A Coréia do Sul realizou na manhã de hoje (25), o lançamento de seu primeiro veículo lançador de satélites, o KSLV-1 (Korean Space Launch Vehicle - 1), também chamado Naro. Aparentemente, a carga-útil transportada, o satélite científico STSAT 2, de 100 kg, foi colocada em órbita errada, a cerca de 360 km de altitude (a correta seria 300 km).
A Coréia do Sul deu início ao projeto do KSLV-1 em 2002, logo após a missão tripulada chinesa. Foram investidos cerca de US$ 420 milhões no projeto, que contou com forte suporte da empresa russa Khrunichev, que fabrica, dentre outros sistemas espaciais, o foguete Proton. O motor (RD-191) do primeiro estágio do lançador é fabricado pela Khrunichev.
Caso o lançamento sul-coreano seja considerado bem sucedido, o país asiático será a décima-primeira nação a entrar no clube de países capazes de colocar suas cargas úteis no espaço. Em 1957, a União Soviética (hoje, Rússia e Ucrânia) deu início à era espacial com o lançamento do Sputnik. No ano seguinte, os Estados Unidos lançaram o satélite Explorer, tendo sido acompanhado em seguida pela França, Japão, China, Reino Unido, Índia e Israel. Em fevereiro deste ano, o Irã se juntou ao clube com a inserção em órbita de um pequeno satélite experimental de comunicações, lançado pelo foguete Safir 2.
A vizinha Coréia do Norte também teria tentado lançar um satélite por meios próprios em abril deste ano, não alcançando sucesso. Há fontes que afirmam que na realidade o lançamento coreano seria na realidade um teste disfarçado de míssil intercontinental.
Outros países também têm ambições de entrar para o clube, como o Brasil. Desde a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), de 1979, o País conta com o projeto do VLS-1, que já teve três lançamentos, todos mal-sucedidos.
As razões para o insucesso brasileiro são diversas, como embargos internacionais, falta de recursos e indefinições políticas, dentre outras. Em sete anos, a Coréia do Sul atingiu os seus objetivos, graças a grandes investimentos e também por ter adotado um "atalho": a parceria com a russa Khrunichev.
O sucesso, ainda que parcial, do lançador sul-coreano mostra também a evolução industrial nos setores Aeroespacial e de Defesa do país asiático. Os coreanos hoje desenvolvem, fabricam e exportam sistemas sofisticados, como aviões de combate, satélites, helicópteros, mísseis e foguetes. Em 2008, por exemplo, o setor industrial aeroespacial e de defesa sul-coreano superou a cifra de US$ 1 bilhão em exportações.
Data de publicação no Boletim: 26/08/2009
Editor(a) responsável: Carlos Eduardo Contato (CE), Boletim Supernovas
Citação bibliográfica (ABNT):
CORÉIA DO SUL ENTRA PARA O CLUBE. Fonte original: Andre Mileski. Boletim Supernovas: Boletim Brasileiro de Astronomia, ed. 528, Ago. 2009. Disponível em: < http://www.boletimsupernovas.com.br/edicao/528/noticia/2620/BSN_coreia-do-sul-entra-para-o-clube.htm >. Acesso em: 10 Fev. 2012.
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