Notícia
BSN edição 528 (27/08/2009 a 03/09/2009)
sessão ASTRONOMIA NO MUNDO
"O HUBBLE INTEGROU A CIÊNCIA À CULTURA"
20/08/2009


O astrofísico romeno Mario Livio realiza um balanço das contribuições do telescópio espacial Hubble, que será aposenta- do nos próximos oito anos, e dá detalhes do projeto James Webb: um equipamento muito mais potente que chegará ao espaço em 2014.



No projeto desde 1991 - um ano depois do lançamento do telescópio -, Livio atuou como diretor da Divisão Científica do Hubble. Há dois anos é responsável pela divulgação das descobertas. Em visita ao Brasil para o lançamento da Agência Cultural Arena Ideias e para um ciclo de conferências no Planetário do Ibirapuera, Livio concedeu entrevista exclusiva ao Estado:



- Quais foram as principais contribuições do Hubble para a ciência?



A descoberta mais importante foi a energia escura. Desde os anos 20, sabemos que o universo está expandindo. Mas, até 1998, acreditávamos que a velocidade de expansão estava diminuindo. O Hubble mostrou que está acelerando por causa da energia escura, uma força que atua sobre os astros. Não sabemos a origem dessa energia, mas vemos os efeitos. Há também outra contribuição importante: graças ao Hubble descobrimos a composição da atmosfera de alguns planetas fora do Sistema Solar. Identificamos substâncias como carbono, oxigênio e metano.



- Houve cinco missões para consertar o Hubble. A última ocorreu em maio. Até quando vai funcionar?



O Hubble deve permanecer ativo por mais cinco anos. Talvez sete ou oito. Em maio, instalamos dois novos equipamentos: uma câmera capaz de registrar todas as frequências da luz - do infravermelho ao ultravioleta - e um espectrógrafo. Ao olhar para o céu, vemos o passado, pois a luz de uma estrela distante costuma demorar milhões de anos para chegar aqui. Com as câmeras do Hubble, podíamos ver galáxias com1 bilhão de anos. Coma nova câmera instalada em maio, veremos imagens de quando os astros tinham apenas 600 milhões ou 700 milhões de anos. Ou seja, cada vez mais antigo e mais profundo em um universo com 13,7 bilhões de anos. O espectrógrafo nos aju- dará a desvendar a composi- ção e a estrutura de filamentos que ligam as galáxias. Sabe- mos que a maior parte da matéria do universo está nessa "teia cósmica", mas ainda há pouco conhecimento sobre ela.



- Até agora, o projeto custou US$ 10 bilhões.Qual é a importância social de um investimento assim?



O Hubble realizou algo que nenhum outro experimento foi capaz de fazer. Levou o prazer das descobertas científicas para dentro da casa das pessoas em todo o mundo. Um exemplo banal: na capa de um dos álbuns da banda de rock Pearl Jam há uma imagem do Hubble. O projeto integrou a ciência à cultura. Pessoas que não se interessavam ficaram entusiasmadas comas novas descobertas. No próximo dia 9, vamos divulgar as fotos dos novos equipamentos instalados no Hubble. São lindas. Tenho certeza de que muitos brasileiros verão essas imagens no mesmo dia.



- E quando o Hubble se aposentar?



Já estamos construindo o substituto: o telescópio espacial James Webb. Deverá ser lançado em 2014 e é muito diferente do Hubble. O espelho para captar a luz dos astros será maior: 6,6 metros. O do Hubble tem apenas 2,4. Além disso, o Webb não vai enxergar a luz visível. Registrará apenas as ondas com comprimento no intervalo do infravermelho, invisíveis aos nossos olhos. É a frequência da luz que chega dos lugares mais distantes do universo. Queremos observar os milhões de anos iniciais. Como o infravermelho é uma radiação quente, devemos evitar que o calor da Terra atrapalhe. Por isso, o Webb ficará a 1,6 milhão de quilômetros. O Hubble está a apenas 550 quilômetros de altura. Além disso, o infravermelho é capaz de atravessar a poeira do espaço. Conseguiremos ver melhor regiões "empoeiradas" como os berços de estrelas. Custará US$ 5 bilhões e, tenho certeza, valerá cada centavo investido.
( Fonte: Alexandre Gonçalves, O Estado de SP )


Data de publicação no Boletim: 23/08/2009
Editor(a) responsável: Carlos Eduardo Contato (CE), Boletim Supernovas

Citação bibliográfica (ABNT):
"O HUBBLE INTEGROU A CIÊNCIA À CULTURA". Fonte original: Alexandre Gonçalves, O Estado de SP. Boletim Supernovas: Boletim Brasileiro de Astronomia, ed. 528, Ago. 2009. Disponível em: < http://www.boletimsupernovas.com.br/edicao/528/noticia/2613/BSN_o-hubble-integrou-a-ciencia-a-cultura.htm >. Acesso em: 10 Fev. 2012.

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