Notícia
BSN edição 497 (22/01/2009 a 29/01/2009)
sessão ASTRONOMIA NO BRASIL
BRASIL QUER QUE 1 MILHÃO DE PESSOAS OLHEM O CÉU ATRAVÉS DE UM TELESCÓPIO
19/01/2009


Oferecer a pelo menos 1 milhão de pessoas a oportunidade de ver o céu por meio de um telescópio pela primeira vez é uma das principais metas brasileiras no Ano Internacional da Astronomia (IYA, na sigla em inglês), celebrado em 2009. Se atingido, o objetivo corresponderá a 10% do total mundial projetado: 10 milhões de primeiras observações. Uma celebração oficial da ONU, Unesco e da União Astronômica Internacional (IAU), o IYA conta, no País, com o apoio de órgãos do governo, como o Ministério da Ciência e Tecnologia. O ano astronômico será lançado oficialmente, no Brasil, na terça-feira, no Planetário do Rio de Janeiro. “É para coincidir com o feriado”, diz um dos coordenadores das atividades, o astrônomo Tasso Napoleão, referindo-se à festa de São Sebastião. “A abertura internacional, em Paris, foi alguns dias antes, mas só para autoridades e celebridades. Resolvemos sair um pouco depois, mas levando a mensagem ao público.” Ele acredita que as atividades que serão promovidas no IYA - há mais de 200 eventos programados só neste mês, em mais de 50 municípios, entre palestras, shows, exibições e observações com telescópio - atenderão a uma demanda popular reprimida. “O telescópio é diferente da tela do computador. Na tela, o que se vê são pixels. O pessoal fica fascinado com o relevo da Lua, com os anéis de Saturno.” Mesmo antes da abertura nacional, atividades já estão em andamento em várias cidades do País desde o início do mês. “O céu é para todos”, diz Napoleão. “Mas as pessoas nos centros urbanos se desconectaram do céu, por causa principalmente da poluição luminosa e do ritmo da vida moderna. As crianças, hoje, até estranham quando se fala em constelações. Suas únicas referências no céu são o Sol e a Lua.” Estão envolvidos na organização das atividades mais de 200 grupos ou “nós” - a palavra escolhida para remeter ao conceito de uma grande rede - espalhados pelo Brasil e formados por astrônomos amadores e profissionais, equipes de planetários e de instituições de ensino. A programação dos eventos pode ser vista no website oficial do IYA no Brasil, http://www.astronomia2009.org.br. “Vamos ter coisas acontecendo desde a Praça dos Três Poderes até do lado da estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte”, afirma. Além das atividades astronômicas para o público, em 2009 o Brasil sediará ainda a assembleia internacional da IAU, que ocorre em agosto, no Rio. Na assembleia anterior, realizada em 2006 na República Checa, os astrônomos tomaram a polêmica decisão de retirar Plutão da lista de planetas do Sistema Solar. Trabalho de Galileu é marco Há 400 anos, o italiano fez importantes observações com telescópio e foi habilidoso ao divulgá-las 2009 foi consagrado Ano Internacional da Astronomia porque marca os 400 anos de importantes observações feitas com telescópio pelo italiano Galileu Galilei (1564-1642). Galileu não inventou o telescópio e talvez nem tenha sido o primeiro a usá-lo para contemplar os astros - há quem defenda a prioridade do inglês Thomas Harriott -, mas foi o primeiro a dar ampla publicidade ao que viu. “Galileu era um ótimo marqueteiro”, reconhece o astrônomo Tasso Napoleão. “As luas de Júpiter que descobriu ele até chamou de astros mediceus”, em homenagem ao grão-duque da Toscana, Cosimo de Medici. Hoje, esses astros são conhecidos como satélites galileanos e levam nomes de personagens da mitologia grega: Io, Europa, Ganimede e Calisto. Em agosto de 1609, Galileu já havia promovido uma sessão de observações do céu com telescópio para convidados, demonstrando o funcionamento do aparelho a autoridades de Veneza. Descritas em um livro publicado em 1610, Sidereus Nuncius (Mensageiro das Estrelas), as observações feitas por Galileu no ano de 1609 incluíram, além da descoberta das luas, o avistamento de montanhas e vales na Lua, descrita pelo italiano em seu livro como “rústica, cheia de cavidades e proeminências, não muito diferente da face da Terra”. A constatação de que havia irregularidades no relevo lunar derrubou a ideia aristotélica de que os corpos celestes tinham superfícies perfeitamente esféricas. O fato de Júpiter ter satélites pôs em dúvida a noção de que tudo que existia no céu deveria girar em torno da Terra. “O livro que ele publicou com tudo isso foi revolucionário”, diz Napoleão. “Com isso, conseguiu muitos adeptos e se sentiu fortalecido para defender a ideia de que os planetas giram em torno do Sol. Ele é considerado o pai da experimentação na astronomia.” Números: 136 países estão envolvidos na celebração do Ano Internacional da Astronomia, 220 “nós”, ou núcleos estarão promovendo atividades durante todo o ano, apenas no Brasil, 10 milhões de pessoas deverão usar um telescópio pela primeira vez no mundo
( Fonte: Carlos Orsi, O Estado de SP )


Data de publicação no Boletim: 19/01/2009
Editor(a) responsável: Carlos Eduardo Contato (CE), Boletim Supernovas

Citação bibliográfica (ABNT):
BRASIL QUER QUE 1 MILHÃO DE PESSOAS OLHEM O CÉU ATRAVÉS DE UM TELESCÓPIO. Fonte original: Carlos Orsi, O Estado de SP. Boletim Supernovas: Boletim Brasileiro de Astronomia, ed. 497, Jan. 2009. Disponível em: < http://www.boletimsupernovas.com.br/edicao/497/noticia/2230/BSN_brasil-quer-que-1-milhao-de-pessoas-olhem-o-ceu-atraves-de-um-telescopio.htm >. Acesso em: 11 Fev. 2012.

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