No dia sete de novembro de 2008, Caroline Moore de 14 anos descobriu uma supernova na galáxia UGC 12682, tornando-a a pessoa mais jovem a descobrir uma estrela que explodiu. Ela fez a descoberta a partir de uma imagem obtida com um telescópio MEADE LX200 no Arizona que é parte do Puckett Observatory World Supernova Search, liderado pelo astrônomo amador Tim Puckett.
O objeto peculiar designado Supernova 2008ha, é a supernova de brilho mais fraco já registrada. Foi cerca de mil vezes mais intensa que uma nova ( uma explosão nuclear na superfície de uma estrela antiga e compacta), mas milhares de vezes mais fraca que uma supernova típica (a explosão cataclísmica de um estrela inteira).
A supernova aparentou ser relativamente fraca para a galáxia hospedeira que está a uma distância de 70 milhões de anos luz, fazendo com que astrônomos pensassem inicialmente que seria uma supernova que enfraqueceu devido a uma enorme quantidade de poeira interestelar ou uma "supernova impostora", a erupção da superfície de uma estrela massiva que assemelha-se a uma supernova.
No dia 18 de novembro, Ryan Foley do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian e sua equipe obtiveram o primeiro espectro de SN 2008ha. Era estranho e não permitiu uma classificação imediata do objeto. Posteriormente, Foley descobriu que era semelhante ao de uma outra supernova peculiar, SN 2002cx, mas possuía uma velocidade de expansão mais baixa. A própria SN 2008ha possuía uma velocidade de expansão ainda mais baixa, significando que SN 2008ha ejetou material com uma energia bem abaixo que a maioria das supernovas. Por não apresentar nenhum enfraquecimento de brilho devido à poeira interestelar, Foley a concluiu que tratava-se de uma supernova extremante fraca.
"Podemos imaginar diferentes formas que uma estrela pode explodir de maneira semelhante a SN 2008ha" falou Robert Kirshner (também do Centro de Astrofísica do Harvard-Smithsonian). "Pode ter sido uma estrela massiva que de repente colapsou para formar um buraco negro, liberando pouca energia. Mas, também parece com seus primos (Supernovas do tipo Ia), que acreditamos tratarem-se de explosões nucleares de anãs brancas. Talvez esta tenha sido uma explosão de um tipo genérico, mas bem menos intenso."
Foley ressaltou que a análise espectral foi bastante interessante. Na maioria das supernovas, a alta velocidade de ejeção de material dificulta a observação de fenômenos espectrais, fazendo com que seja difícil determinar a composição química do objeto por aparentar ser um borrão." Com SN 2008ha, a velocidade foi baixa o suficiente permitindo determinar a composição química da supernova." segundo Foley.
Explosões desta natureza podem não ter sido observadas antes por serem pouco brilhantes. Porém, uma nova geração de telescópios e instrumentos está começando a buscar por objetos em locais cada vez mais distantes, monitorando milhões de galáxias. No entanto, a descoberta de Moore mostra que um olhar atento está longe de ser obsoleto.
Data de publicação no Boletim: 16/06/2009
Editor(a) responsável: Carlos Eduardo Contato (CE), Boletim Supernovas
Citação bibliográfica (ABNT):
ADOLESCENTE DE NOVA IORQUE ENCONTRA A SUPERNOVA MENOS BRILHANTE. Fonte original: Valerie Daum/Sky&Telecope, tradução Silvia Calbo Aroca/BSN. Boletim Supernovas: Boletim Brasileiro de Astronomia, ed. 518, Jun. 2009. Disponível em: < http://www.boletimsupernovas.com.br/edicao/518/noticia/2466/BSN_adolescente-de-nova-iorque-encontra-a-supernova-menos-brilhante.htm >. Acesso em: 11 Fev. 2012.
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