O professor e etnoastronomo Germano Bruno Afonso demonstra para estudantes como é possivel medir o raio da terra a partir da sombra projetada durante o equinocio.
Nos últimos dias as manchetes dos jornais têm registrado as mais altas temperaturas do ano na Amazônia. O etnoastronomo Germano Bruno Afonso, consultor do Museu da Amazônia – Musa, explica que esse fenômeno está relacionado com a posição do Sol, que nos equinócios (início da primavera e do outono) fica a pino, ou seja, forma um ângulo de 90º nas regiões da Linha do Equador. "Por meio de experimentos físicos demonstraremos que os movimentos aparentes do Sol são diferentes em várias regiões brasileiras, tendo implicações inclusive na meteorologia e na biodiversidade locais", antecipa Germano Afonso.
No dia 22 de setembro, das 11h30 às 12h serão realizados experimentos na Escola Estadual Santana (Avenida André Araujo, Aleixo, Manaus/AM), experiência que se repetirá em São Gabriel da Cachoeira/AM (que na linha do Equador) e na Escola Indígena Tengatui Marangatu, em Dourados/MS. Os alunos da Escola Estadual Santana, em Manaus, terão a oportunidade de participar da experiência em dois dias seguidos: 21 e 22, sempre perto do meio dia.
Somente nesse período é possível repetir, na Linha do Equador, a experiência concebida e realizada pela primeira vez pelo astrônomo grego Eratóstenes (276 a.C. - 194 a.C.) em Siena, atual Assuã, no Egito, quando ele obteve 6.254km para o raio de Terra. "Tendo em vista que o raio polar da Terra é igual a 6 357 km, o valor encontrado por Eratóstenes é bem próximo do real", afirma Germano Afonso.
Além do raio da Terra, as medições que serão obtidas nas experiências permitem determinar as distâncias entre as cidades, as latitudes e longitudes e as alturas do Sol em cada localidade envolvida. "Com isso podemos mostrar que enquanto em Siena, situada no Trópico de Câncer, o Sol passa a pino no dia do início do verão, em São Gabriel da Cachoeira, o Sol passa a pino duas vezes por ano, nos dias do início da primavera e do outono", constata Germano Afonso.
O etnoastronomo Germano Afonso lembra também que para a maioria das etnias indígenas do Brasil, a passagem do Sol a pino é uma data muito importante, pois eles consideram o ponto mais alto do céu como o domínio de seu deus superior e os quatro pontos cardeais como domínios dos deuses que o auxiliaram na construção do mundo e de seus habitantes.
A intenção do Musa é disponibilizar as informações coletadas por meio da internet para compartilhá-las com os interessados no assunto no Brasil e exterior. Assim, o Musa busca promover a divulgação científica e a educação, em particular da astronomia e da etnoastronomia na região equatorial. As experiências realizadas nos próximos dias fazem parte das comemorações pelo Ano Internacional da Astronomia, decretado pela Unesco em 2009, em virtude dos 400 anos da utilização do telescópio por Galileu para observar o cosmos.
Data de publicação no Boletim: 24/09/2009
Editor(a) responsável: Carlos Eduardo Contato (CE), Boletim Supernovas
Citação bibliográfica (ABNT):
O CAMINHO DO SOL NA AMAZÔNIA. Fonte original: Jane Dantas. Boletim Supernovas: Boletim Brasileiro de Astronomia, ed. 532, Set. 2009. Disponível em: < http://www.boletimsupernovas.com.br/edicao/532/noticia/2676/BSN_o-caminho-do-sol-na-amazonia.htm >. Acesso em: 10 Fev. 2012.
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