. Este resultado
permite-nos compreender melhor a estrutura e a evolucao das
supergigantes. ( Fonte:
http://www.obspm.fr/actual/nouvelle/jan10/betel.en.shtml )
Ed: JG
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EVENTOS
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13/10/2009 a 30/03/2010 - Astronomia na Biblioteca da Floresta: Como
parte das atividades do Ano Internacional da Astronomia 2009, e
celebrando os 40 anos da conquista da Lua, a Biblioteca da Floresta
realiza a exposicao "Paisagens Cosmicas", em parceria com o Grupo de
Astronomos do Acre, GAMA HIDRA, e com o apoio da Secretaria de Estado de
Educacao do Acre (SEE). A exposicao, conta com as seguintes atracoes: *
vinte paineis fotograficos de objetos celestiais, captados por lentes de
potentes telescopios e sondas espaciais que exploram o espaco, a mostra
convida o publico a um passeio pelo universo de beleza impar; * um
painel representativo do projeto arquitetonico do Centro Didatico de
Astronomia e Ciencias Afins do Acre, que contempla 'a implantacao de um
planetario e um observatorio astronomico; * maquete em comemoracao aos
40 anos do primeiro pouso lunar tripulado; * exposicao de telescopios; *
mobile do sistema solar; * esquemas no teto do salao principal com as 12
antigas constelacoes zodiacais. A exposicao se estendera' ate' marco de
2010 e esta' aberta ao publico todos os dias nos seguintes horarios:
Segunda a sexta-feira: das 8 'as 21 horas; Sabado: das 14 'as 20 horas;
Domingo e feriados: das 16 'as 20 horas. Mais informacoes no site:
http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/ ( Fonte: Francisco Carlos da
Rocha Gomes )
Ed: CE
07/09/2010 a 12/09/2010 - 35ª Reuniao Anual da SAB: a reuniao sera' no
Hotel Recanto das Hortensias, em Passa Quatro (MG), de 7 a 12 de
setembro. A data limite para inscricao e submissao de trabalhos sera' 10
de abril. Mais informacoes sobre a reuniao estarao disponiveis a partir
de 1º de marco, data a partir da qual as inscricoes poderao ser feitas,
no site: http://www.sab-astro.org.br/sab35/index.htm A Reuniao Anual da
SAB e' considerada uma oportunidade unica para os membros da sociedade
divulgarem e discutirem seus trabalhos diante de uma audiencia
multidisciplinar, que cobre todas as areas de pesquisa em astronomia no
Brasil. Segundo informe do Boletim da SAB, a cidade de Passa Quatro ja'
recebeu o evento em duas outras oportunidades. A cidade fica situada no
sudeste de Minas Gerais, a 248 km de Sao Paulo e 260 km do Rio de
Janeiro, a 50 km da Via Dutra, na altura de Cachoeira Paulista. ( Fonte:
JC )
Ed: CE
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